Seminário em Homenagem a Arruda Alvim e Lançamento de Livro no IASP

Seminário em Homenagem a Arruda Alvim e Lançamento de Livro no IASP

Em 8 de dezem­bro, Dia da Justiça, deste ano, real­iza-se, no Insti­tu­to dos Advo­ga­dos de São Paulo — IASP, o sem­i­nário Recur­so Espe­cial: Relevân­cia da questão fed­er­al, em hom­e­nagem ao Pro­fes­sor Arru­da Alvim , a par­tir das 15:30 horas.

O Sem­i­nário terá a aber­tu­ra do Pro­fes­sor da Fac­ul­dade de Dire­ito da USP — FD.USP e Pres­i­dente do IASP, Rena­to Sil­veira, e da Pro­fes­so­ra Ana Luiza Nery, que farão a insta­lação da Comis­são de Estu­dos de Recur­sos Cíveis e Méto­dos de Uni­formiza­ção Jurispru­den­cial.

A seguir, con­tará com as palestras: Fun­cional­i­dade do Recur­so Espe­cial Repet­i­ti­vo, pro­feri­da pelo Pro­fes­sor Tit­u­lar da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca de São Paulo — PUC.SP e Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito — APD, Eduar­do Arru­da Alvim e do Pro­fes­sor Luiz Guil­herme Cos­ta Wag­n­er, em Mesa pre­si­di­da pela Douto­ra Cláu­dia Schw­ertzArguição de Relevân­cia no Recur­so Espe­cial, pro­feri­da pelo Pro­fes­sor Tit­u­lar da Uni­ver­si­dade Estad­ual Paulista — Une­sp e Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito — APD, Nel­son Nery Jr. e pela Pro­fes­so­ra Tit­u­lar da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca de São Paulo e Acadêmi­ca Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito Tere­sa Arru­da Alvim, em Mesa pre­si­di­da pela Douto­ra Cláu­dia Cimar­di.

O encer­ra­men­to do even­to será feito pelos Pro­fes­sores Rober­to Rosas, Arlete Aure­li e Flavio Galdino.

A seguir, será lança­da a segun­da edição do já clás­si­co livro Con­tencioso Cív­el no CPC, de auto­ria do hom­e­nagea­do  José Manoel de Arru­da Alvim Net­to, segui­do de coquetel.
A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito par­tic­i­pará dessa cel­e­bração, unin­do-se a mais uma mere­ci­da hom­e­nagem ao saudoso Pro­fes­sor Arru­da Alvim, cuja pre­sença e influên­cia na dout­ri­na jurídi­ca brasileira e inter­na­cional tor­nam-se cada vez mais marcantes.

2023: os cento e vinte anos de Tullio Ascarelli

2023: os cento e vinte anos de Tullio Ascarelli
Pro­fes­sor Ital­iano, exi­la­do no Brasil, na déca­da de 1940, em razão da perseguição que sofreu do regime fascista, Tul­lio Ascarel­li trouxe con­si­go sua pre­ciosa bib­liote­ca, que doou para o acer­vo da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo, na qual lecio­nou, ten­do dela rece­bido o títu­lo do doutor hon­oris causa, em razão da relevân­cia de sua pre­sença e influên­cia mar­cante na cul­tura jurídi­ca brasileira.
Tul­lio Ascarelli
Ascarel­li foi autor de vas­ta, pro­fun­da  e orig­i­nal obra jurídi­ca — com destaque para o dire­ito pri­va­do e com­er­cial, que deixou mar­cas na dout­ri­na brasileira — e de reflexão jurídi­co-econômi­ca e jurídi­co-filosó­fi­ca. Em 2023, será cel­e­bra­do o cen­tési­mo-vigési­mo ano do nasci­men­to do jurista que tan­to car­in­ho teve pelo Brasil e por São Paulo,  fale­ci­do pre­mat­u­ra­mente, em 1956.
Em preparação para a real­iza­ção de even­to cul­tur­al rel­a­ti­vo a tal cel­e­bração, e para dis­cu­tir temas e pro­je­tos afins e comuns às insti­tu­ições pre­sentes e à comu­nidade acadêmi­ca ital­iana e brasileira, estiver­am, a con­vite da direção da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo- FD.USP, e do Insti­tu­to Nor­ber­to Bob­bio- INB, no últi­mo dia 5 de dezem­bro, na São Fran­cis­co, rece­bidos por seu Dire­tor, Doutor Cel­so Campi­lon­go, Acadêmi­co Tit­u­lar da APD, e sua Vice-Dire­to­ra, Douto­ra Ana Elisa Bechara, a rep­re­sen­tante do Con­sula­do Ger­al da Itália, em São Paulo, Pro­fes­so­ra Mon­i­ca Fag­gion­a­to, o Pres­i­dente do INB, Doutro Cel­so Azzi,  e seu Secretário-Ger­al, Sen­hor Gui­do Urizio, além de seu Dire­tor-Exec­u­ti­vo, Doutor César Bar­reira, e seu Coor­de­nador-Ger­al, Doutor Lévio Scat­toli­ni, o pro­fes­sor da Fun­dação Getúlio Var­gas, Doutor Luís André Azeve­do, e o Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito — APD, Doutor Alfre­do Attié, Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas.
Foram apre­sen­ta­dos pro­gra­mas em anda­men­to no INB, que pro­move o Prêmio Ray­mun­do Magliano Fil­ho, nas cat­e­go­rias de pesquisas de Grad­u­ação, Pós-grad­u­ação, Mestra­do e Doutora­do, com o apoio da FD.USP, além da revista Bin­di e de cur­so de pós-grad­u­ação, e dis­cu­ti­dos pro­je­tos futuros.
Na fotografia em destaque, os pre­sentes ao encon­tro, no hall da Sala da Dire­to­ria da FD.USP, à frente do bus­to do fol­clorista e escritor paulista Amadeu Ama­r­al, de auto­ria do escul­tor íta­lo-brasileiro mod­ernista Vic­tor Brecheret.

 

“Constituição da Terra” e “Era dos Deveres e Responsabilidades”

“Constituição da Terra” e “Era dos Deveres e Responsabilidades”

No dia 9 de Novem­bro de 2022, , a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, a Uni­ver­si­dade de Cameri­no e a Cát­e­dra Unesco tiver­am a hon­ra de pres­en­ciar e difundir o debate sobre o Tema da Con­sti­tu­ição da Ter­ra e da Era dos Deveres e Responsabilidades.

O Tema foi trata­do em Sessão espe­cial do III Con­gres­so da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito e da IX Jor­na­da Inter­na­cional da Cát­e­dra Unesco Dire­itos Humanos Vio­lên­cia Gov­er­no Governança.

Teve a a impor­tante pre­sença dos Juris­tas Pro­fes­sor Lui­gi Fer­ra­joli, Min­istro Javier Miran­da, Min­istro Tar­so Gen­ro e Pro­fes­sor Alfre­do Attié.

O debate foi coor­de­na­do pela Dra. Rober­ta de Bra­gança Fre­itas Attié.

“Con­sti­tu­ição da Ter­ra” é fun­da­men­tal con­tribuição de Lui­gi Fer­ra­joli, no sen­ti­do de refun­dar a orga­ni­za­ção inter­na­cional do dire­ito, por meio de uma con­sti­tu­inte da Terra.

“Era dos Deveres e Respon­s­abil­i­dades” é impor­tante con­tribuição de Alfre­do Attié para a com­preen­são do tem­po pre­sente e encam­in­har uma pro­pos­ta de ren­o­vação das insti­tu­ições, pen­sa­men­to e práti­ca do dire­ito e da políti­ca para a super­ação de seus impasses.

O debate pode ser assis­ti­do neste link.

Javier Miran­da  é  Dire­tor de Dire­itos Humanos do Cen­tro Lati­no-Amer­i­cano de Econo­mia Humana, foi Min­istro de Dire­itos Humanos do Uruguai e Pres­i­dente da Frente Ampla.

Tar­so Gen­ro foi Min­istro da Edu­cação e da Justiça do Brasil, Gov­er­nador do Esta­do do Rio Grande do Sul e Prefeito da Cidade de Por­to Ale­gre, é Pres­i­dente de Hon­ra do Insti­tu­to Novos Par­a­dig­mas, orga­ni­zou a Con­fer­ên­cia Lati­no-Amer­i­cana, que con­tou com a par­tic­i­pação não ape­nas de Fer­ra­joli, mas igual­mente de Pepe Muji­ca, ex-Pres­i­dente do Uruguai, Miryam Hazán, do Méx­i­co, Ali­cia Ruiz, da Argenti­na, e Javier Miran­da, do Uruguai, em debate apre­sen­ta­do e coor­de­na­do por San­dra Biten­court, do Brasil.

A Cát­e­dra Unesco Dire­itos Humanos, Vio­lên­cia, Gov­er­no, Gov­er­nança é dirigi­da pela Douto­ra Maria Cristi­na de Cic­co, Pro­fes­so­ra da Uni­ver­sità Degli Stu­di di Cameri­no, foi Pro­fes­so­ra de Dire­ito Pri­va­do da Uni­ver­si­dade de Molise, da Uni­ver­si­dade do Esta­do do Rio de Janeiro e Pro­fes­so­ra Vis­i­tante da Uni­ver­si­dade de São Paulo, Uni­ver­si­dade de Cam­pos e Uni­ver­si­dade de Fortaleza.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito é pre­si­di­da por Alfre­do Attié, Tit­u­lar da Cát­e­dra San Tia­go Dan­tas, jurista, filó­so­fo e escritor. É Mem­bro do Fórum Mundi­al de Dire­ito, Justiça e Desen­volvi­men­to, ten­do sido Mem­bro Obser­vador da Uncitral.

Lui­gi Fer­ra­joli é um dos mais impor­tantes juris­tas con­tem­porâ­neos, autor de vas­ta obra na área do Dire­ito Penal garan­tiste e do Dire­ito Con­sti­tu­cional e da Filosofia do Dire­ito. Foi Juiz e esteve lig­a­do ao movi­men­to da mag­i­s­tratu­ra democráti­ca, na Itália, ten­do sido Pro­fes­sor de Filosofia do Dire­ito e Teo­ria Ger­al do Dire­ito na Uni­ver­si­dade de Cameri­no, da qual foi Dire­tor da Fac­ul­dade de Dire­ito, insti­tu­ição com a qual a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito real­iza parce­ria impor­tante, onde tam­bém lecio­nou Nor­ber­to Bob­bio, Atual­mente, é Pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade de Roma Tre.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, a Uni­ver­si­dade de Cameri­no, a Cát­e­dra Unesco e a Edi­to­ra Tirant Lo Blanch  ora pub­li­cam os debates, nos Anais do III Con­gres­so da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito e da IX Jor­na­da Inter­na­cional da Cát­e­dra Unesco Dire­itos Humanos Vio­lên­cia Gov­er­no Governança.

As Derrotas do Derrotado

As Derrotas do Derrotado

Em mais um impor­tante arti­go, pub­li­ca­do orig­i­nal­mente no Espaço Aber­to do jor­nal O Esta­do de S. Paulo, Miguel Reale Jr. anal­isa o vex­ame jurídi­co e éti­co da rep­re­sen­tação, lev­a­da pelo Par­tido Lib­er­al ao Tri­bunal Supe­ri­or Eleitoral, rel­a­ti­va à pre­ten­sa audi­to­ria das urnas eletrônicas.

O TSE impôs mul­ta por lit­igân­cia de má-fé ao Par­tido de Jair Bol­sonaro e Walde­mar da Cos­ta Neto.

Leia o tex­to, a seguir.

                                           

AS DERROTAS DO DERROTADO

Miguel Reale Jr.
(Advo­ga­do, Pro­fes­sor Tit­u­lar Sênior da Uni­ver­si­dade de São Paulo, Acadêmi­co Eméri­to da Acad­e­mia Paulista de Direito)

“A segu­rança das urnas foi ates­ta­da pelo TCU (Tri­bunal de Con­tas da União), pela OAB (Ordem dos Advo­ga­dos do Brasil) e pelas próprias Forças Armadas, que não con­stataram nen­hum indí­cio de fraude. Três mis­sões inter­na­cionais de obser­vação eleitoral tam­bém garan­ti­ram a fidedig­nidade do resultado.

Procu­ran­do pelo em ovo, o Par­tido Lib­er­al (PL) de Walde­mar Cos­ta Neto, insta­do por Bol­sonaro, con­tra­tou audi­to­ria que sug­eriu anu­lar não a eleição, mas ape­nas parte sub­stan­cial das urnas, dan­do a vitória ao ansioso der­ro­ta­do. Como pre­tex­to, usou a con­statação de as urnas ante­ri­ores a 2.020, cer­ca de 279 mil, não ger­arem arquiv­os de reg­istro com o número do respec­ti­vo códi­go de iden­ti­fi­cação, con­cluin­do, então, não haver pos­si­bil­i­dade de ras­trea­men­to do resul­ta­do das mesmas.

