Nes­ta con­tri­bui­ção à seção Bre­ves Arti­gos, a advo­ga­da espe­ci­a­lis­ta em Direi­to de Famí­lia Rena­ta Nepo­mu­ce­no e Cys­ne defen­de que as pes­so­as que vão se divor­ci­ar no foro extra­ju­di­ci­al podem esco­lher com liber­da­de o tabe­lião que fará lavrar a escri­tu­ra.

Leia o arti­go a seguir.

 

A Era Digi­tal do Divór­cio Extra­ju­di­ci­al: a com­pe­tên­cia dos Tabe­liães de Notas

Rena­ta Nepo­mu­ce­no e Cys­ne[1]

 Intro­du­ção

Como con­sequên­cia da situ­a­ção de excep­ci­o­nal con­ten­ção, miti­ga­ção e tra­ta­men­to da infec­ção epi­de­mi­o­ló­gi­ca cau­sa­da pela doen­ça COVID-19, a soci­e­da­de bra­si­lei­ra se depa­rou com uma série de pro­vi­dên­ci­as para que as ati­vi­da­des nota­ri­as con­ti­nu­as­sem a ocor­rer de for­ma segu­ra, com redu­zi­da cir­cu­la­ção de pes­so­as e, con­se­quen­te­men­te, bai­xo ris­co de con­ta­mi­na­ção.

Um dos atos pra­ti­ca­dos em car­tó­ri­os de notas com gran­de uti­li­za­ção do públi­co bra­si­lei­ro é a escri­tu­ra públi­ca de divór­cio. Em 2018, os divór­ci­os extra­ju­di­ci­ais já repre­sen­ta­vam qua­se 20% (vin­te por cen­to) das dis­so­lu­ções de casa­men­tos no Bra­sil, segun­do os dados divul­ga­dos pelo Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Geo­gra­fia e Esta­tís­ti­cas (IBGE)[2].

Regu­la­men­ta­do inci­al­men­te pela Lei nº 11.441, de 4 de janei­ro de 2007, e atu­al­men­te pelo novel Códi­go de Pro­ces­so Civil, o divór­cio extra­ju­di­ci­al des­bu­ro­cra­ti­zou o tér­mi­no da rela­ção con­ju­gal, impri­miu cele­ri­da­de e tor­nou mais aces­sí­vel a regu­la­ri­za­ção do fim do casa­men­to. Para rea­li­zar o divór­cio extra­ju­di­ci­al, é neces­sá­rio que as par­tes tenham con­sen­so quan­to ao divór­cio e a par­ti­lha de bens; que não pos­su­am filhos meno­res ou inca­pa­zes; que a mulher não este­ja grá­vi­da; e que este­jam asses­so­ra­dos por advo­ga­do.

Em alguns esta­dos é pos­sí­vel que, mes­mo ten­do filhos meno­res e/ou inca­pa­zes, as par­tes pro­mo­vam o divór­cio extra­ju­di­ci­al, des­de que as ques­tões ati­nen­tes aos filhos – rela­ti­vas a guar­da, con­vi­vên­cia e ali­men­tos – já este­jam solu­ci­o­na­das pela via judi­ci­al. É o caso do Dis­tri­to Fede­ral e de São Pau­lo, por exem­plo.

A fer­ra­men­ta de bus­cas Goo­gle Bra­sil rea­li­zou em mar­ço des­te ano, para a revis­ta Pais e Filhos, levan­ta­men­to sobre as pes­qui­sas rea­li­za­das no por­tal com os ter­mos “como dar entra­da no divór­cio?” e “divór­cio onli­ne gra­tui­to” e cons­ta­tou aumen­to de 82% (oiten­ta e dois por cen­to) e 9.900% (nove mil e nove­cen­tos por cen­to), res­pec­ti­va­men­te, na pro­cu­ra das infor­ma­ções[3].

O aumen­to da deman­da dos ser­vi­ços car­to­rá­ri­os, inclu­si­ve de divór­ci­os, ali­a­do ao momen­to de pan­de­mia viven­ci­a­do, que impõe medi­das de afas­ta­men­to soci­al, exi­giu a ade­qua­ção da for­ma como o ser­vi­ço car­to­rá­rio era ofe­re­ci­do a popu­la­ção. E alguns Tri­bu­nais de Jus­ti­ça dos Esta­dos – órgão res­pon­sá­vel pelo bom fun­ci­o­na­men­to dos Ser­vi­ços Nota­ri­as a nível esta­du­al – edi­ta­ram pro­vi­men­tos para regu­la­men­tar o aten­di­men­to remo­to.

Da com­pe­tên­cia para lavrar a escri­tu­ra públi­ca de Divór­cio

A com­pe­tên­cia de foro impli­ca na atri­bui­ção por lei para o jul­ga­men­to da cau­sa aos diver­sos órgãos juris­di­ci­o­nais. Espe­ci­fi­ca­men­te nas ações judi­ci­ais de divór­cio, a com­pe­tên­cia está expres­sa­men­te pre­vis­ta no Códi­go de Pro­ces­so Civil[4]. No entan­to, essa com­pe­tên­cia é rela­ti­va e não pode ser decla­ra­da de ofí­cio[5], ou seja, até mes­mo em um pro­ces­so judi­ci­al liti­gi­o­so de divór­cio, em que não haja inte­res­se de meno­res de ida­de ou inca­pa­zes, as par­tes podem ele­ger o foro de for­ma indi­re­ta ao não argui­rem a incom­pe­tên­cia.

