Recentemente, Tomka Tomicic, apresentadora do programa matinal chileno Bienvenidos 13, expulsou um dos convidados de seu programa, que negava que tivessem ocorrido atos de violência, como torturas, desaparecimentos forçados e mortes, durante a ditadura chilena de Augusto Pinochet. Tomicic afirmou que aquilo era inadmissível. Veja, aqui.

Ao considerar correta a medida tomada pela apresentadora chilena, Alfredo Attié, Titular da Cadeira San Tiago Dantas, e Diretor do Centro Internacional de Direitos Humanos de São Paulo, da Academia Paulista de Direito, afirma que  “não se pode tolerar a mentira sistemática e mal intencionada sobre fatos tão relevantes quanto são os crimes cometidos por regimes ditatoriais. A omissão relativamente a essas mentiras é uma das razões que nos trouxe à situação presente, em que mentirosos assumem o poder, negando os males da escravidão, das ditaduras, negando a história, censurando e autorizando violência contra a sociedade e destruição da natureza.”

Attié lembra artigo que publicou em 2014, em que dizia que não se pode confundir “democracia e tolerância com discursos totalitários e mentirosos, que buscam negar os males e mesmo a existência histórica das ditaduras e de seus crimes.” Para ele, “quem nega a existência de tortura e de atos sistemáticos de violência no interior de regimes ditatoriais, na verdade, age covardemente, ao tentar esconder, de má-fé, seu apreço pelo autoritarismo e desprezo pela democracia.” E conclui: “Se toleramos o discurso totalitário, acolhemos a sua presença como opção, no jogo da democracia. Corremos o risco de que seus artífices assumam o poder. A omissão em punir os que fizeram e fazem esse tipo de discurso nos trouxe até aqui, em que, no mundo todo, mas sobretudo em nossa América, propagadores de mentiras e de violência assumem o poder, por meio de golpes e arremedos de eleição.”

Leia o artigo, em que Attié busca responder à questão se se deve ou não tolerar o discurso totalitário, aqui.