Essa con­clusão é sabida­mente inverídi­ca, pois como assi­nalou a presidên­cia do TSE, todas as urnas eletrônicas, de todos os mod­e­los, pos­suem reg­istra­do em seu hard­ware um “número inter­no”, também chama­do de “código de identificação da urna” ou “ID Urna”. Esse iden­ti­fi­cador é único para cada equipa­men­to. A cada eleição, a urna é des­ti­na­da a um municí­pio, zona, seção, receben­do um códi­go de car­ga ger­a­do em con­sonân­cia com o número de iden­ti­fi­cação, sendo este códi­go de car­ga o ele­men­to que iden­ti­fi­ca esta urna no proces­so eleitoral e per­mite ras­tre­abil­i­dade dos resul­ta­dos como pro­duzi­dos pelo equipamento.

Há ain­da out­ro ele­men­to de ras­tre­abil­i­dade dos arquiv­os pro­duzi­dos pelas urnas con­sis­tente na assi­natu­ra dig­i­tal. Os resul­ta­dos, com chaves pri­v­a­ti­vas de cada urna uti­liza­da nas eleições de 2022, são assi­na­dos dig­i­tal­mente. Essas assi­nat­uras são acom­pan­hadas dos cer­ti­fi­ca­dos dig­i­tais únicos de cada urna. Por­tan­to, a par­tir da assi­natu­ra dig­i­tal é per­feita­mente pos­sív­el ras­trear de for­ma inequívoca a origem dos arquiv­os pro­duzi­dos pelas urnas.

 Fazen­do tábu­la rasa das for­mas seguras de ras­trea­men­to de cada uma das urnas, como aci­ma men­ciona­do, o PL na sua rep­re­sen­tação ao TSE, pediu a anu­lação dos votos reg­istra­dos nes­tas 279 mil urnas, resul­tan­do em vitória de Bolsonaro.

Mas a esperteza do pedi­do esbar­rou, já de iní­cio, na solic­i­tação da presidên­cia do TSE de que se adi­tasse a rep­re­sen­tação para se incluir o com­pro­me­ti­men­to tam­bém dos resul­ta­dos decor­rentes do primeiro turno — no qual estas mes­mís­si­mas urnas foram uti­lizadas — colo­can­do-se em análise, por exem­p­lo, a eleição de dep­uta­dos fed­erais que deu ao PL uma ban­ca­da de 99 rep­re­sen­tantes. Ficaria a rep­re­sen­tação depen­dente deste adi­ta­men­to sob pena de inépcia.

Com des­cul­pa pueril e esfar­ra­pa­da, Walde­mar Cos­ta Neto argu­men­tou ser um grande tumul­to ampli­ar-se o âmbito do pedi­do, trazen­do diver­sos atores ao proces­so na hipótese de anu­lação tam­bém de urnas no primeiro turno. Por essa razão cin­gia o pedi­do ao segun­do turno, lim­i­ta­do à eleição presidencial!!!

A petição ini­cial foi inde­feri­da in lim­ine, con­sid­er­a­da inep­ta por lhe fal­tar causa de pedir, ou seja: mín­i­mo fun­da­men­to fáti­co a tornar plausív­el o exame do pleit­ea­do, pois las­trea­da a ini­cial em argu­men­tos fal­sos, que con­trari­am a ver­dade obje­ti­va. Por este moti­vo tam­bém se reputou a ação revesti­da de lit­igân­cia de má-fé, vis­to a base do pedi­do estar assen­ta­da em exposição con­struí­da com man­i­festo desacor­do face à realidade.

O Códi­go de Proces­so Civ­il impõe a todos que par­tic­i­pam do proces­so agir segun­do a boa-fé obje­ti­va, ou seja, com cor­reção, leal­dade, hon­esti­dade. Do con­trário, a justiça se pres­ta a final­i­dade espúria. A pro­bidade proces­su­al, como obri­ga­to­riedade de atu­ação dota­da de leal­dade e retidão, impõe o dev­er de veraci­dade no proces­so, corolário do dev­i­do proces­so legal inscrito no art. 5º da Constituição.

Com efeito, frus­tra-se o fim de apli­cação jus­ta do dire­ito, à qual se des­ti­na o proces­so, quan­do se fal­ta à ver­dade, seja na omis­são de fato rel­e­vante, seja na infor­mação não ver­dadeira que ten­ta ludib­ri­ar o Juí­zo. Não é admis­sív­el con­ced­er prestação juris­di­cional em face de fato não ver­az­mente exposto.

Grave é a afronta ao dev­er de com­por­ta­men­to con­forme a boa-fé, em espe­cial pelo desre­speito à ver­dade se efe­ti­va­do para se assumir posição proces­su­al que legit­ime a pre­ten­são deduzi­da, que de out­ro modo seria inviáv­el. Mere­ci­da, por­tan­to, a mul­ta apli­ca­da no val­or de 2% (pode­ria ser entre 1 a 10%) do val­or da causa, cal­cu­la­do este segun­do o val­or das urnas que se pre­tendia dev­er ser substituídas.

Mas há mais: não se visa­va, em sã con­sciên­cia, a alcançar o resul­ta­do pedi­do na ação, pois a úni­ca intenção era ali­men­tar, com a instau­ração do proces­so, a base de fanáti­cos do bol­sonar­is­mo reunidos em frente a quar­téis ou depredan­do estradas, para insu­flar o tumul­to na esper­ança de inédi­to ter­ceiro turno, envol­ven­do até mes­mo mil­itares com os quais Bol­sonaro se reuniu após a rejeição lim­i­nar da aven­tu­ra proces­su­al, que frus­trou sua expec­ta­ti­va de con­vul­sion­ar a nação.

Se Bol­sonaro ten­tou se mostrar dota­do de valen­tia no exer­cí­cio da presidên­cia, o “imbrocháv­el”, todavia, rev­el­ou triste fraque­za na derrota.”

Nota da Conferência Indígena sobre a participação plural e interseccional

Nota da Conferência Indígena sobre a participação plural e interseccional

Em com­ple­men­to ao tex­to da Car­ta ao Gov­er­no Democráti­co, os Povos Indí­ge­nas emitem impor­tante Nota rel­a­ti­va à neces­si­dade e à importân­cia da par­tic­i­pação e da exper­iên­cia LGBTQIAPN+, no proces­so de con­strução e de afir­mação dos povos orig­inários, em mais um exem­p­lo impor­tante para a sociedade global.

Leia a seguir.

 

NOTA OFICIAL DA CONFERÊNCIA LIVRE E POPULAR DE INDÍGENAS EM CONTEXTO URBANO

A participação e a experiência LGBTQIAPN+: aprender, acolher, envolver, trocar

 

“A proposição da Con­fer­ên­cia Livre e Pop­u­lar de Indí­ge­nas em Con­tex­to Urbano Marçal de Souza, parte do empen­ho e ide­al­iza­ção de pes­soas indí­ge­nas em con­tex­to urbano e, não, de ape­nas um grupo ou orga­ni­za­ção especí­fi­ca. Esta é uma opor­tu­nidade inédi­ta e históri­ca de artic­u­lação, aprox­i­mação e elab­o­ração de pro­postas sobre dire­itos, de nós para nós, pop­u­lação indí­ge­na que nasceu ou mora na cidade e arredores.

Ao lon­go desse proces­so de con­strução, está mais do que enten­di­da a neces­si­dade de acol­her, apren­der e nos envolver­mos com os saberes, deman­das e especi­fi­ci­dades uns dos out­ros, tro­can­do sabedo­rias baseadas nas memórias dos nos­sos povos e tam­bém con­hec­i­men­tos adquiri­dos em con­ta­to e con­vivên­cia com a sociedade não-indí­ge­na.

No entu­si­as­mo da par­til­ha, temos obser­va­do e cel­e­bra­do a grande e con­sis­tente pre­sença de par­entes que afir­mam e reivin­dicam suas vivên­cias e existên­cias diver­sas e inter­sec­cionais. Existên­cias que, no ger­al, nos propõem a ser­mos cole­ti­va­mente livres das nor­mas inven­tadas pelo inva­sor, que nos apri­sion­am e dom­i­nam, impostas prin­ci­pal­mente nas cidades.

Recor­damos que, antes da invasão, em várias sociedades indí­ge­nas neste ter­ritório e em out­ros, tín­hamos a pre­sença orgâni­ca e ances­tral de pes­soas que viven­ci­avam suas iden­ti­dades de gênero e sex­u­al­i­dades livre­mente, inclu­sive com espir­i­tu­al­i­dade, sabedo­ria e orga­ni­za­ção social ele­vadas e reconhecidas.

A existên­cia e respeito pela par­tic­i­pação das pes­soas que hoje são denom­i­nadas por LGBTQIAPN+ não é novi­dade nas sociedades indí­ge­nas, essa era uma questão super­a­da e viven­ci­a­da com nat­u­ral­i­dade até a chega­da das car­ave­las, que troux­er­am as ideias de “peca­do” e for­matação de “família tradicional”.

É evi­dente que, como resul­ta­do do proces­so de col­o­niza­ção e apaga­men­to de nos­sas lín­guas e cul­turas, restou para muites de nós, hoje, palavras e ter­mos na lín­gua col­o­nizado­ra, que não abar­cam e não imprimem nos­sos cor­pos, pen­sa­men­tos e modo de viver.
Entre­tan­to, para o entendi­men­to cole­ti­vo, reivin­di­cações políti­cas e ped­a­gogia nas dis­cussões, muitas vezes pre­cisamos usar os ter­mos atu­ais, como “dis­si­dentes de gênero”, “cis” ou palavras da sigla LGBTQPIAN+, bem como a lin­guagem neu­tra, a fim de localizar e iden­ti­ficar a deman­da e a pes­soa que a coloca.
Por­tan­to, é necessária a com­preen­são cole­ti­va para que par­entes não sejam estran­hades por se colo­carem den­tro de qual­quer denom­i­nação dis­si­dente, já que, como dito aci­ma, são as palavras que temos ago­ra para nos faz­er­mos entender.

No momen­to políti­co atu­al, a tare­fa que se apre­sen­ta para nós, que somos parte dos movi­men­tos indí­ge­nas em Pin­do­ra­maí, é que a par­tic­i­pação de pes­soas com iden­ti­dades e sex­u­al­i­dades livres e diver­sas, devem encon­trar condições e pro­teção para estarem na artic­u­lação da Con­fer­ên­cia, pois sua pre­sença é nat­u­ral­mente necessária para con­struções políticas.

Bus­camos então cam­in­har na con­strução e na práti­ca do acol­hi­men­to para todes, pro­pon­do a gen­erosi­dade e o apreço pela palavra e comu­ni­cação, pois, ger­ação após ger­ação, ances­trais nos mostram que as palavras são espíri­tos que poderosa­mente nos fazem pro­gredir, ou não, em nos­sas experiências.

Nesse sen­ti­do, propo­mos e con­vi­damos os par­entes pre­sentes na con­fer­ên­cia a ofer­e­cer o com­pro­me­ti­men­to cole­ti­vo com a con­strução de uma con­fer­ên­cia ampla, com raízes fortes na ter­ra, onde todes os par­entes, sem dis­tinção, se expressem e con­vi­vam em bus­ca de elab­o­rações coletivas.

Assim, deix­am­os aqui níti­do que não tol­er­aremos aprox­i­mações e inspi­rações em ideias de exclusão e negação das múlti­plas pos­si­bil­i­dades de exi­s­tir. Seja sobre qual especi­fi­ci­dade ou recorte minoritário for.

Não será aceito den­tro do grupo da Con­fer­ên­cia qual­quer flerte com teo­rias ou ideias que ten­ham como base deter­min­is­mos biológi­cos sobre gênero, ou qual­quer insin­u­ação de que pes­soas que divergem dos gêneros des­ig­na­dos pela sociedade colono-cap­i­tal­ista este­jam equivocadas.

Não será tol­er­a­do, pois esta não é ape­nas uma divergên­cia. A pre­mis­sa dessa ideia agride, vio­len­ta, desre­spei­ta a existên­cia ances­tral de indí­ge­nas que exis­tem em suas dis­sidên­cias, com suas memórias de sécu­los de existên­cia, muito antes dis­so ser dis­sem­i­na­do na con­tem­po­ranei­dade virtual.

Todo esse exer­cí­cio de recon­stru­ir nos­sos próprios sen­ti­dos, deman­da grande dis­posição energéti­ca, muito afe­to e gen­erosi­dade para enten­der e ser enten­dide, para comu­nicar e tro­car com respeito, lem­bran­do do que, des­de o iní­cio, foi a pro­pos­ta da artic­u­lação da Conferência.
Enten­demos que na cidade não é fácil con­cil­iar a sabedo­ria e cir­cu­lar­i­dade indí­ge­na com o peso do cotid­i­ano, seus atrav­es­sa­men­tos e urgên­cias, mas esse exer­cí­cio é um cam­in­ho para ter­mos um ambi­ente difer­ente dos que são pro­pos­tos e con­tro­la­dos pelo colonizador.