No que se refe­re aos atos extra­ju­di­ci­ais, uma vez que a escri­tu­ra públi­ca de divór­cio não é um ato juris­di­ci­o­nal, não há que se falar em supos­ta “com­pe­tên­cia”, tan­to que a Lei nº 11.441, de 2007 – que, como dito, regu­la­men­tou o divór­cio extra­ju­di­ci­al, não indi­cou o foro para a lavra­tu­ra da escri­tu­ra públi­ca de sepa­ra­ção, divór­cio ou da par­ti­lha por direi­tos here­di­tá­ri­os, o que foi man­ti­do pelo Códi­go de Pro­ces­so Civil. O Desem­bar­ga­dor Luiz Feli­pe Bra­sil San­tos dis­cor­re:

Para a prá­ti­ca do ato nota­ri­al pode ser livre­men­te esco­lhi­do qual­quer tabe­li­o­na­to de notas, con­for­me dis­põe o art. 8° da Lei n° 8.935/94, não se sub­me­ten­do às regras de com­pe­tên­cia do Códi­go de Pro­ces­so Civil (art. 100, I, do CPC). Por sinal, assim é tam­bém no caso de pro­ce­di­men­to judi­ci­al de sepa­ra­ção ou divór­cio con­sen­su­ais, pois, em se tra­tan­do de regra de com­pe­tên­cia rela­ti­va, facul­ta­do dela abrir mão por acor­do.[6]

O Con­se­lho Naci­o­nal de Jus­ti­ça – CNJ — ao dis­ci­pli­nar a apli­ca­ção da Lei nº 11.441, de 2007 pelos ser­vi­ços nota­ri­ais e regis­trais, edi­tou a Reso­lu­ção nº 35, que sobre a com­pe­tên­cia para a lavra­tu­ra dos atos nota­ri­as assim defi­niu: “Art. 1º Para a lavra­tu­ra dos atos nota­ri­ais de que tra­ta a Lei nº 11.441/07, é livre a esco­lha do tabe­lião de notas, não se apli­can­do as regras de com­pe­tên­cia do Códi­go de Pro­ces­so Civil”.

O enten­di­men­to do CNJ decor­re da apli­ca­ção da Lei nº 8.935, de 18 de novem­bro de 1994, que regu­la­men­tou o art. 236 da Cons­ti­tui­ção Fede­ral[7], e que em seu art. 8º dispôs “É livre a esco­lha do tabe­lião de notas, qual­quer que seja o domi­cí­lio das par­tes ou o lugar de situ­a­ção dos bens obje­to do ato ou negó­cio.                    

Por­tan­to, até o momen­to, não há limi­ta­ção de com­pe­tên­cia fixa­da em Lei para lavra­tu­ra de escri­tu­ra públi­ca de divór­cio, sepa­ra­ção, reco­nhe­ci­men­to e dis­so­lu­ção de união está­vel, caben­do às par­tes a esco­lha do tabe­li­o­na­to de notas que melhor lhes aprou­ver, nos ter­mos da lei em vigor.

Por oca­sião da pan­de­mia, con­for­me aci­ma men­ci­o­na­do, alguns Esta­dos edi­ta­ram pro­vi­men­tos para regu­la­men­tar o aten­di­men­to nota­ri­al remo­to e por meio ele­trô­ni­cos. A títu­lo exem­pli­fi­ca­ti­vo, cita-se os pro­vi­men­tos de 04 (qua­tro) Esta­dos — San­ta Cata­ri­na, Tocan­tins, Rio de Janei­ro e São Pau­lo.

O Pro­vi­men­to nº 22, de 31 de mar­ço de 2020, da Cor­re­ge­do­ria-Geral da Jus­ti­ça do Esta­do de San­ta Cata­ri­na, em seu art. 13 defi­niu que será com­pe­ten­te para a prá­ti­ca de atos remo­tos o tabe­lião  “I — da res­pec­ti­va cir­cuns­cri­ção onde esti­ver loca­li­za­do o imó­vel;  II — de qual­quer uma das cir­cuns­cri­ções, quan­do os imó­veis forem loca­li­za­dos em áre­as de atu­a­ção dis­tin­tas III — do domi­cí­lio em San­ta Cata­ri­na de qual­quer um dos inte­res­sa­dos, seus repre­sen­tan­tes, advo­ga­dos e demais pes­so­as que devam inter­vir no ato, nos demais casos que não envol­ve­rem imó­veis.”[8] (gri­fou-se).

