Marcos Perez e as Perspectivas do Setor de Infraestrutura

Marcos Perez e as Perspectivas do Setor de Infraestrutura

O Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, Pro­fes­sor Asso­ci­a­do da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo e Pres­i­dente da Comis­são de Infraestru­tu­ra da Ordem dos Advo­ga­dos do Brasil, Seção de São Paulo, Mar­cos Augus­to Perez par­ticipou do webi­nar As Per­spec­ti­vas Políti­cas e Econômi­cas para o Setor de Infraestru­tu­ra em 2021, orga­ni­za­do pela OAB., real­iza­do em 22 de fevereiro, em São Paulo.

O webi­nar con­tou ain­da com as par­tic­i­pações de Ricar­do Sennes, mestre e doutor em Ciên­cia Políti­ca pela Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP), dire­tor da Con­sul­to­ria Prospec­ti­va e mem­bro do Atlantic Coun­cil em Wash­ing­ton; e de Gabriel Galípo­lo, CEO do Ban­co Fator, ex-chefe da Asses­so­ria Econômi­ca da Sec­re­taria de Trans­portes Met­ro­pol­i­tanos e ex-dire­tor de Estru­tu­ração de Pro­je­tos da Sec­re­taria de Econo­mia e Plane­ja­men­to do Esta­do de São Paulo. O debate foi medi­a­do pela Secretária-Ger­al da Comis­são de Dire­ito Admin­is­tra­ti­vo da OAB SP, Tama­ra Cukiert.

Neste link, pode-se ouvir o Pro­fes­sor Perez expli­can­do a importân­cia do setor de infraestrutura.

O Déficit Democrático do BNDES

O Déficit Democrático do BNDES

O Déficit Democráti­co do BNDES

Ray­mun­do Magliano Filho

 

“Em meio a tan­tos escân­da­los em nos­so noti­ciário, muitos dos quais rela­ciona­dos ao BNDES, é de con­hec­i­men­to comum que seus inves­ti­men­tos rep­re­sen­tam uma ver­gonha para este país. Essa con­statação, no entan­to, pre­cisa ser obje­to de reflexão. Se a atu­al práti­ca políti­ca em torno do BNDES vem con­tribuin­do para que suas ações sejam cada vez mais ques­tion­adas, a ati­tude diante dis­so pode­ria levar em con­sid­er­ação as causas que levaram à coop­tação políti­ca do ban­co, ques­tio­nan­do então que out­ro cam­in­ho pode­ria ser con­struí­do para que o BNDES pudesse de fato con­tribuir para o desen­volvi­men­to econômi­co e social do país.

Para tan­to seria necessário ques­tionar: para que serve o BNDES? Tradi­cional­mente, ele vem sendo vis­to como um ban­co econômi­co. No entan­to, para respon­der­mos à primeira per­gun­ta é necessário observá-lo como uma insti­tu­ição. Uma vez que o referi­do ban­co seria respon­sáv­el pelo desen­volvi­men­to econômi­co e social do país, como então com­preen­der a artic­u­lação entre BNDES e democ­ra­cia? Esse raciocínio per­mite pre­cis­ar um pouco mais a inda­gação ini­cial, aparan­do as arestas daque­la que parece ser a questão-chave deste livro: qual é, então, a função democráti­ca do BNDES enquan­to insti­tu­ição e como esta con­strução teóri­ca pode ser praticada?

