O Presidente da Academia Paulista de Direito, Alfredo Attié, conversou com Hamilton Faria, sociólogo e poeta, sobre os temas da Felicidade e do Bem Viver, pela TV Academia, refletindo sobre novos caminhos para a humanidade, para a vida na cidade, na busca daquilo que o filósofo equatoriano Alberto Acosta chama, inspirado pelas experiências de vida e de pensamento indígenas do Equador e da Bolívia, de “Filosofia Del Buen Vivir“.

O conceito tem sido explorado por vários pensadores, em todo o Mundo, mas principalmente na América Latina, encontrando paralelo nas reflexões de Enrique Dussel, e sua Filosofia e Ética da Libertação, Paulo Freire, e sua Pedagogia do Oprimido, assim como na crítica de Celso Furtado ao mito do desenvolvimento econômico.

Acosta sublinha que o bem viver preconiza “una cosmovisión diferente a la occidental al surgir de raíces comunitarias no capitalistas. Rompe por igual con las lógicas antropocéntricas del capitalismo, en tanto civilización dominante, y con los diversos socialismos realmente existentes hasta ahora, que deberán repensarse desde posturas socio-biocéntricas y que no se actualizarán simplemente cambiando de apellidos. No olvidemos que socialistas y capitalistas de todo tipo se enfrentaron y se enfrentan aún en el cuadrilátero del desarrollo y del progreso.” Portanto, seria uma experiência de vida, mais do que uma simples teoria, e, além disso, mais mesmo do que uma prática separada do pensamento e da crítica, meramente instrumental. Pressuporia desvencilhar-se de categorias que levaram à destruição da natureza, mas sobretudo da relação do homem com o ambiente.

Hamilton Faria é poeta, sociólogo, autor de vários livros e publicações, foi diretor do Instituto de Planejamento Regional e Urbano – Urplan da PUCSP- São Paulo e criador da Rede Mundial de Artistas, professor da FAAP e no curso de Políticas Culturais da Universidade Metodista. Pertence aos Conselhos da Ação Educativa, da CNTU, e é associado da União Brasileira de Escritores -UBE. Recebeu prêmios, homenagens e participou de antologias de textos literários e culturais em vários países.

Alfredo Attié, que é Doutor em Filosofia da USP, Titular da Cadeira San Tiago Dantas, Embaixador da Paz e um dos introdutores e principais responsáveis pela disseminação no Brasil da cultura da solução pacífica de conflitos, da arbitragem, da mediação e de outros meios autônomos de solução e transformação das relações jurídico-políticas e sócio-econômicas,  vai desenvolver uma comparação entre o buem vivir andino e as perspectivas dos indígenas brasileiros, a partir da recuperação das experiências do que já se chamou de “Stone Age Economiscs” e de “Société contre l’État”, assim como daquilo que a rica etnologia dos povos originários sul-americanos permitiu reconstruir, e que foi objeto de sua tese “Sobre a Alteridade: Para uma Crítica da Antropologia do Direito“, publicada pela Editora Sergio Fabris, de Porto Alegre, sob o título “A Reconstrução do Direito: existência, liberdade, diversidade“, em 2003.

O encontro significa mais um esforço da Academia Paulista de Direito de, recuperando o percurso do que Attié chama de dignidade do direito, apontar e procurar em conjunto novas experiências da vida em comum. Marcou, também, mais uma atividade do Centro Internacional da Paz, Justiça, Solidariedade e Transformação de Conflitos – ACADEMIA DA PAZ  (veja aqui seu projeto)-, vinculado à Cadeira San Tiago Dantas.

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