É fun­da­men­tal numa con­strução anti-colono-cap­i­tal­ista — decolo­nial  — e que defen­da a retoma­da da iden­ti­dade étni­ca respon­sáv­el e com­pro­meti­da e a retoma­da ter­ri­to­r­i­al, que encar­nemos os espíri­tos ances­trais em nos­sas ati­tudes, pen­sa­men­tos e falas no momen­to de dis­cussão, tan­to para a con­strução, quan­to no exer­cí­cio da Con­fer­ên­cia. Só assim, guiades por aque­lus que estiver­am na resistên­cia antes de nós, poder­e­mos, de fato, ter a har­mo­nia e unidade para seguirmos com a vitória da Con­fed­er­ação Tamuya.

A primeira Con­fer­ên­cia está sendo con­struí­da no tur­bil­hão das emergên­cias políti­cas atu­ais, pro­pos­ta sem que haja hier­ar­quia ou metodolo­gia acadêmi­ca colo­nial pré-estabelecida.
Sua for­matação não foi impos­ta ou pré-molda­da para ser ofer­e­ci­da, pois a mes­ma está sendo pen­sa­da con­forme avança.
Assim, con­struí­mos e enten­demos a Con­fer­ên­cia diari­a­mente e em cole­ti­vo, com as reuniões, debates e ativi­dades propostas.
Por isso, val­orizamos e colo­camos como princí­pio o diál­o­go, a per­cepção sen­sív­el um do out­ro e a gen­erosi­dade nas tro­cas, enten­den­do o tem­po para mat­u­ração e inter­me­di­ação dos con­fli­tos, miran­do a pos­si­bil­i­dade de coex­i­s­tir ao reivin­dicar as nos­sas especi­fi­ci­dades, vis­to que somos muites e de muitos con­tex­tos dis­tin­tos. Pre­cisamos, tam­bém, do com­pro­me­ti­men­to cole­ti­vo, com mui­ta sen­si­bil­i­dade na elab­o­ração da comu­ni­cação, para evi­tar frag­ilizar e deses­ta­bi­lizar a con­strução cole­ti­va, inci­tan­do o grupo ao opos­to sen­ti­do da Conferência.

Por fim, agrade­ce­mos a todes os par­entes que estão soman­do neste movi­men­to. A cada reunião vemos o quan­to a Con­fer­ên­cia se faz necessária, mes­mo com toda com­plex­i­dade que sua edi­fi­cação traz.”

Indígenas apresentam Carta Aberta ao Governo Democrático eleito no Brasil

Indígenas apresentam Carta Aberta ao Governo Democrático eleito no Brasil

Mais de cem povos indí­ge­nas brasileiros reúnem-se em torno do Man­i­festo que pode ser lido a seguir.

Uma demon­stração de cor­agem e de enga­ja­men­to políti­co, que apon­ta o cam­in­ho da defe­sa dos dire­itos da Ter­ra e dos deveres dos seres humanos em relação à natureza e o exem­p­lo de uma relação duradoura e sutentável.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito vem acom­pan­han­do esse lev­ante democráti­co e apoia a ini­cia­ti­va, con­dizente com a pro­pos­ta do novo Gov­er­no democráti­co, recém-eleito, que trará o impor­tante Min­istério dos Povos Orig­inários, em demon­stração de sin­to­nia com “os povos indí­ge­nas, ver­dadeiros donos da ter­ra brasileira,” como afir­ma Alfre­do Attié, Pres­i­dente da Acad­e­mia paulista de Dire­ito. Para Sassá Tupinam­bá, líder indí­ge­na pro­fun­da­mente conec­ta­do com as tradições e enga­ja­do na defe­sa dos povos orig­inários, é um momen­to impor­tante de avançar em con­quis­tas e “reparar uma dívi­da de mais de quin­hen­tos anos de perseguição e invis­i­bi­liza­ção.

 

Leia a seguir o doc­u­men­to —  que é com­ple­men­ta­do pela Nota rel­a­ti­va à par­tic­i­pação e à experi­iên­cia plur­al e inter­sec­cional, no movi­men­to de con­strução e de afir­mação dos Povos orig­inários:

 

“Pin­do­maraí (Brasil), 25 de novem­bro de 2022.

 

Carta-Manifesto dos Povos Indígenas 

em Contexto Urbano, Aldeias,

Comunidades e territórios afins,

ao Governo Federal Democrático Eleito em 2022.

 

1- Quem somos?

Diante da con­jun­tu­ra em que nos encon­tramos, tan­to aqui no país colo­nial no qual vive­mos assim como em grande parte do mun­do, surgem ondas de ascen­são fascista no con­tex­to da grande crise ambi­en­tal do cap­i­tal­is­mo, que a cada perío­do se agra­va de for­ma expo­nen­cial. Con­sideran­do a nos­sa luta recente e ain­da atu­al para debe­lar o gov­er­no fascista que se apos­sou do esta­do colono-cap­i­tal­ista brasileiro, num esforço cada vez mais necessário e cada vez mais ampla­mente cole­ti­vo pela lib­er­tação de Pin­do­ra­maí (Brasil).

Dito isso, diante da emergên­cia do novo gov­er­no de tran­sição de frente ampla que venceu as últi­mas eleições, como parte do sis­tema de forças políti­cas que se apre­sen­taram e se artic­u­laram para o enfrenta­men­to ao naz­i­fas­cis­mo, através do proces­so eleitoral de out­ubro pas­sa­do, neste ano de 2022, eis pois que surge essa Car­ta-Man­i­festo para con­hec­i­men­to de todos.

Diante das deman­das sec­u­lares por eman­ci­pação das nações indí­ge­nas, agre­di­das e vio­len­tadas em sua inte­gri­dade, dev­as­tadas pelo mod­e­lo civ­i­liza­tório de morte e destru­ição ambi­en­tal, sub­ju­gadas pelo proces­so necrop­olíti­co colo­nial, cap­i­tal­ista, ten­do em vista, ade­mais, as sin­gu­lar­i­dades econômi­cas, cul­tur­ais, históri­c­as, ecológ­i­cas, espir­i­tu­ais e políti­cas vivi­das pelas pop­u­lações indí­ge­nas, obri­gadas a viv­er sob o mal­fada­do Con­tex­to Urbano, corolário per­ver­so e crim­i­noso da invasão européia oci­den­tal ini­ci­a­da entre 1492 e 1500 – pop­u­lações essas das quais faze­mos parte.

Per­ante as nos­sas condições de existên­cia, ao apaga­men­to, ao silen­ci­a­men­to, invis­i­bil­i­dade, racis­mo e geno-etnocí­dio a que fomos e ain­da somos per­ma­nen­te­mente sub­meti­dos, inclu­sive em face da divisão arti­fi­ciosa­mente cri­a­da e per­pet­u­a­da pelos col­o­nizadores entre nós indí­ge­nas, seme­an­do pre­con­ceitos racis­tas que não se sus­ten­tam face às nos­sas Cos­mogo­nias e Cos­mop­er­cepções de mun­do, mas que per­me­iam e alcançam, tais divisões, ao inte­ri­or das aldeias, em comu­nidades, nas flo­restas restantes, nós, em Con­tex­to Urbano, resis­ti­mos cer­ca­dos e siti­a­dos pelo asfal­to e o con­cre­to das grandes e peque­nas cidades erguidas sobre o solo de nos­sas aldeias inva­di­das e devastadas.

É em face a tudo isso, sen­síveis à força e à luz dos nos­sos Encan­ta­dos, que nos dizem: “Avancem! Avancem!”.

Ante à nos­sa ances­tral­i­dade e a história de nos­sas lutas e resistên­cias a este cru­el e bru­tal proces­so de col­o­niza­ção, surge, então, a neces­si­dade imper­a­ti­va de nos jun­tar­mos e nos orga­ni­zarmos ain­da mais, todos nós indí­ge­nas, para anal­is­ar­mos o con­jun­to políti­co e históri­co de nos­sa real­i­dade vivi­da, com­preen­der­mos quem somos, definin­do clara­mente o que quer­e­mos e nos orga­ni­zarmos para a luta de lib­er­tação de nos­sos cor­pos indí­ge­nas, nos­sas espir­i­tu­al­i­dades e ances­tral­i­dades, e ain­da pela expul­são do colono-cap­i­tal­ista de nos­sas ter­ras, de nos­so ter­ritório sagra­do ancestral.

Por tudo isso, pre­cisamos nos posi­cionar diante da história e da atu­al con­jun­tu­ra em que nos encon­tramos, dizen­do aos nos­sos povos, à sociedade colo­nial de ocu­pação, ao esta­do colo­nial brasileiro e ao novo gov­er­no que se ini­cia, quais são as nos­sas deman­das, pro­postas, reivin­di­cações, neces­si­dades, e, em resumo, o que bus­camos, o que queremos.

Esta car­ta visa apre­sen­tar, sobre­tu­do aos nos­sos povos indí­ge­nas, assim como, ao novo gov­er­no que se con­sti­tui como força antifascista e se declara favoráv­el aos Povos Orig­inários, as nos­sas posições políti­cas e planos de luta, para recon­hec­i­men­to e val­i­dação, por nós mes­mos e pelo con­jun­to da sociedade envol­vente, de nos­sa existên­cia nas cidades, a lib­er­tação de PINDORAMA, e de todo o continente.

 

2- Nhande ‘Anga nhe’eng

Ao lon­go dos últi­mos qua­tro anos sofre­mos ataques de todas as partes, violan­do sis­tem­ati­ca­mente os nos­sos dire­itos garan­ti­dos pela Con­sti­tu­ição de 1988 e rat­i­fi­ca­dos pela Con­venção 169 da OIT.

Por inér­cia dos gov­er­nos ante­ri­ores vimos nos­so dire­ito impre­scritív­el aos ter­ritórios ances­trais sendo dev­as­ta­do e arrasa­do por grandes con­glom­er­a­dos, pecuar­is­tas, latifundiários/agronegocistas, min­er­ado­ras, garimpeiros e madeireiros, entre out­ros gru­pos saque­adores, des­de o pau brasil até o nióbio, des­de 1500 até os dias de hoje, sob o olhar conivente e con­de­scen­dente de grande parte da ban­ca­da congressista.

Tive­mos nos­sas flo­restas queimadas numa veloci­dade impres­sio­n­ante, dados que podem ser ver­i­fi­ca­dos pelos satélites do INPE. E tive­mos mais: a FUNAI, órgão que dev­e­ria garan­tir nos­sos  dire­itos, pas­san­do a emi­tir pare­ceres tec­nicis­tas fraud­u­len­tos para cercear o dire­ito fun­da­men­tal ao recon­hec­i­men­to étni­co e omis­sos em pro­te­ger os ter­ritórios já demar­ca­dos e homolo­ga­dos, pre­var­i­can­do e par­al­isan­do todos os proces­sos de demar­cação em curso.

Se não respeitam ou dis­torcem as leg­is­lações, garan­ti­re­mos nos­so dire­ito inalienáv­el e incon­teste através da luta pela preser­vação e manutenção dos territórios.

Mais ain­da, acred­i­ta­mos que podemos alcançar a paz dos dire­itos recon­heci­dos e aten­di­dos por meio do diál­o­go com o novo gov­er­no que se inicia.

Até ago­ra, o que temos vis­to é o esta­do se negan­do a pro­te­ger a saúde dos indí­ge­nas em con­tex­to urbano, além de ten­ta­ti­vas de aprovar o Mar­co Tem­po­ral, a PL 490 e a flex­i­bi­liza­ção dos critérios de licen­ci­a­men­to ambi­en­tal no âmbito e no entorno das cidades e unidades de conservação.

Assis­ti­mos nos­sos povos mor­rerem pela COVID-19 (doença do coro­n­avírus) por omis­são de estru­turas lig­adas à saúde públi­ca, e à sone­gação de vaci­nas; tive­mos o dire­ito à água potáv­el nega­do assim como de out­ras políti­cas públi­cas essen­ci­ais à garan­tia da vida. Ações orquestradas com a final­i­dade sec­u­lar de nos exter­mi­nar como povos orig­inários e tomar nos­sas matas e ter­ritórios, de modo a eternizar o saque­io das riquezas de nos­sas ter­ras, de nos­so con­ti­nente Pindoramasu/Abya Yala (Améri­c­as).

Tudo isso é parte dessa escal­a­da de vio­lên­cia e de graves atro­pe­los aos dire­itos humanos con­tem­pla­dos, inclu­sive, em leg­is­lações inter­na­cionais das quais o esta­do brasileiro é signatário.

Uma guer­ra que nun­ca ter­mi­nou e que nos diz­ima físi­ca, cul­tur­al e espir­i­tual­mente há 522 anos.