O Pro­vi­men­to nº 004/2020/CGJUS/TO da Cor­re­ge­do­ria-Geral da Jus­ti­ça do Esta­do do Tocan­tins, tam­bém em seu arti­go 13 dispôs que “Será com­pe­ten­te para a prá­ti­ca de atos remo­tos o tabe­lião: I – da cir­cuns­cri­ção ter­ri­to­ri­al em que esti­ver situ­a­do o imó­vel ou do apas­cen­ta­men­to dos semo­ven­tes jun­to à ADAPEC/TO ou regis­tra­do o veí­cu­lo jun­to ao DETRAN/TO; II – de qual­quer uma das cir­cuns­cri­ções, quan­do os imó­veis forem loca­li­za­dos em áre­as de atu­a­ção dis­tin­tas; e III – do domi­cí­lio no Tocan­tins de qual­quer um dos inte­res­sa­dos, seus repre­sen­tan­tes, advo­ga­dos e demais pes­so­as que devam inter­vir no ato, nos demais casos que não envol­ve­rem imó­veis.[9] (gri­fou-se).

No que se refe­re ao Esta­do do Rio de Janei­ro, a exem­plo do arti­go 9º da Lei nº 8.935, de 1994[10]„ o Pro­vi­men­to nº 31/2020 que regu­la­men­tou a rea­li­za­ção de atos nota­ri­ais à dis­tân­cia, em seu arti­go 10º, vin­cu­lou a com­pe­tên­cia para os atos regu­la­dos de for­ma abso­lu­ta e com obser­vân­cia da cir­cuns­cri­ção ter­ri­to­ri­al para a qual o tabe­lião rece­beu sua dele­ga­ção.[11]

O Pro­vi­men­to nº 12/2020 da Cor­re­ge­do­ria Geral da Jus­ti­ça do Esta­do de São Pau­lo dispôs, em seu arti­go 3º, que cabe, ao tabe­lião de notas da cir­cuns­cri­ção do domi­cí­lio das par­tes, a lavra­tu­ra de atos nota­ri­ais rea­li­za­dos na for­ma do art. 1º, quan­do tenham por obje­to negó­ci­os jurí­di­cos que não carac­te­ri­zem a cons­ti­tui­ção ou a trans­mis­são de direi­tos reais sobre bem imó­vel. E que a com­pro­va­ção do domi­cí­lio da pes­soa físi­ca será fei­ta, pela veri­fi­ca­ção do títu­lo de elei­tor, ou pelo domi­cí­lio decla­ra­do para efei­to de impos­to de ren­da do exer­cí­cio ante­ri­or.[12]

Em comum, todos os pro­vi­men­tos tra­zem a pre­vi­são de que o tabe­lião de notas tem que pra­ti­car o ato no local de sua dele­ga­ção – ou seja, não pode haver des­lo­ca­men­to ter­ri­to­ri­al do tabe­lião. Os pro­vi­men­tos lan­ça­dos pelas Cor­re­ge­do­ri­as Gerais dos Esta­dos de San­ta Cata­ri­na e Tocan­tins, inclu­em para defi­ni­ção de com­pe­tên­cia para lavra­tu­ra da escri­tu­ra públi­ca de divór­cio o domi­cí­lio tam­bém dos advo­ga­dos, vez que essen­ci­ais aos atos. O pro­vi­men­to do Esta­do do Rio de Janei­ro é mais amplo e não apre­sen­ta limi­ta­ções de com­pe­tên­cia além da pre­vis­ta em Lei, e o Esta­do de São Pau­lo traz pre­vi­são limi­tan­te e que des­con­si­de­ra os demais ato­res neces­sá­ri­os à vali­da­ção do divór­cio extra­ju­di­ci­al, espe­ci­al­men­te se silen­ci­an­do no que se refe­re à par­ti­ci­pa­ção dos advo­ga­dos.

Dian­te dos pro­vi­men­tos emer­gen­ci­ais lan­ça­dos pelos órgãos esta­tais, o Cor­re­ge­dor Naci­o­nal de Jus­ti­ça, a quem com­pe­te expe­dir Pro­vi­men­tos des­ti­na­dos ao aper­fei­ço­a­men­to dos ser­vi­ços nota­ri­ais e de regis­tro[13], uni­fi­cou o enten­di­men­to e dispôs sobre a prá­ti­ca de atos nota­ri­ais remo­tos, por meio do Pro­vi­men­to nº 100, de 26 de maio de 2020[14].

Da com­pe­tên­cia indi­ca­da pelo Pro­vi­men­to nº 100, de 2020 do Con­se­lho Naci­o­nal de Jus­ti­ça

Ao edi­tar o Pro­vi­men­to nº 100, de 2020, que esta­be­le­ceu nor­mas gerais sobre a prá­ti­ca de atos nota­ri­ais ele­trô­ni­cos em todo o País, con­si­de­rou-se, entre outros fato­res, a neces­si­da­de de manu­ten­ção da pres­ta­ção de ser­vi­ços nota­ri­ais, vez que essen­ci­ais ao exer­cí­cio da cida­da­nia, as medi­das de pre­ven­ção ao con­tá­gio pelo coro­no­na­ví­rus e a neces­si­da­de de evi­tar con­cor­rên­cia pre­da­tó­ria por ser­vi­ços pres­ta­dos remo­ta­men­te.

O refe­ri­do Pro­vi­men­to espe­ci­fi­ca como sen­do cli­en­te do ser­vi­ço nota­ri­al todo usuá­rio que com­pa­re­cer peran­te um notá­rio como par­te dire­ta ou indi­re­ta inte­res­sa­da em um ato nota­ri­al, ain­da que por meio dos repre­sen­tan­tes[15].