Aqui é pre­ciso, uma vez mais, difer­en­ciar o que se con­sid­era democ­ra­cia daque­les inter­ess­es políti­cos que não são nec­es­sari­a­mente democráti­cos. Assim, por democ­ra­cia entende-se, como dizia Bob­bio, o gov­er­no públi­co em públi­co, isto é, a artic­u­lação pro­du­ti­va entre aces­so, vis­i­bil­i­dade e transparên­cia, fun­da­men­tais para que as insti­tu­ições pos­sam ser a base da con­strução de uma sociedade mais igual­itária. Isso sig­nifi­ca com­preen­der nos­sas insti­tu­ições soci­ais a par­tir dos ideais democráti­cos desta­ca­dos, notada­mente, aque­le ref­er­ente à neces­si­dade de par­tic­i­pação da sociedade civ­il nas insti­tu­ições como for­ma de for­t­alec­i­men­to da democ­ra­cia rep­re­sen­ta­ti­va. A par­tir dessa for­mu­lação, podemos com­preen­der mel­hor a per­gun­ta for­mu­la­da no pará­grafo ante­ri­or: se o BNDES é uma das insti­tu­ições mais impor­tantes para o desen­volvi­men­to econômi­co e social, então deve­mos ques­tionar até que pon­to sua estru­tu­ra está per­me­a­da pelos val­ores de transparên­cia, vis­i­bil­i­dade e acesso.

A respos­ta evi­den­te­mente é: não há atual­mente qual­quer vín­cu­lo democráti­co nas estru­turas do BNDES: em que pese a sociedade civ­il ser a prin­ci­pal fonte de arrecadação do ban­co, ela defin­i­ti­va­mente não é pres­ti­gia­da, pois além de não rece­ber o retorno econômi­co e social prometi­dos, ela encon­tra-se desprovi­da de meios democráti­cos para exercer o con­t­role públi­co sobre a referi­da insti­tu­ição. Se a sociedade civ­il (o con­jun­to de relações entre indi­ví­du­os, gru­pos e class­es soci­ais que se desen­volvem à margem das relações de poder que car­ac­ter­i­zam as insti­tu­ições políti­cas)1 não par­tic­i­pa dos proces­sos delib­er­a­tivos, como saber o que o BNDES real­mente faz? Quais critérios ori­en­tam a seleção de finan­cia­men­to? Quem con­tro­la os controladores?

A solução democráti­ca dessas questões só pode estar no afas­ta­men­to da esfera do seg­re­do que hoje serve como propul­sor das ativi­dades do BNDES, per­mitin­do que essa insti­tu­ição seja inclu­si­va ao garan­tir a dis­cussão e a par­tic­i­pação públi­ca sobre as metas a serem perseguidas, de tal for­ma que a sociedade civ­il pos­sa par­tic­i­par, por exem­p­lo, de seu comitê de orçamento.

É em razão dess­es déficits que parece ser opor­tuno diz­er que esse ban­co vem atuan­do como instru­men­to de poder não democráti­co, como os jor­nais incansavel­mente noti­ci­am. Ora, o BNDES não só não é aber­to à sociedade civ­il, como tam­bém a enlaça e ocul­ta infor­mações ref­er­entes ao endereça­men­to dos recur­sos públi­cos. Ou seja, não há vis­i­bil­i­dade e transparên­cia, muito menos aces­so, o que difi­cul­ta a obser­vação da função democráti­ca dessa insti­tu­ição que pode­ria con­tribuir, como tam­bém dizia Bob­bio,2 para a efe­ti­vação das promes­sas não cumpri­das da democ­ra­cia, notada­mente, aque­la ref­er­ente à vis­i­bil­i­dade do poder. Con­se­quente­mente, o aspec­to de legit­im­i­dade do BNDES parece cada vez mais frag­men­ta­do, e isso porque o ban­co, que pode­ria ter sido capaz de empreen­der uma ver­dadeira rev­olução cul­tur­al dos val­ores, tal como desta­ca­do na primeira parte deste livro, acabou incor­po­ran­do em suas estru­turas o sen­ti­do da col­o­niza­ção ibéri­ca, tor­nan­do-se míope às reivin­di­cações democráti­cas e bus­can­do somente uma pseudo­mod­ern­iza­ção econômi­ca enlaça­da pelo Estado.

No entan­to, isso não sig­nifi­ca que o BNDES atue ile­gal­mente. É razoáv­el supor que suas ações e delib­er­ações são pau­tadas pelo respeito à lei. Mas isso não quer diz­er que essas ações pos­sam ser con­sid­er­adas legí­ti­mas, isto é, que respeit­em os req­ui­si­tos do diál­o­go e aces­so, fun­da­men­tais para o exer­cí­cio democráti­co de uma insti­tu­ição que se vale do din­heiro do contribuinte.