Nos­sa ances­tral­i­dade nos chama para luta e, em todas as cidades, indí­ge­nas das mais diver­sas raízes orig­inárias de Pin­do­ra­maí se lev­an­tam e se recon­hecem como parte dess­es povos que lutam para defend­er out­ras pos­si­bil­i­dades de mun­dos, de sociedades, de out­ras econo­mias, out­ras for­mas de ser, de estar e de coex­i­s­tir no mundo.

Acor­da­dos e vig­i­lantes traze­mos nos­sos cor­pos, nos­sa ‘anga, nos­sa nhe’eng, nos­sas vozes e ances­tral­i­dades para reivin­dicar políti­cas públi­cas que nos con­tem­plem em todos os con­tex­tos e especi­fi­ca­mente nos vis­i­bi­lizem no con­tex­to das cidades, onde fomos obri­ga­dos a viv­er, como resul­ta­do dire­to da invasão e da col­o­niza­ção descritas anteriormente.

Os atu­ais lev­an­ta­men­tos do Cen­so 2022, ain­da com resul­ta­dos par­ci­ais, já apon­tam para um aumen­to das pop­u­lações indí­ge­nas no ger­al e para a sua pre­dom­inân­cia e con­cen­tração nas zonas urbanas.

Se o Esta­do e as orga­ni­za­ções da sociedade colo­nial nos descon­hecem, nós nos ergue­mos e ergue­mos as nos­sas vozes para nos apre­sen­tar como Movi­men­to Livre e Pop­u­lar dos Indí­ge­nas em Con­tex­to Urbano, que pen­sa pro­postas para políti­cas públi­cas e auto-afir­ma­ti­vas para nos­sos povos.

Nós, indí­ge­nas que vive­mos no famiger­a­do con­tex­to urbano, ter­ra des­flo­resta­da e enve­ne­na­da, ambi­en­tal­mente des­or­ga­ni­za­da pela ganân­cia do homem euro col­o­nizador, expres­samos com veemên­cia nos­so anseio de que as cidades se tornem, out­ra vez, comu­nidades e ter­ritórios acol­he­do­res às nos­sas bio­di­ver­si­dade nat­u­rais, às nos­sas diver­si­dades cul­tur­ais, espir­i­tu­ais e ances­trais, real­izan­do a par­tir de políti­cas públi­cas sérias e ver­dadeira­mente com­pro­meti­das com os Povos Orig­inários de Pin­do­ra­maí; políti­cas essas traçadas a par­tir do diál­o­go amp­lo e cole­ti­vo, envol­ven­do as bases das pop­u­lações indí­ge­nas, nas aldeias, nos cam­pos e nas cidades.

Bem como as per­son­al­i­dades indí­ge­nas que irão nos rep­re­sen­tar em Brasília a par­tir da fun­dação do Min­istério dos Povos Orig­inários, assim como, de maneira ger­al, con­gres­sis­tas e legisladores.

As trans­for­mações ambi­en­tais (no social e no nat­ur­al) necessárias à recon­sti­tu­ição de nos­sas teias da vida, nos­sas flo­restas, nos­sos rios, nos­sos ter­ritórios e nos­sas comu­nidades e aldeias.

3- Apre­sen­tação de pro­postas e reivindicações

Nhan­dereko

Des­de a invasão, vimos nos­sa sobera­nia e dire­itos de povos Orig­inários serem vio­len­ta­dos um a um.

A cada avanço dos inva­sores por nos­so ter­ritório aden­tro, ano a ano, déca­da a déca­da, sécu­lo a sécu­lo, pela crim­i­nosa e per­ver­sa ação de ban­deirantes e out­ros explo­radores fomos sendo feitos escravos, cate­quiza­dos pelos jesuí­tas e out­ros reli­giosos, ten­do as nos­sas aldeias, ter­ritórios e cul­turas dev­as­ta­dos pela ganân­cia do lucro trazi­da pelo homem bran­co, que veio da Europa.

 

Nhan­dereko (nhande katu rekó)

Um out­ro exem­p­lo de ataque aos povos indí­ge­nas: A par­tir dos Diretórios Índios de 1755, impos­to pelo Mar­quês de Pom­bal, como parte do proces­so in con­tin­u­um ini­ci­a­do em 1500, vimos nos­sa sobera­nia e dire­itos de Povos Orig­inários serem vio­len­ta­dos um a um, perdemos nos­so dire­ito às lín­guas nati­vas, nos­sa tradi­cional e cole­ti­va for­ma de nos orga­ni­zarmos, nos­sos nomes orig­inários, nos­sas espir­i­tu­al­i­dades e per­tenci­men­tos étni­cos proibidos. E sem­pre enfrenta­mos esse mas­sacre por meio da nos­sa des­obe­diên­cia e resistên­cia sig­nifi­ca­va à morte.

Colo­ca­dos no não-lugar do par­do ou assim­i­la­dos na cul­tura do inva­sor como bran­cos ou pre­tos, fomos invis­i­bi­liza­dos nas mul­ti­dões das cidades e suas per­ife­rias, e, ao perder a iden­ti­dade de povos indí­ge­nas, tam­bém nos roubaram nos­sos direitos.

Nhan­dereko (nhande katu rekó). Bem viv­er. Eis o que bus­camos recu­per­ar para todos os nossos

povos!

E durante todos estes sécu­los temos exis­ti­do, resis­ti­do e luta­do pela retoma­da de nos­so ter­ritório de Pin­do­ra­ma­su, tam­bém denom­i­na­do Abya Yala, e por nos­sos dire­itos originários.

Por todas essas nos­sas lutas, con­quis­ta­mos algu­mas vitórias par­ci­ais. Uma delas foi inserir na Con­sti­tu­ição de 1988 algu­mas garan­tias para os nos­sos povos.

Ago­ra, a atu­al Con­sti­tu­ição do Esta­do Colo­nial Brasileiro nos garante algu­mas das nos­sas reivin­di­cações. Mas muitas delas, ape­sar de con­star na con­sti­tu­ição e nas leis, não são cumpri­das pelos gov­er­nos e órgãos, como a Funai e a Sesai. Não nos adi­anta promes­sas de que irão, ago­ra, nos aten­der. Quer­e­mos ver as ati­tudes do novo gov­er­no e da sociedade colo­nial brasileira daqui para a frente. Por isso esta­mos nova­mente nos lev­an­tan­do e recon­hecen­do, e res­gatan­do nos­sa iden­ti­dade etni­co-racial. Exigi­mos a reparação de nos­sos dire­itos ao nhan­dereko, ao bem viv­er ances­tral que resiste e ain­da existe em nós.

 

🌱 A) Bem-viv­er e Autodeclaração

Devolução, reparação históri­ca, recom­posição e restau­ração de nos­sos territórios.

- Respeito à autode­ter­mi­nação e à autode­clar­ação como princí­pio fun­da­men­tal do dire­ito indígena.

- Cadas­tra­men­to de recon­hec­i­men­to étni­co obri­gatório em todos os municípios.

- Inclusão obri­gatória nos reg­istros car­to­ri­ais ofi­ci­ais de nos­sos nomes e etnias.

 

🌱 B) Bem-Viv­er e Saúde

- Sis­tema de saúde indí­ge­na nas áreas urbanas assim como nas aldeias, com ver­bas próprias e sufi­cientes, des­de a saúde pre­ven­ti­va e a atenção bási­ca até a média e alta com­plex­i­dade, com a con­strução de hos­pi­tais e cen­tros de saúde ade­qua­dos para asse­gu­rar a deman­da de toda a pop­u­lação indí­ge­na, nas cidades, regiões de flo­restas, aldeias e zonas rurais.

- Garan­tia de inclusão neste sis­tema de indí­ge­nas como gestores, profis­sion­ais de saúde dos níveis téc­ni­co e supe­ri­or, com inves­ti­men­tos em formação.

- Garan­tia de que as med­i­c­i­nas orig­inárias e tradi­cionais dos povos indí­ge­nas e seus espe­cial­is­tas ten­ham livre aces­so aos hos­pi­tais, pos­tos e cen­tros de saúde para exercerem as suas curas em pé de igual­dade com médi­cos, ter­apeu­tas e trata­men­tos não indígenas.

- Políti­cas e ver­bas próprias para os indí­ge­nas com defi­ciên­cia e os por­ta­dores de neces­si­dades específicas.

 

🌱 C) Bem-viv­er e Edu­cação Decolonial/Contracolonial

- Insti­tu­ição de esco­las de lín­guas nati­vas orig­inárias, bilíngues e mul­ti­língues nas cidades, áreas urbanas, rurais e aldeias, em todos os níveis e modal­i­dades de ensi­no: da pré-esco­la até a pós grad­u­ação, com ver­bas próprias inseri­das no orça­men­to da União, esta­dos e municípios.

- Res­gate de nos­sa história, habeas data de nos­sas doc­u­men­tações, artefatos e lín­guas por meio de inves­ti­men­to dire­to do esta­do em esco­las, nos cen­tros urbanos, com ensi­no de lín­guas nati­vas min­istradas por pro­fes­sores indígenas.*

 

🌱 D) Bem-viv­er, Cul­tura e Espiritualidade

- Reparação de nos­sas espir­i­tu­al­i­dades com a con­strução de cen­tros de pesquisa e doc­u­men­tação, cul­tura e espir­i­tu­al­i­dade indí­ge­nas em todos os municí­pios, com deter­mi­nação de ver­bas para fomen­to e divul­gação de nos­sas culturas.

 

🌱 E) Bem-viv­er, Esta­do Plurinacional/Pluriétnico e Território

- Poder Pop­u­lar Indí­ge­na: Orga­ni­za­ção de estru­turas de auto­gestão ofi­cial baseadas nas tec­nolo­gias políti­cas orig­inárias de Pin­do­ra­maí. Recon­hecer nos­sas práti­cas ances­trais das assem­bleias den­tro das aldeias, em con­jun­to com aldeias, das etnias e nações, repli­can­do isso para as cidades, ter­ritórios estad­u­ais e para todo o ter­ritório nacional, onde as pop­u­lações estu­dem, debatam e deci­dam, por meio de plebisc­i­tos, ref­er­en­dos e con­sul­tas pop­u­lares, não ape­nas sobre apli­cação de parce­las do orça­men­to, mas sobre todo o orça­men­to, sobre leis e políti­cas públi­cas de esta­do, nas diver­sas áreas: econo­mia, cul­tura, edu­cação, saúde, meio ambi­ente (que per­pas­sa todas as áreas), etc.

- Insti­tu­ição do Con­gres­so Nacional Indí­ge­na Pluriét­ni­co Per­ma­nente (CONIPP), como fórum per­ma­nente de reper­cussão e ampli­fi­cação nacional, por todo o ter­ritório de Pin­do­ra­ma, das deman­das, pro­postas, reivin­di­cações e neces­si­dades das pop­u­lações indí­ge­nas das cidades, das aldeias e das zonas rurais, em artic­u­lação com o Sis­tema de Poder Pop­u­lar Indí­ge­na (SIPOPI).

- Insti­tu­ição, por emen­da con­sti­tu­cional, crian­do e ofi­cial­izan­do as Forças Reg­u­lares de Autode­fe­sa dos Povos Indí­ge­nas (FORAPI).

- Garan­tir e pro­mover o debate e o encam­in­hamen­to sobre Esta­do e Sociedade Pluri­na­cionais e Pluriétnicos.

- Recon­hec­i­men­to ter­ri­to­r­i­al de todas as unidades de con­ser­vação do ter­ritório nacional como Ter­ritórios Indí­ge­nas (T.Is), tor­nan­do obri­gatória a con­sul­ta aos povos orig­inários aos quais os ter­ritórios per­tencem ances­tral­mente e impre­s­critivel­mente, sobre seu mane­jo e utilização.

 

4 — Resti­tuir, recom­por e reparar

Acred­i­ta­mos que o con­ceito de Ter­ritório for­mu­la­do con­sti­tu­cional­mente como porções de ter­ras sem autono­mia e/ou autode­ter­mi­nação sober­ana dos povos orig­inários, deva ser sub­meti­do a uma análise exaus­ti­va para exi­gir de parte do Esta­do Brasileiro o recon­hec­i­men­to destes difer­entes ter­ritórios como ter­ritórios indí­ge­nas, res­gatan­do inclu­sive, suas nomen­clat­uras originárias.

Na Res­olução 1/2 da ONU de 29 de jun­ho de 2006, aprova­da na 107ª Sessão Plenária em 13 de setem­bro de 2007 diz-se:

“pará­grafo VI: Pre­ocu­pa­da (a Plenária) com o fato de os povos indí­ge­nas terem sofri­do injustiças históri­c­as como resul­ta­do, entre out­ras coisas, da col­o­niza­ção e da sub­tração de suas ter­ras, ter­ritórios e recur­sos, o que lhes tem impe­di­do de exercer, em espe­cial, seu dire­ito ao desen­volvi­men­to, em con­formi­dade com suas próprias neces­si­dades e inter­ess­es.