E ain­da que dis­po­nha em seu art. 6º[16] a mes­ma pre­vi­são con­ti­da no arti­go 9º da Lei 8.935/94, quan­to à com­pe­tên­cia ter­ri­to­ri­al do Tabe­lião de Notas, silen­ci­ou quan­to a limi­tar a com­pe­tên­cia para lavra­tu­ra de escri­tu­ra públi­ca de divór­cio, sem bens a par­ti­lhar.

Embo­ra seja dis­cu­tí­vel a alça­da da Cor­re­ge­do­ria Naci­o­nal de Jus­ti­ça para cri­a­ção de regras de com­pe­tên­cia nota­ri­al que limi­ta­ria a apli­ca­ção de Leis, o Pro­vi­men­to nº 100, de 2020 defi­niu alguns limi­tes, veja­mos:

  1. Para lavrar escri­tu­ra de negó­ci­os que envol­vem imó­veis, reco­nhe­ci­men­to de cré­di­to ou direi­tos reais será con­si­de­ra­do com­pe­ten­te o tabe­lião: i) da cir­cuns­cri­ção do imó­vel ou do domi­cí­lio do adqui­ren­te; ii) se hou­ver um ou mais imó­veis em dife­ren­tes cir­cuns­cri­ções o tabe­lião de quais­quer delas; iii) estan­do o imó­vel no mes­mo esta­do da fede­ra­ção do domi­cí­lio do adqui­ren­te, este pode­rá ele­ger qual­quer tabe­li­o­na­to de notas da uni­da­de fede­ra­ti­va; iv) Enten­de-se por adqui­ren­te o com­pra­dor, a par­te que adqui­re direi­to real ou a par­te à qual é reco­nhe­ci­do cré­di­to.[17]
  2. Para lavrar atas nota­ri­ais: é com­pe­ten­te o tabe­lião de notas do local do fato ou do domi­cí­lio do reque­ren­te[18];
  3. Na pro­cu­ra­ção públi­ca: é com­pe­ten­te o tabe­lião do domi­cí­lio do outor­gan­te ou do local do imó­vel[19].

Ou seja, nos atos que o Con­se­lho Naci­o­nal de Jus­ti­ça quis indi­car a com­pe­tên­cia, assim o fez no Pro­vi­men­to, mes­mo dian­te do seu ques­ti­o­ná­vel poder para tan­to. Tra­tam-se (i) de escri­tu­ras públi­cas rela­ti­vas a situ­a­ções jurí­di­cas com con­teú­do finan­cei­ro, ou seja, aque­las cujo obje­to tenha reper­cus­são econô­mi­ca cen­tral e ime­di­a­ta, mate­ri­a­li­zan­do ou sen­do par­te de negó­cio jurí­di­co com rele­vân­cia patri­mo­ni­al ou econô­mi­ca, como a trans­mis­são, a aqui­si­ção de bens, direi­tos e valo­res, a cons­ti­tui­ção de direi­tos reais sobre eles ou a sua divi­são; (ii) de atas nota­ri­ais, ver­da­dei­ros tes­te­mu­nhos ofi­ci­ais de fatos nar­ra­dos pelos notá­ri­os no exer­cí­cio de sua com­pe­tên­cia em razão de seu ofí­cio, por meio de diver­sos ele­men­tos, rea­li­za­dos livre­men­te pelos tabe­liães, dian­te de suas pers­pec­ti­vas e sen­si­bi­li­da­des[20], na estei­ra do art. 5º do Pro­vi­men­to CNJ nº 65, de 14 de dezem­bro de 2017[21]; (iii) de pro­cu­ra­ções em geral, sem limi­ta­ções de ordem econô­mi­ca expres­sa no Pro­vi­men­to em estu­do.

Não há no Pro­vi­men­to nº 100, de 2020, esta­be­le­ci­men­to limi­ta­dor de exer­cí­cio de com­pe­tên­cia para a prá­ti­ca de atos nota­ri­ais con­cer­nen­tes a escri­tu­ras públi­cas sem con­teú­do finan­cei­ro, aque­las rela­ti­vas a situ­a­ções jurí­di­cas sem reper­cus­são econô­mi­ca e rele­vân­cia patri­mo­ni­al. Exem­plo clás­si­co de escri­tu­ra públi­ca sem con­teú­do finan­cei­ro é jus­ta­men­te o fes­te­ja­do divór­cio extra­ju­di­ci­al sem par­ti­lha de bens!

A her­me­nêu­ti­ca jurí­di­ca por pri­ma­do bási­co não per­mi­ti­ria inter­pre­ta­ção exten­si­va ou indu­ti­va dos dis­po­si­ti­vos cons­tan­tes no Pro­vi­men­to nº 100, de 2020, limi­ta­do­res da com­pe­tên­cia nota­ri­al por se tra­tar de inter­pre­ta­ção con­tra legem, ferin­do de mor­te o dis­pos­to no arti­go 8º da Lei 8.935, de 1994. Outros­sim, não pare­ce nem de lon­ge juri­di­ca­men­te ade­qua­do con­fe­rir inter­pre­ta­ção exten­si­va ou indu­ti­va para regra que res­trin­ge dis­po­si­ção de lei. Para que haja limi­ta­ção de tal dis­po­si­ção legal nos casos em que o Con­se­lho Naci­o­nal de Jus­ti­ça assim enten­der devi­dos, por cer­to, deve­rá o ser esta­be­le­ci­da de modo expres­so.