Dito isso, é impor­tante destacar a fal­ta de anális­es sobre as relações entre cresci­men­to econômi­co e desen­volvi­men­to social. O BNDES, em seu dis­cur­so ofi­cial, artic­u­la dois com­po­nentes sem perce­ber que o cresci­men­to econômi­co não leva nec­es­sari­a­mente ao desen­volvi­men­to econômi­co-políti­co-social. Esse é mais um déficit atu­al das anális­es que cos­tumeira­mente são feitas sobre o ban­co. Pode pare­cer nat­ur­al que aque­les que escrevem e dis­cutem sobre o BNDES desen­volvam, sem­pre e cada vez mais, anális­es econômi­cas do tema. Uma enx­ur­ra­da de números, tabelas, grá­fi­cos com­par­a­tivos e todos os mecan­is­mos con­tábeis necessários enfileiram-se pron­tos para ques­tionar que eco­nomi­ca­mente um deter­mi­na­do aspec­to não é viáv­el, que prag­mati­ca­mente os desen­volvi­men­tos anal­isa­dos não são sus­ten­táveis e que, no final da con­ta (que nun­ca fecha), exis­tem mais per­das do que gan­hos. Ou seja: insere-se uma insti­tu­ição social em uma lin­guagem econômi­ca que, longe de con­tribuir para a análise dos diver­sos sig­nifi­ca­dos que o BNDES pode­ria ter, apri­siona a temáti­ca num pro­fun­do eco­nomi­cis­mo. Por isso com­preen­demos a insti­tu­ição des­de uma per­spec­ti­va social, isto é, enquan­to bus­ca pelo con­sen­so acer­ca dos fins e dos critérios insti­tu­cionais através do diál­o­go e da par­tic­i­pação, e não somente como insti­tu­ição for­mal, isto é, abar­ca­da pela legal­i­dade. Daí a pre­ocu­pação con­stante de ques­tionar a legit­im­i­dade da legalidade.

Nesse con­tex­to, é opor­tuno apro­fun­dar aque­la con­statação ini­cial: a atu­al estru­tu­ra políti­co-social desse ban­co faz com que os obje­tivos ofi­ci­ais declar­a­dos de con­tribuir para acel­er­ar o desen­volvi­men­to econômi­co e social sejam trans­for­ma­dos em obje­tivos reais de for­t­alec­i­men­to do Esta­do, prin­ci­pal­mente de um par­tido políti­co. Em out­ras palavras: o BNDES con­tribui, hoje, para o for­t­alec­i­men­to da par­tidoc­ra­cia por meio de con­tín­u­os enlaça­men­tos à sociedade, inten­si­f­i­can­do a dependên­cia social frente ao Esta­do em detri­men­to da autono­mia daqui­lo que um dia foi con­sid­er­a­do sociedade civil.

É para este sen­ti­do (ibéri­co) de mod­ern­iza­ção do Brasil que o BNDES atu­al con­tribui: Esta­do forte que dev­e­ria garan­tir o pro­gres­so social, políti­co e éti­co, sem espaço para a reflexão ref­er­ente ao papel da cidada­nia neste cenário. No entan­to, como bem insis­tia Han­nah Arendt, pre­cisamos reivin­dicar a artic­u­lação entre pen­sar e agir. E aqui entra em cena um out­ro BNDES, ain­da pos­sív­el. Como já desta­ca­do, essa insti­tu­ição pode­ria ter prat­i­ca­do uma ver­dadeira mudança dos val­ores soci­ais atre­la­dos àquela con­cepção de mod­ern­iza­ção no inte­ri­or dos muros do Esta­do. Isto é, uma vez desta­ca­do o con­tex­to men­ciona­do, o diag­nós­ti­co con­jun­tur­al descrito pos­si­bil­i­taria uma efe­ti­va alter­ação da real­i­dade, tal como receita­va Anto­nio Gram­sci, fazen­do com que esse “acla­ma­do” ban­co fos­se um ver­dadeiro catal­isador de uma rev­olução silen­ciosa dos val­ores cul­tur­ais. O BNDES pode­ria ter rompi­do com o sen­ti­do da col­o­niza­ção ibéri­ca, aux­il­ian­do a sociedade civ­il a eman­ci­par-se do Esta­do, favore­cen­do uma mudança cul­tur­al do empresário brasileiro, his­tori­ca­mente laça­do (para não diz­er pre­so) às amar­ras estatais.