A par­tir desse pres­su­pos­to é prováv­el a com­preen­são de que a resti­tu­ição ter­ri­to­r­i­al pro­move redis­cu­tir as cat­e­go­rias de ter­ra, ter­ritório e ter­ri­to­ri­al­i­dade, his­tori­ca­mente nomen­clat­uras usurpadas medi­ante mecan­is­mos legais que sub­jazem aos fun­da­men­tos teológi­co-políti­cos fun­dantes na cri­stan­dade oci­den­tal, prin­ci­pal­mente de Roma e logo, mais tarde, sis­tem­ati­za­dos pela éti­ca protes­tante. Com isso, acabaram por dester­ri­to­ri­alizar os povos orig­inários que já moravam em Pin­do­ra­ma, crian­do mecan­is­mos basea­d­os no dire­ito pos­i­ti­vo para con­sol­i­dar o pat­ri­mo­ni­al­is­mo e o

pro­pri­etaris­mo exis­tente até os dias atuais.

O pará­grafo 10 da Res­olução  da ONU sobre a Declar­ação das Nações Unidas sobre Dire­ito dos Povos Orig­inários esta­b­elece que:

Con­ven­ci­da de que o con­t­role, pelos povos indí­ge­nas, dos acon­tec­i­men­tos que os afe­tam e as suas ter­ras, ter­ritórios e recur­sos lhes per­mi­tirá man­ter e reforçar suas insti­tu­ições, cul­turas e tradições e pro­mover seu desen­volvi­men­to de acor­do com suas aspi­rações e neces­si­dades.

É a par­tir desse pos­tu­la­do que podemos pen­sar em recom­posição das comu­nidades como o espíri­to de justiça-jus­ta para que os difer­entes povos e nações orig­inárias pos­sam viv­er segun­do as dire­trizes que sejam con­for­madas “de” e “para” os povos orig­inários em matéria de hábitos cul­tur­ais, med­i­c­i­nais e tri­bunais, de per­tenci­men­to e de legit­im­i­dade do Esta­do Brasileiro em face a uma aber­tu­ra de diál­o­go acer­ca do Esta­do Pluri­na­cional e Pluriét­ni­co medi­ante pro­to­co­lo de con­sul­ta dos povos orig­inários para emen­da con­sti­tu­cional. Fato é que, com os seus ter­ritórios devolvi­dos, é pos­sív­el avançar no leque da reparação históri­ca que se ini­cia com a devo­lu­ta de ter­ras e ter­ritórios nos quais as difer­entes etnias e nações, pos­sam esta­b­ele­cer seu poder de man­do den­tro da circunscrição.

Exem­p­lo de resti­tu­ição ter­ri­to­r­i­al (aqui ape­nas como exem­p­lo grá­fi­co) é a des­ig­nação do ter­ritório atual­mente dom­i­na­do pelo Esta­do Chileno onde os povos Mapuch­es de Wallma­pu habitam e rede­finem seus ter­ritórios medi­ante e com o aval da jurisprudên­cia daque­le Esta­do-Nação, como “rewe” (ter­ritório ances­tral) e “lof” (comu­nidade orig­inária).

Dá-se iní­cio ao proces­so de reivin­di­cação e devo­lu­ta de ter­ras usurpadas pelo col­o­nizador e cristal­iza­da medi­ante decre­to no final do Sécu­lo XIX, algo sim­i­lar com a denom­i­na­da “Lei de Repar­tição de Ter­ras” no Brasil de 1850, igual­mente, ao ressarci­men­to de parte do Esta­do (a exem­p­lo do Canadá) ou ao dire­ito de obter parte dos trib­u­tos nacionais (a exem­p­lo da Aus­trália) para que as difer­entes comu­nidades pos­sam se desen­volver de for­ma autôno­ma e emancipatória.

O Art 1º da cita­da  Declar­ação da ONU deixa a olho nu a importân­cia de que a resti­tu­ição ter­ri­to­r­i­al ven­ha acom­pan­ha­da com a recom­posição das comu­nidades emb­o­ra, em con­tex­tos diver­si­fi­ca­dos (urbano, rur­al, flo­res­ta e out­ros) a fim de se con­sti­tuírem legit­i­ma­mente como povos com dire­ito a estarem den­tro de suas ter­ras e ter­ritórios, afir­man­do nos arti­gos pos­te­ri­ores, a obri­gação do Esta­do (neste caso) Brasileiro de pro­mover, pro­te­ger e amparar os povos indí­ge­nas segun­do suas próprias leis e da qual o Esta­do Nacional não deve inter­vir ou ter algum tipo de ingerên­cia. Isto ape­nas remon­tan­do os Dire­itos dos Povos Orig­inários do qual o Brasil é signatário.

Se con­sid­er­ar­mos os Arti­gos 231 e 232 da Con­sti­tu­ição Fed­er­al do Esta­do Brasileiro, vê-se na mes­ma a pre­mis­sa fun­dante dos dire­itos indí­ge­nas sobre as nos­sas ter­ras tradicionais.

Em par­tic­u­lar, para os indí­ge­nas situ­a­dos em zonas urbanas, face aos mas­sacres e as dester­ri­to­ri­al­iza­ções, tornar-se-ia mais gri­tante a urgente neces­si­dade de devolução e restau­ração de nos­sas ter­ras, aldeias, comu­nidades e ter­ritórios orig­inários, usurpa­dos pelo proces­so col­o­niza­tório ou a recon­hecer den­tro das zonas urbanas, ter­ritórios nos quais este­jam povos orig­inários de diver­sas nações e etnias viven­do e coex­istin­do sem detri­men­to de suas lín­guas, hábitos cul­tur­ais e espirituais.

 

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Dis­pos­i­tivos Normativos

Con­sti­tu­ição Fed­er­al Capí­tu­lo VIII — DOS ÍNDIOS (ARTS. 231 E 232)

Tex­to do Capí­tu­lo Art. 231: “São recon­heci­dos aos índios sua orga­ni­za­ção social, cos­tumes, lín­guas, crenças e tradições, e os dire­itos orig­inários sobre as ter­ras que tradi­cional­mente ocu­pam, com­petindo à União demar­cá-las, pro­te­ger e faz­er respeitar todos os seus bens.”

· Decre­to nº 1141, de 19.5.1994, que dis­põe sobre as ações de pro­teção ambi­en­tal, saúde e apoio às ativi­dades pro­du­ti­vas para as comu­nidades indígenas.

· Lei nº 6001, de 19.12.1973, que dis­põe sobre o Estatu­to do Índio.

· Decre­to nº 564, de 8.6.1992, que apro­va o Estatu­to da Fun­dação Nacional do Índio (Funai) e dá out­ras providências.

· Decre­to nº 3156, de 27.8.1999, que dis­põe sobre as condições para a prestação de assistên­cia saúde dos povos indí­ge­nas no âmbito do Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS), pelo Min­istério da Saúde, altera dis­pos­i­tivos dos Decre­tos nºs 564, de 8 de jun­ho de 1992 e 1141, de 19 de maio de 1994, e dá out­ras providências.

§ 1º — São ter­ras tradi­cional­mente ocu­padas pelos índios as por eles habitadas em caráter per­ma­nente, as uti­lizadas para suas ativi­dades pro­du­ti­vas, as impre­scindíveis à preser­vação dos recur­sos ambi­en­tais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua repro­dução físi­ca e cul­tur­al, segun­do seus usos, cos­tumes e tradições.

§ 2º — As ter­ras tradi­cional­mente ocu­padas pelos índios des­ti­nam-se a sua posse per­ma­nente, caben­do-lhes o usufru­to exclu­si­vo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.

§ 3º — O aproveita­men­to dos recur­sos hídri­cos, incluí­dos os poten­ci­ais energéti­cos, a pesquisa e a lavra das riquezas min­erais em ter­ras indí­ge­nas só podem ser efe­ti­va­dos com autor­iza­ção do Con­gres­so Nacional, ouvi­das as comu­nidades afe­tadas, fican­do-lhes asse­gu­ra­da par­tic­i­pação nos resul­ta­dos da lavra, na for­ma da lei.

§ 4º — As ter­ras de que tra­ta este arti­go são inalienáveis e indisponíveis, e os dire­itos sobre elas, impre­scritíveis.

§ 5º — É veda­da a remoção dos gru­pos indí­ge­nas de suas ter­ras, sal­vo, ad ref­er­en­dum do Con­gres­so Nacional, em caso de catástrofe ou epi­demia que pon­ha em risco sua pop­u­lação, ou no inter­esse da sobera­nia do País, após delib­er­ação do Con­gres­so Nacional, garan­ti­do, em qual­quer hipótese, o retorno ime­di­a­to logo que cesse o risco.

§ 6º — São nulos e extin­tos, não pro­duzin­do efeitos jurídi­cos, os atos que ten­ham por obje­to a ocu­pação, o domínio e a posse das ter­ras a que se ref­ere este arti­go, ou a explo­ração das riquezas nat­u­rais do solo, dos rios e dos lagos nelas exis­tentes, ressal­va­do rel­e­vante inter­esse públi­co da União, segun­do o que dis­puser lei com­ple­men­tar, não geran­do a nul­i­dade e a extinção dire­ito a  ind­eniza­ção ou a ações con­tra a União, sal­vo, na for­ma da lei, quan­to às ben­feito­rias derivadas da ocu­pação de boa-fé.

§ 7º — Não se apli­ca às ter­ras indí­ge­nas o dis­pos­to no art. 174, §§ 3º e 4º.

Do tex­to do Capí­tu­lo Art. 232 extrai-se que os índios, suas comu­nidades e orga­ni­za­ções são partes legí­ti­mas para ingres­sar em juí­zo em defe­sa de seus dire­itos e inter­ess­es, inter­vin­do o Min­istério Públi­co em todos os atos do processo.”

Constituinte da Terra e Era dos Deveres e Responsabilidades

Constituinte da Terra e Era dos Deveres e Responsabilidades

No dia 9 de Novem­bro de 2022, a par­tir das 14 horas, no fuso horário ital­iano, ou 10 horas, no brasileiro, a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, a Uni­ver­si­dade de Cameri­no e a Cát­e­dra Unesco terão a hon­ra de pres­en­ciar e difundir o debate sobre o Tema da Con­sti­tu­ição da Ter­ra e da Era dos Deveres e Responsabilidades.

O Tema será trata­do em Sessão espe­cial do III Con­gres­so da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito e da IX Jor­na­da Inter­na­cional da Cát­e­dra Unesco Dire­itos Humanos Vio­lên­cia Gov­er­no Gov­er­nança.

Terá a a impor­tante pre­sença dos Juris­tas Pro­fes­sor Lui­gi Fer­ra­joli, Min­istro Javier Miran­da, MIn­istro Tar­so Gen­ro e Pro­fes­sor Alfre­do Attié.

Con­sti­tu­ição da Ter­ra” é fun­da­men­tal con­tribuição de Lui­gi Fer­ra­joli, no sen­ti­do de refun­dar a orga­ni­za­ção inter­na­cional do dire­ito, por meio de uma con­sti­tu­inte da Terra.

Era dos Deveres e Respon­s­abil­i­dades é impor­tante con­tribuição de Alfre­do Attié para a com­preen­são do tem­po pre­sente e encam­in­har uma pro­pos­ta de ren­o­vação das insti­tu­ições, pen­sa­men­to e práti­ca do dire­ito e da políti­ca para a super­ação de seus impasses.

Javier Miran­da  é  Dire­tor de Dire­itos Humanos do Cen­tro Lati­no-Amer­i­cano de Econo­mia Humana, foi Min­istro de Dire­itos Humanos do Uruguai e Pres­i­dente da Frente Ampla.

Tar­so Gen­ro foi Min­istro da Edu­cação e da Justiça do Brasil, Gov­er­nador do Esta­do do Rio Grande do Sul e Prefeito da Cidade de Por­to Ale­gre, é Pres­i­dente de Hon­ra do Insti­tu­to Novos Par­a­dig­mas, orga­ni­zou a Con­fer­ên­cia Lati­no-Amer­i­cana, que con­tou com a par­tic­i­pação não ape­nas de Fer­ra­joli, mas igual­mente de Pepe Muji­ca, ex-Pres­i­dente do Uruguai, Miryam Hazán, do Méx­i­co, Ali­cia Ruiz, da Argenti­na, e Javier Miran­da, do Uruguai, em debate apre­sen­ta­do e coor­de­na­do por San­dra Biten­court, do Brasil.