Ain­da, por opor­tu­no, con­sig­ne-se que res­ta impres­tá­vel a apli­ca­ção de ana­lo­gia por haver lei pre­ven­do o exer­cí­cio de com­pe­tên­cia nota­ri­al ante a lavra­tu­ra de escri­tu­ras públi­cas sem con­teú­do finan­cei­ro.

Final­men­te, a inter­pre­ta­ção de que a regra expos­ta no arti­go 8º da Lei 8.935, de 1994 esta­ria intei­ra­men­te afas­ta­da com o adven­to do Pro­vi­men­to nº 100, de 2020, não pos­sui nenhum supe­dâ­neo lógi­co jurí­di­co, uma vez que, além de ine­xis­tir dis­po­si­ção expres­sa no sen­ti­do apon­ta­do, a raci­o­na­li­da­de her­me­nêu­ti­ca pátria, con­for­me aci­ma expos­ta, não per­mi­te tal inte­pre­ta­ção.

Por cla­ro, nos casos espe­cí­fi­cos, úni­ca tão e somen­te nes­tas situ­a­ções, em que o Pro­vi­men­to indi­cou a limi­ta­ção de com­pe­tên­cia, cabe de modo impre­te­rí­vel ao tabe­lião veri­fi­car o domi­cí­lio das par­tes ou a loca­li­za­ção do imó­vel nos exa­tos ter­mos do arti­go 21[22].

Ain­da nebu­lo­sa a inter­pre­ta­ção se o cli­en­te, indi­ca­do no art. 2º, inci­so XVIII do Pro­vi­men­to, é sinô­ni­mo de reque­ren­te, e sen­do assim pode­ria ser con­si­de­ra­do a com­pe­tên­cia do domi­cí­lio do repre­sen­tan­te legal para os atos espe­ci­fi­ca­dos nos arti­gos 19 e 20. A exem­plo dos Pro­vi­men­tos ante­ri­or­men­te edi­ta­dos pelos Tri­bu­nais de Jus­ti­ça de San­ta Cata­ri­na e de Tocan­tins. Tudo indi­ca que sim, ao con­trá­rio, des­ne­ces­sá­ria a des­cri­ção de cli­en­te tra­zi­da pela nor­ma­ti­va.

Pelo expos­to, tem-se por ine­xis­ten­te a fixa­ção de com­pe­tên­cia para lavra­tu­ra de escri­tu­ra públi­ca sem con­teú­do finan­cei­ro, vez que des­ca­be con­fe­rir inter­pre­ta­ção exten­si­va ou indu­ti­va con­tra legem, bem como de nor­ma res­tri­ti­va de dis­po­si­ção legal. Inde­pen­den­te­men­te de seu con­teú­do, incluin­do-se de as de sepa­ra­ção e divór­cio, dado o silên­cio elo­quen­te do Pro­vi­men­to.

Da fun­ção soci­al do ins­ti­tu­to do Divór­cio Extra­ju­di­ci­al

A lavra­tu­ra da escri­tu­ra públi­ca via­bi­li­za de for­ma mais céle­re o aces­so à extin­ção do vín­cu­lo con­ju­gal por mei­os extra­ju­di­ci­ais e deve, inclu­si­ve, ser lavra­da de for­ma gra­tui­ta, quan­do reque­ri­da por pes­soa huma­na vul­ne­rá­vel econô­mi­ca e finan­cei­ra­men­te[23].

A pos­si­bi­li­da­de de se lavrar escri­tu­ra públi­ca de divór­cio no tabe­li­o­na­to de notas elei­to pelas par­tes é uma for­ma de con­so­li­da­ção do ins­ti­tu­to. E a pos­si­bi­li­da­de de se pro­ce­der o ato de for­ma remo­ta deve ser no sen­ti­do de ampli­ar e faci­li­tar o exer­cí­cio des­se direi­to — e não de res­trin­gi-lo. Não se pode per­mi­tir que o fato de, em decor­rên­cia da pan­de­mia, as par­tes não pode­rem com­pa­re­cer fisi­ca­men­te no tabe­li­o­na­to de sua elei­ção con­so­li­de-se como fato legi­ti­ma­dor sufi­ci­en­te da reti­ra­da da opção dos divor­ci­an­dos.

O cres­cen­te pres­tí­gio aos mei­os extra­ju­di­ci­ais de solu­ção dos con­fli­tos, que tem resul­ta­do no cons­ta­ta­do aumen­to sig­ni­fi­ca­ti­vo dos divór­ci­os rea­li­za­dos por meio de escri­tu­ra públi­ca se deve tam­bém ao amplo aces­so e ao pres­tí­gio à esco­lha das par­tes do tabe­li­o­na­to.