O BNDES perdeu a opor­tu­nidade de ser um celeiro de lid­er­anças empre­sari­ais nacionais, ao mes­mo tem­po que se desvir­tu­ou dos obje­tivos soci­ais ofi­cial­mente pro­pa­gan­dea­d­os, for­t­ale­cen­do assim os val­ores de sub­mis­são ao poder estatal. Se por um lado as anális­es feitas no decor­rer do livro demon­stram como a sele­tivi­dade do BNDES afasta‑o do dis­cur­so de supos­ta legit­im­i­dade, servin­do muito mais para fins políti­cos de agi­gan­ta­men­to estatal, por out­ro é impor­tante apre­sen­tar des­de logo ao leitor uma alter­na­ti­va para esse obscuro cenário.

E é aqui que se faz necessário expor um exem­p­lo da fal­ta de relação de rec­i­pro­ci­dade entre insti­tu­ição e sociedade civ­il, e como isso pode ser prej­u­di­cial. Tra­ta-se de apre­sen­tar, como será feito, a relação entre BNDES e mer­ca­do de cap­i­tais, de tal for­ma que o for­t­alec­i­men­to deste seja incluí­do como obje­ti­vo do ban­co, isto é, como obje­ti­vo que pro­por­cionar­ia um for­t­alec­i­men­to da sociedade civ­il. Uma vez que a sociedade civ­il não deve ser com­preen­di­da como algo con­tra­pos­to ao Esta­do, já que este é um desen­volvi­men­to daque­la, entende-se que inve­stir no mer­ca­do de cap­i­tais é uma maneira de, ao per­mi­tir um maior con­t­role social da empre­sa, estim­u­lar jus­ta­mente o for­t­alec­i­men­to da civil­i­dade, per­mitin­do a inclusão social dos tra­bal­hadores para que eles pos­sam usufruir dos fru­tos do desen­volvi­men­to econômi­co, isto é, fazen­do com que a sociedade civ­il seja pro­tag­o­nista da exigên­cia de transparên­cia essen­cial à democ­ra­cia, como defendia Nor­ber­to Bobbio.

Aqui está a função trans­for­mado­ra do mer­ca­do de cap­i­tais: tornar empre­sas efi­cientes, visíveis e trans­par­entes, uma vez que os acionistas con­tro­lar­i­am as empre­sas, favore­cen­do assim a dimen­são públi­ca desse con­t­role. Se desen­volver o mer­ca­do de cap­i­tais é for­t­ale­cer a sociedade civ­il, oxi­ge­nan­do a democ­ra­cia pela plu­ral­i­dade e per­mitin­do que decisões fun­da­men­tais que vin­cu­lam a todos sejam obje­to de apro­pri­ação do cidadão, é essen­cial então perce­ber que o BNDES, ao priv­i­le­giar obscuros inves­ti­men­tos no exte­ri­or, e não no mer­ca­do de cap­i­tais, acabou servin­do como instru­men­to de for­t­alec­i­men­to de um par­tido políti­co, em detri­men­to do desen­volvi­men­to econômi­co e social de nos­so país, isto é, ele rompeu com a relação de rec­i­pro­ci­dade entre sociedade civ­il e insti­tu­ições já apre­sen­ta­da. Por isso é impre­scindív­el que as anális­es econômi­cas acer­ca do BNDES sejam enrique­ci­das pelos ques­tion­a­men­tos soci­ais ref­er­entes à legit­im­i­dade dessa instituição.