A Cát­e­dra Unesco Dire­itos Humanos Vio­lên­cia Gov­er­no Gov­er­nança é dirigi­da pela Douto­ra Maria Cristi­na de Cic­co, Pro­fes­so­ra da Uni­ver­sità Degli Stu­di di Cameri­no, foi Pro­fes­so­ra de Dire­ito Pri­va­do da Uni­ver­si­dade de Molise, da Uni­ver­si­dade do Esta­do do Rio de Janeiro e Pro­fes­so­ra Vis­i­tante da Uni­ver­si­dade de São Paulo, Uni­ver­si­dade de Cam­pos e Uni­ver­si­dade de Fortaleza.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito é pre­si­di­da por Alfre­do Attié, Tit­u­lar da Cát­e­dra San Tia­go Dan­tas, jurista, filó­so­fo e escritor. É Mem­bro do Fórum Mundi­al de Dire­ito, Justiça e Desen­volvi­men­to, ten­do sido Mem­bro Obser­vador da Uncitral.

Lui­gi Fer­ra­joli é um dos mais impor­tantes juris­tas con­tem­porâ­neos, autor de vas­ta obra na área do Dire­ito Penal garan­tiste e do Dire­ito Con­sti­tu­cional e da Filosofia do Dire­ito. Foi Juiz esteve lig­a­do ao movi­men­to da mag­i­s­tratu­ra democráti­ca, na Itália, ten­do sido Profes­sor de Filosofia do Dire­ito e Teo­ria Ger­al do Dire­ito na Uni­ver­si­dade de Cameri­no, da qual foi Dire­tor da Fac­ul­dade de Dire­ito, insti­tu­ição com a qual a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito real­iza parce­ria impor­tante, onde tam­bém lecio­nou Nor­ber­to Bob­bio, Atual­mente, é Pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade de Roma Tre.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, a Uni­ver­si­dade de Cameri­no, a Cát­e­dra Unesco e a Edi­to­ra Tirant Lo Blanch  farão pub­licar os debates, nos Anais do III Con­gres­so da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito e da IX Jor­na­da Inter­na­cional da Cát­e­dra Unesco Dire­itos Humanos Vio­lên­cia Gov­er­no Gov­er­nança.

“Não há Dois Brasis”

“Não há Dois Brasis”

No belo e bril­hante arti­go a seguir, Miguel Reale Jr, Pro­fes­sor Tit­u­lar da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo e Acadêmi­co Eméri­to da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, referindo a expressão empre­ga­da pelo Pres­i­dente Eleito Luis Ina­cio Lula da Sil­va, em seu primeiro dis­cur­so, após a procla­mação do resul­ta­do das eleições e o recon­hec­i­men­to dos Poderes da Repúbli­ca brasileira e da sociedade inter­na­cional, reflete sobre a mis­são con­cil­i­atória a ser real­iza­da pelo novo Pres­i­dente, no sen­ti­do de dotar o Brasil de paz e esta­bil­i­dade esper­adas por seu povo, após o ciclo de infla­mação de ódio lev­a­do a cabo pela extrema-direita.

O Pro­fes­sor Miguel Reale Jr foi o ide­al­izador e coor­de­nador do movi­men­to pelo Esta­do Democráti­co de Dire­ito, que fez ren­o­var a Car­ta aos Brasileiros, em ini­cia­ti­vas da sociedade civ­il e das prin­ci­pais enti­dades brasileiras de rep­re­sen­tação de empresários e trabalhadores.

 

Não há Dois Brasis
Miguel Reale Jr

     No Palá­cio do Alvo­ra­da, durante dois dias Bol­sonaro per­cor­reu corre­dores, solitário, desvaira­do, esperan­do a inter­venção não dos mil­itares, mas dos deuses para con­fir­mar ser ele um mito de pés firmes, que sal­va o país das gar­ras do malé­fi­co. Mas, na ver­dade, Bol­sonaro não pas­sa de um blefe, de um mito de pés de bar­ro, que iludiu quase metade da pop­u­lação, mul­heres e home­ns cré­du­los, ate­moriza­dos hoje, como nos anti­gos tem­pos da guer­ra fria, diante do peri­go do “comu­nis­mo”. Essa ameaça imag­inária ocor­reu, mas há out­ros ingre­di­entes a serem analisados.

 Lula venceu não o Bol­sonaro, gov­er­nante e pes­soa incon­sis­tente, mas o antipetismo. Quais as razões para estar tão encrus­ta­da na sociedade, prin­ci­pal­mente na classe média, B e C, a ojer­iza ao PT? A maior parte dos 57 mil­hões de pes­soas que votaram em Bol­sonaro, não o fiz­er­am por acred­i­tar ter sido ele um bom pres­i­dente, com ideias claras cor­re­ta­mente apre­sen­tadas à nação. Mil­hões de pes­soas não votaram no per­ver­so Bol­sonaro, que defendia a vaci­na só para o Faís­ca, o seu cachor­ro: votaram con­tra o PT.

     Cabe, então, reit­er­ar a per­gun­ta: por que tan­ta rejeição ao PT?

     Em 1.986, em debate com Fran­cis­co Wef­fort, na época secretário ger­al do PT, disse frase depois atribuí­da a Brizo­la, de ser o PT a UDN de macacão. O udenis­mo car­ac­ter­i­zou-se no con­fron­to a Getúlio com forte dis­cur­so éti­co, con­duzi­do por emi­nentes bacharéis, que inte­gravam a chama­da “ban­da de músi­ca”, com­pos­ta por exem­p­lo pelos juris­tas Afon­so Ari­nos, Aliomar Baleeiro, Adau­to Lúcio Car­doso, Pra­do Kel­ly, sob a lid­er­ança do orador Car­los Lac­er­da. Se a UDN tim­bra­va pela ênfase na moral­i­dade, sendo o par­tido dos bacharéis, o PT era o par­tido ori­un­do do sindi­ca­to dos met­alúr­gi­cos de São Bernar­do, que a todos patrul­ha­va e denun­ci­a­va pre­gan­do a éti­ca na políti­ca ao lon­go dos anos 80 e 90.

     Com Lula na presidên­cia em 2.002, hou­ve um bom gov­er­no, sem traz­er qual­quer peri­go de implan­tação do social­is­mo, como hoje se bus­ca ate­morizar os ingên­u­os, mas que cha­fur­dou na cor­rupção, seja no men­salão, seja depois, a par­tir do final do segun­do manda­to de Lula, no petrolão, que as delações e provas téc­ni­cas e doc­u­men­tais não per­mitem des­men­tir. Ocor­reu o que de pior pode suced­er em políti­ca: o recon­hec­i­men­to da traição ao ideário procla­ma­do, ou seja, o par­tido que apre­goa­va a moral­i­dade deixou-se dom­i­nar pela imoral­i­dade. Primeira grande frustração.

     A segun­da grande frus­tração veio no gov­er­no Dil­ma, no qual se des­fez o avanço ocor­ri­do no plano econômi­co e social do gov­er­no Lula, provo­can­do a maior recessão de nos­sa história com per­da da con­fi­ança, dado o falsea­men­to das con­tas públi­cas, e que­da ver­tig­i­nosa do PIB com aumen­to do desem­prego, ao que se somou a omis­são no con­t­role do saque à Petro­brás. A promes­sa de cresci­men­to foi sub­sti­tuí­da pelo  empo­brec­i­men­to nacional. Esta é a segun­da frus­tração, que atingiu em cheio as class­es C e B.

     Mas, infe­liz­mente, estas decepções com o PT fiz­er­am grande parte da pop­u­lação cair no can­to de sereia de um tosco capitão, admi­rador da tor­tu­ra, políti­co sem par­tido e sem pro­postas, que soube se uti­lizar, como pop­ulista, da explo­ração, por via das redes soci­ais, dos ressen­ti­men­tos exis­tentes, incen­ti­van­do a polar­iza­ção e o ódio.

     A sociedade adoe­ceu sob o domínio do dis­cur­so da rai­va e da con­tra­posição a um inimi­go imag­inário, para, sob força hip­nóti­ca, acred­i­tar em men­ti­ras de Bol­sonaro na cam­pan­ha con­tra as insti­tu­ições democráti­cas que pode­ri­am frear suas aven­turas autoritárias. A pop­u­lação, por obra desse feitiço, esque­ceu a desumanidade pres­i­den­cial em face da covid 19 e a cor­rupção na coop­tação do Con­gres­so via orça­men­to secre­to.  A sociedade, revolta­da com a cor­rupção do PT, no entan­to, não se espan­tou com a aquisição de 51 imóveis pelo clã bol­sonar­ista com din­heiro vivo, aneste­si­a­da pela manip­u­lação de seus ressen­ti­men­tos. Mas assim mes­mo, com alívio nos livramos de Bolsonaro.

     Se Lula venceu o antipetismo e em belo dis­cur­so no dia da vitória acen­tu­ou não haver dois Bra­sis, cabe-lhe ago­ra des­faz­er as duas frus­trações aci­ma referi­das, para unir em sua vol­ta todos os brasileiros. Primeira­mente, cumpre insta­lar a práti­ca da moral­i­dade admin­is­tra­ti­va, for­t­ale­cen­do órgãos de con­t­role, com estri­ta e efi­ciente gov­er­nança, dan­do força à Cor­rege­do­ria da União, além de asse­gu­rar não haver man­co­mu­nação do Exec­u­ti­vo com o Min­istério Públi­co Fed­er­al. Em segun­do lugar, cumpre fixar com­pe­tente e téc­ni­ca políti­ca econômi­ca e social, com vis­tas a dar segu­rança aos agentes econômi­cos, bem como recu­per­ar, espe­cial­mente na área da edu­cação, em con­jun­to com Esta­dos e Municí­pios, o ter­reno per­di­do com o desas­troso des­gov­er­no Bolsonaro.

     Impor­tante reesta­b­ele­cer o respeito às insti­tu­ições democráti­cas, como se exigiu em 11 de agos­to, com o lema Esta­do de Dire­ito Sem­pre, o que impli­ca em despoli­ti­zar a Polí­cia Fed­er­al e a Polí­cia Rodoviária Federal.

     Que Lula com sua exper­iên­cia sai­ba, além de gov­ernar, con­cil­iar esta nação con­flagra­da pela dire­i­ta pop­ulista, para regan­har­mos a esta­bil­i­dade e a paz.

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Abertas as inscrições para ouvintes do III Congresso Internacional da Academia Paulista de Direito

Abertas as inscrições para ouvintes do III Congresso Internacional da Academia Paulista de Direito

Ouvintes — III Congresso Internacional da Academia Paulista de Direito

As inscrições para ouvintes do III Con­gres­so Inter­na­cional da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito estão aber­tas. A reser­va da vaga pode ser fei­ta pela platafor­ma Sym­pla, sendo aces­sa­da pelo link: https://www.sympla.com.br/evento-online/iii-congresso-internacional-da-academia-paulista-de-direito/1717865?lang=PT

 


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O Acadêmico e Professor Kiyoshi Harada é homenageado em livro

O Acadêmico e Professor Kiyoshi Harada é homenageado em livro

Em livro orga­ni­za­do por Alber­to Shin­ji Higa, Arthur Bez­er­ra de Souza Jr, Fran­cis­co Pedro Jucá e Eduar­do Jardim, o Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito foi homenageado.

O Pro­fes­sor Kiyoshi Hara­da é  fun­dador do Insti­tu­to Brasileiro de Estu­dos de Dire­ito Admin­is­tra­ti­vo, Finan­ceiro e Trib­utário, e Mem­bro do Con­sel­ho Supe­ri­or de Dire­ito da Fecomér­cio de São Paulo. Ocu­pa a Cadeira Anto­nio de Sam­paio Dória, na APD.

O livro Temas Con­tem­porâ­neos de Dire­ito Públi­co, pub­li­ca­do pela Edi­to­ra Pem­broke Collins, teve o pre­fá­cio escrito pelo Pro­fes­sor Ives Gan­dra da Sil­va Mar­tins, Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, que se referiu a Hara­da como um dos mais “bril­hantes human­istas do país na atu­al­i­dade.

Vis­ite, aqui, a pági­na dos Acadêmi­cos Tit­u­lares da Acad­e­mia Paulista de Direito.

 

Direito e Lusofonia

Direito e Lusofonia

Nel­son Faria de Oliveira, Acadêmi­co da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito foi nomea­do  Mem­bro Hon­orário da Comis­são Espe­cial de Dire­ito Lusó­fono do Con­sel­ho Fed­er­al da Ordem dos Advo­ga­dos do Brasil, no últi­mo dia cin­co de out­ubro, no trigési­mo-quar­to aniver­sário da Con­sti­tu­ição Cidadã brasileira.