Cum­pre ain­da obser­var que, embo­ra a escri­tu­ra públi­ca de divór­cio seja públi­ca, o ato envol­ve um momen­to de extre­ma inti­mi­da­de das par­tes, pois põe fim não só ao casa­men­to, mas à comu­nhão de vida, aos sonhos de outro­ra, envol­ven­do não só o aspec­to jurí­di­co das par­tes, mas tam­bém o emo­ci­o­nal. É natu­ral que as par­tes bus­quem a segu­ran­ça não somen­te jurí­di­ca do ato, mas igual­men­te a emo­ci­o­nal, e uma das gran­des van­ta­gens da des­ju­di­ci­a­li­za­ção do divór­cio é exa­ta­men­te a elei­ção do tabe­lião, ain­da mais ao con­si­de­rar que um dos requi­si­tos para vali­da­ção do ato remo­to é a sua gra­va­ção.

Da Impres­cin­dí­vel Par­ti­ci­pa­ção do Advo­ga­do

Outro pon­to que vale aná­li­se é a fun­ção soci­al exer­ci­da pelo advo­ga­do, que é indis­pen­sá­vel à admi­nis­tra­ção da jus­ti­ça nos ter­mos da Cons­ti­tui­ção Fede­ral[24] e que tem como prer­ro­ga­ti­va de direi­tos exer­cer, com liber­da­de, a pro­fis­são em todo ter­ri­tó­rio naci­o­nal[25].

Por­tan­to, levan­do-se em con­ta que o advo­ga­do é indis­pen­sá­vel para a lavra­tu­ra da escri­tu­ra públi­ca do divór­cio sem con­teú­do econô­mi­co e que não há qual­quer Lei que defi­na com­pe­tên­cia para o ato, o advo­ga­do pode, em con­jun­to com as par­tes, defi­nir o tabe­li­o­na­to de notas que faci­li­te a sua atu­a­ção pro­fis­si­o­nal, inclu­si­ve ao con­si­de­rar a ter­ri­to­ri­a­li­da­de que per­mi­te a sua atu­a­ção pre­sen­ci­al, se neces­sá­ria, o que gera segu­ran­ça ao ato e para os envol­vi­dos.

Tem-se inclu­si­ve que o domi­cí­lio pro­fis­si­o­nal do advo­ga­do deve ser leva­do em con­si­de­ra­ção para qual­quer ato nota­ri­al que seja impres­cin­dí­vel a sua pre­sen­ça ou que repre­sen­te as par­tes e não tenha bens imó­veis envol­vi­dos, sob pena de vio­lar suas prer­ro­ga­ti­vas pro­fis­si­o­nais, dife­ren­ci­an­do-se ato jurí­di­co de ato nota­ri­al, a fim de incen­ti­var a des­ju­di­ci­a­li­za­ção.

Con­clu­são

A esco­lha do tabe­lião de notas para lavrar escri­tu­ra públi­ca de divór­cio é de livre esco­lha das par­tes. Ain­da que se con­si­de­re que a Cor­re­ge­do­ria Naci­o­nal de Jus­ti­ça tenha alça­da para defi­nir com­pe­tên­cia diver­sa, o Pro­vi­men­to nº 100, de 2020, somen­te a esta­be­le­ceu no domi­cí­lio das par­tes e/ou no local do imó­vel para a lavra­tu­ra de escri­tu­ras públi­cas em que haja neces­sa­ri­a­men­te reper­cus­são econô­mi­ca. Indis­cu­tí­vel é que o tabe­lião fica vin­cu­la­do a sua dele­ga­ção e somen­te pode­rá lavrar atos na sua região quan­do pre­en­chi­do os demais requi­si­tos legais, seja pre­sen­ci­al­men­te ou em ambi­en­te vir­tu­al.

Limi­tar a livre esco­lha das par­tes do tabe­lião de notas e des­con­si­de­rar o domi­cí­lio do advo­ga­do para even­tu­al fixa­ção de com­pe­tên­cia por lei nos atos remo­tos repre­sen­ta retro­ces­so soci­al, veda­do prin­ci­pi­o­lo­gi­ca­men­te pelo sis­te­ma cons­ti­tu­ci­o­nal de tute­la aos direi­tos indi­vi­du­ais e soci­ais. Além de se apre­sen­tar, como for­ma de supres­são de direi­tos, em afron­ta a pre­vi­sões ante­ri­o­res que garan­ti­am liber­da­de de esco­lha.

O aten­di­men­to remo­to para a rea­li­za­ção de atos nota­ri­ais, por meio vir­tu­al, se apre­sen­ta como evo­lu­ção. Vin­cu­lar o cibe­res­pa­ço a regras de com­pe­tên­cia ter­ri­to­ri­al se mos­tra des­co­nec­ta­do da rea­li­da­de e do avan­ço que se alme­ja com a vir­tu­a­li­za­ção dos atos.

Pro­mo­ver essa limi­ta­ção é de inte­res­se de uns pou­cos, mas con­tra o lídi­mo direi­to de mui­tos.

 

[1] advo­ga­da espe­ci­a­lis­ta em Direi­to de Famí­lia.. Pre­si­den­te da Comis­são de Rela­ções Gover­na­men­tais do IBDFAM. Ex-pre­si­den­te do IBDFAM/DF.

[2] www.ibge.gov.br.

[3] https://paisefilhos.uol.com.br/familia/pandemia-do-divorcio-a-procura-por-advogados-aumentou-177-no-brasil-durante-a-quarentena/, aces­so em 30.06.20.