Tratar-se-ia, então, de artic­u­lar a função democráti­ca do BNDES com a função trans­for­mado­ra do mer­ca­do de cap­i­tais. O desafio está em romper os muros do Esta­do que se for­t­alece medi­ante a fór­mu­la “X‑tudo” do BNDES, como será demon­stra­do. A pro­fun­di­dade dessas anális­es pode ser ver­i­fi­ca­da, cumpre enfa­ti­zar, quan­do se com­pro­va a ausên­cia de par­tic­i­pação da sociedade civ­il em todos os 18 comitês que com­põem a estru­tu­ra do BNDES, o que per­mi­tiu uma práti­ca políti­ca do seg­re­do que, além de excluir o inter­esse nacional, favore­ceu uma políti­ca de “campeões nacionais” em detri­men­to dos pequenos e médios empresários.

Por fim, algu­mas últi­mas palavras são necessárias. As reflexões que con­stituem esta segun­da parte do livro têm origem no diál­o­go, no debate, e isso deve ser enfa­ti­za­do. Como dizia Bob­bio, o aspec­to fun­da­men­tal da democ­ra­cia está no diál­o­go em públi­co, na dis­posição para deixar-se con­vencer pelos argu­men­tos do out­ro, no jogo dialógi­co tol­er­ante e isen­to de von­tades de ver­dade (e de poder, evi­den­te­mente). Grande parte deste livro é fru­to de entre­vis­tas com diver­sas pes­soas que con­hecem a fun­do o BNDES. Elas obser­varam essa insti­tu­ição somente com as lentes da econo­mia, compreendendo‑o como um ban­co econômi­co. Isso sem dúvi­da é impor­tante. No entan­to, como desta­ca­do, bus­ca-se aqui enrique­cer essas anális­es a par­tir da com­preen­são do BNDES como insti­tu­ição social, o que nos per­mite anal­is­ar os motivos pelos quais o caráter democráti­co está atual­mente ausente e pro­por alter­na­ti­vas para essa situação.

O obje­ti­vo final dessas reflexões seria, então, muito sin­ge­la­mente, con­tribuir para um debate públi­co sobre qual cam­in­ho esse ban­co dev­er tril­har para que o Brasil pos­sa vencer as fron­teiras da exclusão social, econômi­ca e políti­ca, fun­da­men­tais para que o BNDES aux­ilie a cumprir as chamadas “promes­sas não cumpri­das da democracia”.

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1 Nor­ber­to Bob­bio, Nico­la Mat­teuc­ci e Gian­fran­co Pasquino (orgs.), Dicionário de políti­ca, 12. ed., Brasília, Edi­to­ra Uni­ver­si­dade de Brasília, 2004, p. 1.210.

2 Nor­ber­to Bob­bio, O futuro da democ­ra­cia, Rio de Janeiro, Paz e Ter­ra, 2000, p. 34

 

(Tex­to extraí­do de seu livro Um Cam­in­ho para o Brasil: a Rec­i­pro­ci­dade entre Sociedade Civ­il e Insti­tu­ições, São Paulo, Edi­to­ra Con­tex­to, 2017)

Homenagem a Raymundo Magliano Filho

Homenagem a Raymundo Magliano Filho

Pio­neiro na área de mer­ca­do de cap­i­tais, o paulis­tano Ray­mun­do Magliano Fil­ho, nasci­do em 1942, for­ma­do em Admin­is­tração de Empre­sas pela Fun­dação Getúlio Var­gas, ini­ciou cedo sua vida empre­sar­i­al, tra­bal­han­do na Magliano Invest, fun­da­da em 1927, primeira cor­re­to­ra a oper­ar na Bol­sa de Valores.

Pres­i­dente da Bol­sa de Val­ores, de 1997 a 200, depois da Boves­pa, de 2001 a 2008, quan­do esta se fundiu à Bol­sa de Mer­cado­rias e Futuro, for­man­do a B3, que, hoje, pos­sui mais de três mil­hões de investi­dores pes­soas físi­cas. o que demon­stra, segun­do o atu­al CEO da B3, Gilson Finkil­sz­tain, o êxi­to do tra­bal­ho de Magliano.