O Acadêmi­co é Secretário-Ger­al da Comu­nidade de Juris­tas de Lín­gua Por­tugue­sa — enti­dade que se tem desta­ca­do na real­iza­ção de conexões entre dout­ri­na, práti­ca e agentes dos dire­itos dos País­es lusó­fonos -, for­ma­do em Dire­ito pela Fac­ul­dade de Dire­ito da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca de São Paulo, na tur­ma Sobral Pin­to, em 1984, advo­ga­do inscrito nas Seções de São Paulo e do Rio de Janeiro da OAB, assim como na Ordem dos Advo­ga­dos Por­tugue­ses, sendo Pres­i­dente do Cen­tro Inter­na­cional de Cul­tura, do Con­gres­so Inter­na­cional de Dire­ito, do Con­gres­so Inter­na­cional de Segu­rança,  da Câmara de Comér­cio e Indús­tria Luso-Japone­sa, mem­bro do Con­sel­ho Fis­cal do Drugs for Neglect­ed Dis­eases ini­tia­tive dos Médi­cos Sem Fron­teiras, embaix­ador empre­sar­i­al da Asso­ci­ação Empre­sar­i­al do Rib­ate­jo, Glob­al Good­will Ambas­sador for Por­tu­gal, Dire­tor Jurídi­co do Jor­nal Seg­News, além de Dire­tor Jurídi­co e Assun­tos Inter­na­cionais do Clube Inter­na­cional de Seguros de Transportes.

Nel­son Faria de Oliveira pre­side o VI Con­gres­so Inter­na­cional de Dire­ito, no Tri­bunal da Relação de Lis­boa, em palestra do Desem­bar­gador e Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito Alfre­do Attié. À mesa, o ex-Min­istro da Justiça José Eduar­do Car­do­zo, a ex-Secretária de Justiça Eloísa Arru­da, e o então Dire­tor da Fac­ul­dade de Dire­ito da PUC.SP Pedro Paulo Manus.

 

Professor Norte-Americano lê Manifesto Pró-Democracia, no TUCA

Professor Norte-Americano lê Manifesto Pró-Democracia, no TUCA

No últi­mo dia 22 de setem­bro, foi real­iza­do ato públi­co, no TUCA - Teatro da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca de São Paulo — PUC.SP, pela pas­sagem dos quarenta e cin­co anos da invasão daque­la Uni­ver­si­dade, em 1977, per­pe­tra­da pelas forças mil­itares repres­si­vas da ditadu­ra civil-militar.

TUCA

 

O even­to foi orga­ni­za­do pelo Cur­so de Jor­nal­is­mo e Comu­ni­cações da PUC.SP, ini­ci­a­do pela boni­ta apre­sen­tação artís­ti­ca da Com­pan­hia Mon­jo­lo e do Grupo de Teatro do MST — Movi­men­to dos Tra­bal­hadores Sem Terra.

A seguir, diver­sos oradores e orado­ras lem­braram a trág­i­ca exper­iên­cia da invasão do cam­pus uni­ver­sitário e do teatro, a pre­tex­to de impedir que se real­izasse o ato de reor­ga­ni­za­ção da UNE — União Nacional dos Estu­dantes, enti­dade fecha­da pela ditadu­ra, invasão que ter­mi­nou com a prisão arbi­trária de inúmeros estu­dantes, fun­cionários e pro­fes­sores e a destru­ição de salas e equipa­men­tos uni­ver­sitários, após a práti­ca de vio­lên­cia bru­tal e covarde con­tra os mem­bros da comu­nidade acadêmi­ca. Foram lem­bra­dos, ain­da, estu­dantes e docentes assas­si­na­dos pelos agentes do regime dita­to­r­i­al, assim como os que sofr­eram seque­stro e desapareceram.

Juca Kfouri, sobrin­ho de Nadir G. Kfouri, sím­bo­lo da dig­nidade e da resistên­cia uni­ver­sitária, assis­tente social e Reito­ra da PUC.SP, na época da invasão.

Coube ao impor­tante brasil­ian­ista James Green, Pro­fes­sor da Brown Uni­ver­si­ty, a leitu­ra do Man­i­festo de Sol­i­dariedade Inter­na­cional à Democ­ra­cia Brasileira, fir­ma­do por impor­tantes políti­cos, int­elec­tu­ais e artis­tas que vivem e atu­am em vários País­es estrangeiros, e coor­de­na­do pelo Wash­ing­ton Brazil Office, em apoio à real­iza­ção de eleições livres em nos­so País e pelo respeito incondi­cional ao resul­ta­do das eleições, para evi­tar a efe­ti­vaç­nao de um golpe que, nas palavras de Green, “nun­ca foi tão clara­mente anun­ci­a­do.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito esteve pre­sente no even­to, rep­re­sen­ta­da por seu Pres­i­dente e Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas, Alfre­do Attié. Para Attié, “difer­ente­mente do que ocor­reu com os crimes cometi­dos pelo regime dita­to­r­i­al de 1964/1986, que foram ile­gal­mente anis­ti­a­dos, os crimes lev­a­dos a cabo pelo atu­al regime anti­con­sti­tu­cional não podem deixar de ser inves­ti­ga­dos, com a efe­ti­vação da punição das pes­soas que os per­pe­traram, na for­ma da Con­sti­tu­ição.” Isso, com­ple­tou, ” sob pena de voltarem a ocor­rer  ameaças à con­strução democráti­ca brasileira, como a que ora ass­siti­mos.”

Leia, a seguir, a ínte­gra do Manifesto.

A solidariedade internacional não é uma palavra vazia

Con­vo­cação por eleições livres e respeito pelos resul­ta­dos das urnas no Brasil

Em pou­cas sem­anas, o Brasil terá sua nona eleição pres­i­den­cial des­de o fim da ditadu­ra mil­i­tar e, pela primeira vez des­de 1988, há um grande risco de que o sufrá­gio pop­u­lar não seja ouvi­do e respeitado.

Há vários anos, o pres­i­dente Jair Bol­sonaro plane­ja con­tes­tar sua even­tu­al der­ro­ta ao desa­cred­i­tar o sis­tema eleitoral brasileiro.  Ele acusa os juízes dos tri­bunais supe­ri­ores de serem cor­rup­tos e par­tidários, pre­vê que os votos serão adul­ter­ados, sus­pei­ta que a mídia este­ja a serviço do cam­po adver­sário. Inspi­ra­do na estraté­gia de Don­ald Trump, o pres­i­dente brasileiro mobi­liza seus apoiadores apre­sen­tan­do-se como víti­ma, persegui­do por um estab­lish­ment ven­di­do à esquer­da, e como úni­co sal­vador e reden­tor da nação. Ele demo­niza seus adver­sários e os des­igna como inimi­gos. Ao fazê-lo, prepara seus mil­i­tantes, muitos deles arma­dos, para a vio­lên­cia políti­ca e até para a insurreição.

Essa deri­va não sur­preende em um per­son­agem aber­ta­mente nos­tál­gi­co à ditadu­ra mil­i­tar e cheio de despre­zo pelas insti­tu­ições repub­li­canas, pelo plu­ral­is­mo políti­co e pelo Esta­do de Dire­ito. Mas hoje é como Chefe do Exec­u­ti­vo e Coman­dante-em-Chefe das Forças Armadas que ele pro­nun­cia essas dia­tribes extrem­is­tas, enquan­to qua­tro anos no poder rad­i­calizaram sua base mil­i­tante. Nen­hum golpe de esta­do jamais foi tão anunciado.

A democ­ra­cia no Brasil hoje pre­cisa do apoio e da vig­ilân­cia do mun­do. Que a con­sti­tu­ição e o sufrá­gio pop­u­lar sejam respeita­dos é nos­sa respon­s­abil­i­dade comum.

O des­ti­no de um país de dimen­sões con­ti­nen­tais, com uma pop­u­lação supe­ri­or a 212 mil­hões de habi­tantes, um património ambi­en­tal de importân­cia cru­cial para o futuro do plan­e­ta e um papel pre­pon­der­ante na econo­mia e gov­er­nação mundi­al, é uma questão cujas con­se­quên­cias vão muito além as fron­teiras do Brasil. A solidez da democ­ra­cia brasileira e o respeito ao Esta­do de Dire­ito, aos dire­itos humanos, ao meio ambi­ente, aos dire­itos dos povos indí­ge­nas e de out­ros gru­pos mar­gin­al­iza­dos são questões que dizem respeito a todos e, como tal, são obje­to de nos­sa legí­ti­ma atenção e sol­i­dariedade. A democ­ra­cia deste imen­so país é nos­so bem comum e não podemos per­manecer meros espectadores. 

Chegou a hora de ges­tar um poderoso movi­men­to de sol­i­dariedade inter­na­cional em defe­sa do proces­so democráti­co no Brasil.

É por isso que nós, int­elec­tu­ais, políti­cos, artis­tas, ativis­tas, cidadãos e cidadãs, chamamos a exigir:

  • Que as eleições pres­i­den­ci­ais no Brasil ocor­ram nos ter­mos da Constituição;

  • Que todas as ameaças e vio­lên­cias con­tra os can­didatos e seus apoiadores sejam con­de­nadas e combatidas;

  • Que as insti­tu­ições repub­li­canas sejam man­ti­das em suas atribuições e suas decisões respeitadas;

  • Que as forças armadas não inter­fi­ram no proces­so eleitoral, na apu­ração dos resul­ta­dos ou na trans­mis­são do poder.

A democ­ra­cia é um bem pre­cioso e frágil, do qual todos somos fiadores. Neste ano em que o Brasil comem­o­ra o bicen­tenário de sua inde­pendên­cia, seu desafio históri­co con­tin­ua sendo o de defend­er um país democráti­co, plur­al e inclu­si­vo. A democ­ra­cia brasileira tam­bém é nos­sa e a sol­i­dariedade inter­na­cional não deve ser uma palavra vazia.

Já fir­maram o documento:

Afrânio Gar­cia – pro­fes­sor da Esco­la de Estu­dos Avança­dos em Ciên­cias Soci­ais, Paris, França

Aldo March­esi – pro­fes­sor de História naU­ni­ver­si­dade da Repúbli­ca Argentina

Alexan­der Main – dire­tor de Relações Inter­na­cionais do Cen­tro de Pesquisa Econômi­ca e Políti­ca de Wash­ing­ton, DC, EUA

Ale­jan­dra Ober­ti – pro­fes­so­ra da Uni­ver­si­dade de Buenos Aires, Argentina

Ale­jan­dro Cat­taruz­za – pesquisador do Con­sel­ho Nacional de Pesquisas Cien­tí­fi­cas e Téc­ni­cas (CONICET) da Uni­ver­si­dade de Buenos Aires, Argentina

Amy Chazkel — pro­fes­sor asso­ci­a­do de História Brasileira na Uni­ver­si­dade Colum­bia, EUA

Anne Hidal­go — Prefei­ta de Paris, França

Antho­ny Pereira — dire­tor do Cen­tro de Améri­ca Lati­na e Caribe do Kim­ber­ly Green e pro­fes­sor do Depar­ta­men­to de Políti­ca e Relações Inter­na­cionais da Uni­ver­si­dade de Mia­mi, EUA

Armelle Enders — Uni­ver­si­dade de Paris 8 — Vin­cennes-Saint-Denis, França

Arnaud-Dominique Houte — Depar­ta­men­to de Políti­ca e Relações Inter­na­cionais da Uni­ver­si­dade Sor­bonne, Paris,. França

Bal­tazar Gar­zon — juiz, Espanha

Bar­bara Wein­stein — pro­fes­so­ra de História Brasileira na Uni­ver­si­dade de Nova York, EUA

Bev­er­ly Keene — Diál­o­go 2000-Jubileo Sul, Argentina

Brod­wyn Fis­ch­er — pro­fes­sor de História Brasileira na Uni­ver­si­dade de Chica­go, EUA

Bryan McCann — pro­fes­sor de História Brasileira na Uni­ver­si­dade de George­town, EUA

Camille Chalmers — dire­to­ra do PAPDA, mem­bro do comitê exec­u­ti­vo region­al, Assem­bléia do Povo do Caribe (CER-APC), Uni­ver­si­dade Estatal do Haiti

Christo­pher Dunn — pro­fes­sor de Espan­hol e Por­tuguês e Estu­dos Africanos da Uni­ver­si­dade Tulane, EUA

Clau­dia Dam­a­s­ceno Fon­se­ca — dire­to­ra de Estu­dos Mundi­ais Amer­i­canos da Esco­la de Estu­dos Avança­dos em Ciên­cias Soci­ais, Paris, França

Clau­dio Nash — pro­fes­sor de dire­itos humanos da Uni­ver­si­dade do Chile

Dan­ny Glover — ator e cidadão americano

David Koranyi — pres­i­dente do Con­sel­ho e Dire­tor Exec­u­ti­vo do Action For Democ­ra­cy, EUA

Doudou Diène — rela­tor Espe­cial das Nações Unidas sobre For­mas Con­tem­porâneas de Racis­mo, Dis­crim­i­nação Racial, Xeno­fo­bia e Intol­erân­cia Rela­ciona­da (2002–2008) e advo­ga­do no Senegal

Eduar­do Barce­sat — advo­ga­do con­sti­tu­cional­ista mem­bro do Con­sel­ho do CAF na Argentina