[4] Art. 53. É com­pe­ten­te o foro: I — para a ação de divór­cio, sepa­ra­ção, anu­la­ção de casa­men­to e reco­nhe­ci­men­to ou dis­so­lu­ção de união está­vel:  a) de domi­cí­lio do guar­dião de filho inca­paz; b) do últi­mo domi­cí­lio do casal, caso não haja filho inca­paz; c) de domi­cí­lio do réu, se nenhu­ma das par­tes resi­dir no anti­go domi­cí­lio do casal; d) de domi­cí­lio da víti­ma de vio­lên­cia domés­ti­ca e fami­li­ar, nos ter­mos da Lei nº 11.340, de 7 de agos­to de 2006 (Lei Maria da Penha).

[5] Súmu­la 33 do Supe­ri­or Tri­bu­nal de Jus­ti­ça — A incom­pe­tên­cia rela­ti­va não pode ser decla­ra­da de ofí­cio.

[6] SANTOS, Luiz Feli­pe Bra­sil. Ano­ta­ções acer­ca das sepa­ra­ções e divór­cio extra­ju­di­ci­ais (Lei 11.441/07). https://scholar.google.com.br/scholar?lr=lang_pt&q=compet%C3%AAncia+relativa+div%C3%B3rcio+&hl=pt-BR&as_sdt=0,5, aces­so em 30.06.20.

[7] Art. 236. Os ser­vi­ços nota­ri­ais e de regis­tro são exer­ci­dos em cará­ter pri­va­do, por dele­ga­ção do Poder Públi­co.        1º —  Lei regu­la­rá as ati­vi­da­des, dis­ci­pli­na­rá a res­pon­sa­bi­li­da­de civil e cri­mi­nal dos notá­ri­os, dos ofi­ci­ais de regis­tro e de seus pre­pos­tos, e defi­ni­rá a fis­ca­li­za­ção de seus atos pelo Poder Judi­ciá­rio. 2º — Lei fede­ral esta­be­le­ce­rá nor­mas gerais para fixa­ção de emo­lu­men­tos rela­ti­vos aos atos pra­ti­ca­dos pelos ser­vi­ços nota­ri­ais e de regis­tro.  3º  — O ingres­so na ati­vi­da­de nota­ri­al e de regis­tro depen­de de con­cur­so públi­co de pro­vas e títu­los, não se per­mi­tin­do que qual­quer ser­ven­tia fique vaga, sem aber­tu­ra de con­cur­so de pro­vi­men­to ou de remo­ção, por mais de seis meses.

[8] https://www.colegiorisc.org.br/noticias/novidades/provimento-n-22-de-31-de-marco-de-2020/ aces­so em 29.06.20

[9] http://wwa.tjto.jus.br/elegis/Home/Imprimir/2143, aces­so em 29.06.20.

[10] Art. 9º O tabe­lião de notas não pode­rá pra­ti­car atos de seu ofí­cio fora do Muni­cí­pio para o qual rece­beu dele­ga­ção.

[11] http://cgj.tjrj.jus.br/documents/1017893/0/provimento+CGJ.+31–2020.pdf/a5ffc43b-1219-beed-abf4-20624dd35023, aces­so 30.06.20.

[12] https://api.tjsp.jus.br/Handlers/Handler/FileFetch.ashx?codigo=119325, aces­so em 29.06.20.

[13] Regi­men­to Inter­no Nº 67 de 03/03/2009 – CNJ — Art. 8º Com­pe­te ao Cor­re­ge­dor Naci­o­nal de Jus­ti­ça, além de outras atri­bui­ções que lhe forem con­fe­ri­das pelo Esta­tu­to da Magis­tra­tu­ra: X — expe­dir Reco­men­da­ções, Pro­vi­men­tos, Ins­tru­ções, Ori­en­ta­ções e outros atos nor­ma­ti­vos des­ti­na­dos ao aper­fei­ço­a­men­to das ati­vi­da­des dos órgãos do Poder Judi­ciá­rio e de seus ser­vi­ços auxi­li­a­res e dos ser­vi­ços nota­ri­ais e de regis­tro, bem como dos demais órgãos cor­rei­ci­o­nais, sobre maté­ria rela­ci­o­na­da com a com­pe­tên­cia da Cor­re­ge­do­ria Naci­o­nal de Jus­ti­ça;

[14] https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/3334

[15] Art. 2º. Para fins des­te pro­vi­men­to, con­si­de­ra-se: XVIII — cli­en­te do ser­vi­ço nota­ri­al: todo o usuá­rio que com­pa­re­cer peran­te um notá­rio como par­te dire­ta ou indi­re­ta­men­te inte­res­sa­da em um ato nota­ri­al, ain­da que por meio de repre­sen­tan­tes, inde­pen­den­te­men­te de ter sido o notá­rio esco­lhi­do pela par­te outor­gan­te, outor­ga­da ou por um ter­cei­ro.

[16] Art. 6º. A com­pe­tên­cia para a prá­ti­ca dos atos regu­la­dos nes­te Pro­vi­men­to é abso­lu­ta e obser­va­rá a cir­cuns­cri­ção ter­ri­to­ri­al em que o tabe­lião rece­beu sua dele­ga­ção, nos ter­mos do art. 9º da Lei n. 8.935/1994.