De fato, seu son­ho era o de democ­ra­ti­zar o Mer­ca­do de Cap­i­tais, o que lev­ou avante por meio de pro­gra­mas como o “Bol­sa de Val­ores Pop­u­lar,” o “Mul­heres em Ação” e o “Boves­pa vai até você”, que, como noti­cia a Revista Forbes, trans­porta­va “profis­sion­ais da Bol­sa em um furgão para todos os esta­dos do Brasil com o obje­ti­vo de apre­sen­tar o mer­ca­do finan­ceiro à pop­u­lação,” pas­san­do por esco­las, sindi­catos, uni­ver­si­dades, e praia.Fez, ain­da, do edifí­cio sede da Bol­sa, um espaço cívi­co,” como gosta­va de salien­tar, lugar de vis­i­tação e de eventos.

Todavia, Magliano não lim­i­tou sua ativi­dade ao mer­ca­do de cap­i­tais. Grande admi­rador do jurista, cien­tista políti­co, sociól­o­go e filó­so­fo ital­iano Nor­ber­to Bob­bio, fun­dou, na Bol­sa, impor­tante Cen­tro de Estu­dos a ele ded­i­ca­do, núcleo do que depois se tornou o Insti­tu­to Nor­ber­to Bob­bio, com o qual a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito tem a gra­ta sat­is­fação de con­tar como par­ceiro, des­de 2017. O INB é o úni­co ded­i­ca­do ao emi­nente escritor tori­nese, no mun­do, e real­iza impor­tante tra­bal­ho não ape­nas de divul­gação de sua obra e lega­do, mas igual­mente de difusão cul­tur­al, segun­do os ideais da democ­ra­cia e dos dire­itos humanos. sendo hoje pre­si­di­do pelo Advo­ga­do Cel­so Azzi, for­ma­do em dire­ito pela USP, Coor­de­nador do Comitê Soci­etário do Cen­tro de Estu­dos de Sociedades de Advo­ga­dos, da Ordem dos Advo­ga­dos do Brasil, Vice-Pres­i­dente do Comitê Jurídi­co da Câmara Íta­lo-Brasileira de Comér­cio e Indús­tria, e Vogal da Ass­coação Com­er­cial de São Paulo. O INB tem ain­da como mem­bros os juris­tas Tér­cio Sam­paio Fer­raz Jr, Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito  — que escreveu impor­tante e comovente nota de hom­e­nagem a Magliano, pub­li­ca­da no jor­nal O Esta­do de S. Paulo — e Cel­so Lafer, Acadêmi­co Eméri­to da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, e como Coor­de­nador Cien­tí­fi­co César Mor­tari Bar­reira.

Ray­mun­do Magliano escreveu impor­tantes arti­gos e livros, divul­gan­do suas ideias e pro­je­tos orig­i­nais, bem como inter­pre­tan­do e atu­al­izan­do os autores de sua predileção, entre os quais, Han­nah Arendt. É pos­sív­el ler, aqui, uma dessas deci­si­vas con­tribuições para o debate nacional.

Entre seus livros, estão Um Cam­in­ho para o Brasil: a Rec­i­pro­ci­dade entre Sociedade Civ­il e Insti­tu­ições, edi­ta­do pela Con­tex­to, em 2017, e A Força das Ideias para um Cap­i­tal­is­mo Sus­ten­táv­el, pela Manole, em 2014.

A seriedade profis­sion­al e o sério com­pro­me­ti­men­to com seus val­ores fazi­am de Magliano um exem­p­lo para as novas ger­ações, para as quais, aliás, ded­i­ca­va todo seu empen­ho de for­mação. Os ami­gos e con­heci­dos recor­darão igual­mente seu bom humor e a con­ver­sa afáv­el, com seu cuida­do pela escu­ta e o dese­jo de apren­der, debater, ilu­mi­nan­do o mun­do com sua cul­tura e âni­mo inesgotável.

Víti­ma da Covid-19, fale­ceu em 11 de janeiro de 2021, aos 78 anos.

 

 

Em visi­ta ao Insti­tu­to Nor­ber­to Bob­bio, Alfre­do Attié, Pres­i­dente da APD, ao lado de Ray­mun­do Magliano Fil­ho, Cel­so Azzi, César Mor­tari Bar­reira, do INB, e do Pres­i­dente do IASP, Rena­to Mel­lo Jorge Silveira.