Emilio Cren­zel — pesquisador do Con­sel­ho Nacional de Pesquisas Cien­tí­fi­cas e Téc­ni­cas (CONICET) da Uni­ver­si­dade de Buenos Aires, Argentina

Eric Fassin — sociól­o­go da Uni­ver­si­dade Paris 8, França

Eri­ka Robb Larkins — pres­i­dente da Cát­e­dra de Estu­dos Brasileiros da Uni­ver­si­dade de San Diego, EUA

Ernesto Bohoslavsky — pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade de Gen­er­al Sarmien­to, Argentina

Estela de Car­lot­to — pres­i­dente das Mães da Praça de Maio, Argentina

Eugé­nia Palier­a­ki — pro­fes­so­ra da Uni­ver­si­dade Paris Cer­gy, França

Euge­nio Raul Zaf­fa­roni — ex-min­istro da Corte Supre­ma da Argenti­na, (2003–2014) e, des­de 2015, juiz da Corte Inter­amer­i­cana de Dire­itos Humanos

Eve­lyn N. Farkas, dire­to­ra exec­u­ti­va do McCain Insti­tute e ex-con­sel­heira de segu­rança nacional, EUA

Fed­eri­co Tar­rag­o­ni — pro­fes­sor de soci­olo­gia, dire­tor do Cen­tro de Pesquisa Inter­dis­ci­pli­nar em Políti­ca (CRIPOLIS), Uni­ver­si­dade de Paris — Cité, França

Fran­cis Fukuya­ma, cien­tista políti­co, econ­o­mista políti­co, estu­dioso e escritor de relações inter­na­cionais, EUA

Fran­cis­co Eguig­uren — ex-min­istro da Justiça do Peru; ex-pres­i­dente da Comis­são Inter­amer­i­cana de Dire­itos Humanos

François Calori — pro­fes­sor de Filosofia da Uni­ver­si­dade Rennes 1, França

Gabriela Aguila — pesquisado­ra da Uni­ver­si­dade Nacional de Rosario, Argentina

Gas­pard Estra­da — dire­tor do Cen­tro de Estu­dos Inter­na­cionais, Sci­ences Po, CAF Clus­ter, Paris, França

Georg Wink — dire­tor do Cen­tro de Estu­dos Lati­no-Amer­i­canos (CLAS) da Uni­ver­si­dade de Copen­hagen, Dinamarca

Ger­ar­do Pis­arel­lo — mem­bro adjun­to do Par­la­men­to, primeiro secretário da Câmara dos Dep­uta­dos da Espan­ha, pelo par­tido Podemos

Ger­ar­do Cae­tano — pesquisador do Con­sel­ho Nacional de Pesquisas Cien­tí­fi­cas e Téc­ni­cas (CONICET), Uni­ver­si­dade da Repúbli­ca Argentina

Gilles Batal­lion — dire­tor de Estu­dos da Esco­la de Estu­dos Avança­dos em Ciên­cias Soci­ais, Paris, França

Gladys Mitchell-Walthour — pro­fes­so­ra de Ciên­cia Políti­ca da Uni­ver­si­dade Cen­tral da Car­oli­na do Norte, EUA

Guil­laume Long — ex-min­istro das Relações Exte­ri­ores do Equador e mem­bro do Con­sel­ho do CAF

Gus­ta­vo Sorá — pesquisador do Con­sel­ho Nacional de Pesquisas Cien­tí­fi­cas e Téc­ni­cas (CONICET), Uni­ver­si­dade Nacional de Cór­do­ba, Argentina

Hora­cio Petraglia — Secretário de Dire­itos Humanos, Argentina

Idoia Vil­lanue­va — mem­bro do Par­la­men­to Europeu e secretário Inter­na­cional do Podemos

Comitê Inter­na­cional — Democ­ratas Social­is­tas da América

Ione Bel­lara — min­is­tra dos Dire­itos Soci­ais pelo Podemos, Espanha

James N. Green — pro­fes­sor de História Brasileira na Uni­ver­si­dade Brown, EUA

Jana Sil­ver­man — pesquisado­ra do pós-doutora­do do Cen­tro para os Dire­itos Globais dos Tra­bal­hadores da Penn State University

Jean-Louis Fabi­ani — pro­fes­sor do depar­ta­men­to de Soci­olo­gia e Antropolo­gia da Uni­ver­si­dade da Europa Central

Jean-Luc Mélen­chon — dep­uta­do e fun­dador do Movi­men­to França Insubmissa

Jean-Yves Pranchère — depar­ta­men­to de Ciên­cia Políti­ca da Uni­ver­si­dade Livre de Brux­e­las, Bélgica

Jordán Rodas Andrade — ex-procu­rador-ger­al de Dire­itos Humanos da Guatemala

Juan Car­los Mon­edero — dire­tor da Fun­dação Repúbli­ca e Democ­ra­cia, e mem­bro do Podemos, Espanha

Juan Pablo Bohoslavsky — pesquisador, Con­sel­ho Nacional de Pesquisas Cien­tí­fi­cas e Téc­ni­cas (CONICET), Uni­ver­si­dade Nacional do Rio Negro, Argentina

Juli­ette Dumont — pro­fes­so­ra de História Con­tem­porânea, Insti­tu­to de Estu­dos Avança­dos da Améri­ca Lati­na, Uni­ver­si­dade Sor­bonne Nou­velle Paris 3, França

Keisha-Khan Y. Per­ry — pro­fes­so­ra asso­ci­a­da de Estu­dos Africanos da Uni­ver­si­dade da Pen­sil­vâ­nia, EUA

Kendall Thomas — pro­fes­sor de dire­ito da Esco­la de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de Colum­bia, EUA

Lau­rie Ander­son — com­pos­i­tor, músi­co e dire­tor de cin­e­ma, EUA

Leila Lehnen — pro­fes­so­ra asso­ci­a­da de Estu­dos Brasileiros e Por­tugue­ses na Uni­ver­si­dade Brown, EUA

Lilith Verst­ryn­ge — secretário de Esta­do para a Agen­da 2030, mem­bro do Podemos, Espanha

Luciano Alon­so — pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade Nacional do Litoral, Argentina

Luís Hipól­i­to Alen — pro­fes­sor de Ciên­cias Soci­ais da Uni­ver­si­dade de Buenos Aires e ex-dire­tor da Sec­re­taria de Dire­itos Humanos do Min­istério Nacional da Justiça, Argentina

Luis Ernesto Var­gas — ex-pres­i­dente da Corte Con­sti­tu­cional da Colômbia

Mag­a­li Bessone — pro­fes­so­ra de Filosofia da Pan­theón Sorbonne

Marce­lo Cavarozzi — pro­fes­sor de Ciên­cia Políti­ca na Uni­ver­si­dade San Martín, Argentina

Maria Lucia Pal­lares Burke — pesquisado­ra asso­ci­a­da do Cen­tro de Estu­dos Lati­no-Amer­i­canos da Uni­ver­si­dade de Cam­bridge, Reino Unido

Mar­i­ana Here­dia — pesquisado­ra inde­pen­dente, Argentina

Mari­na Fran­co — pesquisado­ra sênior da Uni­ver­si­dade Nacional de San Martín, Argentina

Maud Chirio — pro­fes­so­ra de História Con­tem­porânea da Uni­ver­si­dade Gus­tave Eif­fel, Paris, França

Michael Löwy — pro­fes­sor eméri­to do CNRS (Cen­tro Nacional de Pesquisa Cien­tí­fi­ca), França

Michel Cahen — pro­fes­sor eméri­to do CNRS (Cen­tro Nacional de Pesquisa Cien­tí­fi­ca), França

Môni­ca Sch­pun — dire­to­ra do jor­nal Brésil(s), Esco­la de Estu­dos Avança­dos em Ciên­cias Soci­ais, Paris, França

Nadia Tahir — pro­fes­so­ra de Estu­dos His­pano-Amer­i­canos na Uni­ver­si­dade de Caen, Nor­man­dia, França

Nico­las Jaoul — antropól­o­go do Insti­tu­to Inter­dis­ci­pli­nar de Insti­tu­tos Soci­ais, Cen­tro Nacional de Pesquisa Cien­tí­fi­ca (CNRS), França

Noam Chom­sky — pro­fes­sor de Lin­guís­ti­ca na Uni­ver­si­dade do Ari­zona, EUA

Nora Corti­nas — Mães da Praça de Maio Lin­ha Fun­dado­ra, Argentina

Olivi­er Com­pagnon — pro­fes­sor de História Con­tem­porânea no Insti­tu­to de Estu­dos Avança­dos da Améri­ca Lati­na, Uni­ver­si­dade Sor­bonne Nou­velle, Paris, França

Pablo Igle­sias — ex-vice-pres­i­dente da Espan­ha, Podemos

Pedro Meira Mon­teiro — pro­fes­sor de Espan­hol e Por­tuguês na Uni­ver­si­dade Prince­ton, EUA

Peter Burke — pro­fes­sor de História na Uni­ver­si­dade de Cam­bridge, Reino Unido

Pierre Sala­ma — mem­bro do par­la­men­to local de Seine-Saint-Den­nis, França

Rafael R. Ioris — pro­fes­sor de Estu­dos Lati­no-amer­i­canos na Uni­ver­si­dade de Den­ver, EUA

Raphaëlle Branche — pro­fes­so­ra de História Con­tem­poânea na Uni­ver­si­dade de Paris, Nan­terre, França

Remo Car­lot­to ‑dDi­re­tor Exec­u­ti­vo do Insti­tu­to de Políti­cas Públi­cas em Dire­itos Humanos do Mercosul

Rena­ta Avi­la — dire­to­ra da Fun­dação Open Knowl­edge e mem­bro do Con­sel­ho Exec­u­ti­vo do CAF na Guatemala

Rober­to Pit­talu­ga — pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade de Buenos Aires, Argentina

Rodol­fo Nin — ex-vice-pres­i­dente e ex-chancel­er do Uruguai

Rodri­go Nabu­co de Araújo — pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade de Reims Cham­pagne-Ardenne, França

Roger Waters — músi­co e com­pos­i­tor, Reino Unido

San­ti­a­go Garaño — pesquisador, Con­sel­ho Nacional de Pesquisas Cien­tí­fi­cas e Téc­ni­cas (CONICET), Uni­ver­si­dade La Pla­ta, Uni­ver­si­dade San Martín, Argentina

Ser­gio Cos­ta — pro­fes­sor do Insti­tu­to Lati­no-amer­i­cano da Uni­ver­si­dade Frei Berlim

Seth Garfield — pro­fes­sor de História Brasileira na Uni­ver­si­dade de Austin Texas, EUA

Sid­ney Chal­houb — pro­fes­sor de História do Brasil e Estu­dos Afro-Amer­i­canos da Uni­ver­si­dade Har­vard, EUA

Sílvia Capane­ma — pro­fes­so­ra Uni­ver­si­dade Sor­bonne, Paris, França

Sophia Beal — pro­fes­so­ra asso­ci­a­da de Por­tuguês na Uni­ver­si­dade de Min­nes­so­ta, EUA

Stan­ley A. Gacek — con­sel­heiro sênior para estraté­gias globais da Unit­ed Food and Com­mer­cial Work­ers Inter­na­tion­al Union (UFCW), EUA

Stéphane Bois­ard — pro­fes­so­ra, FRAMESPA, Nation­al Insti­tute Uni­ver­si­ty, Cham­pol­lion, Uni­ver­si­dade d’Albi, França

Stu­art Schwartz — pro­fes­sor de História Brasileira na Uni­ver­si­dade Yale, EUA

Taty Almei­da — Mães da Praça de Maio Lin­ha Fun­dado­ra, Argentina

Thomas Y Levin — Uni­ver­si­dade Princeton

Véronique Boy­er — dire­to­ra de pesquisa do Cen­tro Nacional de Pesquisa Cien­tí­fi­ca (CNRS), França

Vic­tor Abramovich — ex-dire­tor exec­u­ti­vo do Insti­tu­to de Políti­cas Públi­cas em Dire­itos Humanos do Mer­co­sul; pro­fes­sor da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de Buenos Aires, Argentina

Wag­n­er Moura — ator, dire­tor, cineas­ta, músi­co e ativista

William Bour­don — advo­ga­do, mem­bro da CAF França

Xavier Vigna — pro­fes­sor de História Con­tem­porânea na Uni­ver­si­dade de Paris, Nan­terre, França

 

APD e Cadeira San Tiago Dantas incentivam o voto consciente para o Legislativo

APD e Cadeira San Tiago Dantas incentivam o voto consciente para o Legislativo

Em cam­pan­ha cidadã e não par­tidária, a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito e a Cadeira San Tia­go Dan­tas preparam e divul­gam videos con­ce­bidos para val­orizar e qual­i­ficar o voto de eleitoras e eleitores para o Poder Legislativo.

Assista e divulgue os videos pub­li­ca­dos até aqui e acom­pan­he os próximos.