[17] Art. 19. Ao tabe­lião de notas da cir­cuns­cri­ção do imó­vel ou do domi­cí­lio do adqui­ren­te com­pe­te, de for­ma remo­ta e com exclu­si­vi­da­de, lavrar as escri­tu­ras ele­tro­ni­ca­men­te, por meio do e‑Notariado, com a rea­li­za­ção de vide­o­con­fe­rên­cia e assi­na­tu­ras digi­tais das par­tes (gri­fo nos­so). 1º Quan­do hou­ver um ou mais imó­veis de dife­ren­tes cir­cuns­cri­ções no mes­mo ato nota­ri­al, será com­pe­ten­te para a prá­ti­ca de atos remo­tos o tabe­lião de quais­quer delas. 2º Estan­do o imó­vel loca­li­za­do no mes­mo esta­do da fede­ra­ção do domi­cí­lio do adqui­ren­te, este pode­rá esco­lher qual­quer tabe­li­o­na­to de notas da uni­da­de fede­ra­ti­va para a lavra­tu­ra do ato.  3º Para os fins des­te pro­vi­men­to, enten­de-se por adqui­ren­te, nes­ta ordem, o com­pra­dor, a par­te que está adqui­rin­do direi­to real ou a par­te em rela­ção à qual é reco­nhe­ci­do cré­di­to.

[18]Art. 20. Ao tabe­lião de notas da cir­cuns­cri­ção do fato cons­ta­ta­do ou, quan­do ina­pli­cá­vel este cri­té­rio, ao tabe­lião do domi­cí­lio do reque­ren­te com­pe­te lavrar as atas nota­ri­ais ele­trô­ni­cas, de for­ma remo­ta e com exclu­si­vi­da­de por meio do e‑Notariado, com a rea­li­za­ção de vide­o­con­fe­rên­cia e assi­na­tu­ras digi­tais das par­tes.

[19] Art. 20 — Pará­gra­fo úni­co. A lavra­tu­ra de pro­cu­ra­ção públi­ca ele­trô­ni­ca cabe­rá ao tabe­lião do domi­cí­lio do outor­gan­te ou do local do imó­vel, se for o caso.

[20] REZENDE, Afon­so Cel­so Fur­ta­do de e CHAVES, Car­los Fer­nan­do Bra­sil. Tabe­li­o­na­to de Notas e o Notá­rio Per­fei­to, 6ª ed., Mil­len­nium Edi­to­ra: Cam­pi­nas, SP, 2011, p. 160.

[21] Art. 5º A ata nota­ri­al men­ci­o­na­da no art. 4º des­te pro­vi­men­to será lavra­da pelo tabe­lião de notas do muni­cí­pio em que esti­ver loca­li­za­do o imó­vel usu­ca­pi­en­do ou a mai­or par­te dele, a quem cabe­rá aler­tar o reque­ren­te e as tes­te­mu­nhas de que a pres­ta­ção de decla­ra­ção fal­sa no refe­ri­do ins­tru­men­to con­fi­gu­ra­rá cri­me de fal­si­da­de, sujei­to às penas da lei.

[22] Art. 21. A com­pro­va­ção do domi­cí­lio, em qual­quer das hipó­te­ses des­te pro­vi­men­to, será rea­li­za­da: I — em se tra­tan­do de pes­soa jurí­di­ca ou ente equi­pa­ra­do: pela veri­fi­ca­ção da sede da matriz, ou da fili­al em rela­ção a negó­ci­os pra­ti­ca­dos no local des­ta, con­for­me regis­tra­do nos órgãos de regis­tro com­pe­ten­tes. II — em se tra­tan­do de pes­soa físi­ca: pela veri­fi­ca­ção do títu­lo de elei­tor, ou outro domi­cí­lio com­pro­va­do. Pará­gra­fo úni­co. Na fal­ta de com­pro­va­ção do domi­cí­lio da pes­soa físi­ca, será obser­va­do ape­nas o local do imó­vel, poden­do ser esta­be­le­ci­dos con­vê­ni­os com órgãos fis­cais para que os notá­ri­os iden­ti­fi­quem, de for­ma mais céle­re e segu­ra, o domi­cí­lio das par­tes.

[23] CNJ — Reso­lu­ção nº 35. Art. 6º A gra­tui­da­de pre­vis­ta na Lei n° 11.441/07 com­pre­en­de as escri­tu­ras de inven­tá­rio, par­ti­lha, sepa­ra­ção e divór­cio con­sen­su­ais. Art. 7º Para a obten­ção da gra­tui­da­de de que tra­ta a Lei nº 11.441/07, bas­ta a sim­ples decla­ra­ção dos inte­res­sa­dos de que não pos­su­em con­di­ções de arcar com os emo­lu­men­tos, ain­da que as par­tes este­jam assis­ti­das por advo­ga­do cons­ti­tuí­do

[24] Cons­ti­tui­ção Fede­ral — Art. 133. O advo­ga­do é indis­pen­sá­vel à admi­nis­tra­ção da jus­ti­ça, sen­do invi­o­lá­vel por seus atos e mani­fes­ta­ções no exer­cí­cio da pro­fis­são, nos limi­tes da lei.

[25] Esta­tu­to da Advo­ca­cia