Biden e Agostinho

Biden e Agostinho

O arti­go a seguir, de auto­ria de Alfre­do Attié, Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, pub­li­ca­do, orig­i­nal­mente em Ter­ra Tavares, na con­tribuição quinzenal do autor a esse per­iódi­co, anal­isa a men­sagem ini­cial de Joe Biden, Pres­i­dente dos Esta­dos Unidos, ressaltan­do sua refer­ên­cia a San­to Agostin­ho e a impli­cação da adesão a seu con­ceito de amor.

 

Biden e Agostinho

Alfre­do Attié

Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas e Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, Doutor em Filosofia da USP, exerce a função de desem­bar­gador no Tri­bunal de Justiça de SP

Den­tre os inúmeros rit­u­ais da práti­ca políti­ca norte-amer­i­cana, o da trans­mis­são da Presidên­cia reveste-se de um encan­to supe­ri­or. Os amer­i­canos nos legaram não ape­nas a insti­tu­ição do pres­i­den­cial­is­mo, mas con­seguiram alçá-lo a importân­cia muito supe­ri­or à da monar­quia. Esse apuro na con­sti­tu­ição de uma tradição talvez se deva à novi­dade da repúbli­ca norte-amer­i­cana, que surge no final dos Sete­cen­tos vin­cu­la­da à paixão da inde­pendên­cia, palavra fun­da­men­tal para com­preen­der o pro­je­to do Iluminismo.

Nesse momen­to de pas­sagem do poder, em que ele se reafir­ma por meio de um jura­men­to que um Pres­i­dente faz inde­pen­den­te­mente de seu ante­ces­sor, há uma difer­ença essen­cial no que diz respeito aos País­es que, ten­do ado­ta­do o Pres­i­den­cial­is­mo a par­tir do exem­p­lo estadunidense, como o Brasil, fig­u­ram a sucessão pres­i­den­cial por meio de um gesto de trans­mis­são de uma pes­soa a out­ra, pela entre­ga da faixa. Para os norte-amer­i­canos, há ape­nas a Con­sti­tu­ição e a promes­sa solene, diante de rep­re­sen­tante do poder judi­cial, que rep­re­sen­ta a perenidade repub­li­cana com­para­da à tran­sição con­stante do poder exec­u­ti­vo, que George Wash­ing­ton vol­un­tari­a­mente inaugurou.

Como se tra­ta de val­ores sacra­men­tais, as palavras for­mu­la­res e as do dis­cur­so pres­i­den­cial pos­suem mui­ta relevân­cia.  O dis­cur­so é aguarda­do com ansiedade, pois cabe ao líder políti­co norte-amer­i­cano curar as feri­das da vida — demon­stran­do sua com­preen­são da condição humana, e reme­tendo aos poderes cura­tivos dos monar­cas do Anti­go Regime –, expres­sar con­fi­ança e empen­ho na capaci­dade de resil­iên­cia daque­les a que lhe cabe con­duzir e servir, “uma Nação sob Deus,” diz a promes­sa de fidel­i­dade (pledge of alle­giance), recita­da pelos estu­dantes norte-amer­i­canos nas esco­las públi­cas. 

À maneira do ser­mão, o Pres­i­dente escol­he as palavras que encar­nem os val­ores especí­fi­cos a que dará maior peso, em sua gestão tran­sitória.  Joe Biden inspirou-se em Agostin­ho de Hipona – o filó­so­fo da sín­tese entre as tradições judaico-cristã e heleno-romana -,  e sele­cio­nou os princí­pios de “união e amor.” O amor é o aspec­to mais ino­vador da men­sagem pres­i­den­cial, e chega em momen­to propí­cio, prom­e­tendo ener­gia para resolver os impass­es de um Mun­do nova­mente dividido.

Agostin­ho foi essen­cial na história da filosofia, pre­cisa­mente por causa de sua habil­i­dade de con­cil­i­ação de difer­entes visões de mun­do, que pare­ci­am inc­on­cil­iáveis em sua época, numa divergên­cia ain­da mais pro­fun­da do que a aque­la que nos sep­a­ra, hoje. Ele real­i­zou a sín­tese de tradições tão dis­sim­i­lares reli­giosas e laicas, de sagra­do e pro­fano, por meio de uma nova con­cepção filosó­fi­ca e políti­ca, embasa­da na ideia de amor como fun­da­men­to da unidade social.

Em tem­pos de fanatismo reli­gioso e políti­co, Biden soube escol­her o cam­in­ho de uma ação ter­apêu­ti­ca, cuja ener­gia cura­ti­va não despreza a pre­sença dos desafios e prob­le­mas, agudiza­dos pela pan­demia, na desigual­dade pro­fun­da e na crise ambi­en­tal, questões que, ali­adas à crise de gov­er­nança, têm lev­a­do ao deslo­ca­men­to força­do de povos no mun­do con­tem­porâ­neo. Líderes e rep­re­sen­tantes de vários País­es não têm sabido lidar com os anseios de seus povos e as exigên­cias de adap­tação a uma nova era, em despreparo que põe em xeque con­quis­tas civ­i­liza­cionais, como a democ­ra­cia e os dire­itos humanos.

O princí­pio do amor Biden foi bus­car no filó­so­fo das pas­sagens entre o divi­no e o humano, que  o apon­ta como motor dos rela­ciona­men­tos humanos, nos âmbitos ter­reno e sagra­do. As cidades div­ina e humana não são pon­tos extremos de exclusão. Estão conec­tadas porque o amor é o fun­da­men­to da humanidade e de sua relação com a divin­dade, que encam­in­ha em direção ao out­ro, ao difer­ente: impul­so da adesão humana a um pro­je­to social e políti­co, que tem na tro­ca sua con­fig­u­ração essen­cial. Essa relação de rec­i­pro­ci­dade não se limi­ta aos inter­ess­es humanos e à sat­is­fação de dese­jos ime­di­atos, con­tin­gentes. A pre­sença do divi­no reforça e recon­figu­ra essa relação, levando‑a a uma tran­scendên­cia capaz de fixar obje­tivos mel­hores e mais nobres para a vida comum, assim como de resolver con­fli­tos, por meio do acol­hi­men­to de todas as vozes, a inclusão ver­dadeira­mente de todos.

Por coin­cidên­cia, recen­te­mente, out­ro líder políti­co notáv­el con­tem­porâ­neo, o Papa Fran­cis­co tam­bém lem­brou Agostin­ho, ao citar Han­nah Arendt, sua leito­ra e intér­prete. O amor, nes­sa leitu­ra, aparece como ele­men­to que dá liga à con­vivên­cia humana, no per­cur­so de sua redenção. Os seres humanos se bus­cam para realizar jun­tos obje­tivos que não alcançari­am na solidão. Essa aprox­i­mação não é mero con­tra­to para con­cretizar dese­jos exclu­sivos. Exige a pre­sença e o cuida­do de todos, da comu­nidade humana, ver­dadeiro sen­ti­do da comu­ni­cação e da con­strução de bens, val­ores e pro­je­tos comuns. Há um bem maior, que é indi­ca­do por uma paixão que vai além do egoís­mo, e que une a humanidade, ven­cen­do os desafios das divergên­cias e das difi­cul­dades da condição humana.

Nos vários dis­cur­sos da cer­imô­nia de posse, além da críti­ca sev­era aos atos de van­dal­is­mo con­tra o Capitólio, ressaltou-se a potên­cia do esforço cole­ti­vo, cal­ca­do no amor dos val­ores com­par­til­ha­dos, uma ener­gia capaz de vencer ilusões e mentiras.

A invasão insana e bru­tal dos bár­baros da democ­ra­cia de seus sím­bo­los apon­ta­va para uma era de obscu­ran­tismo. Talvez encon­tre respos­ta, esper­ança e remé­dio na men­sagem firme da união e do amor, na super­ação do fanatismo que, sabe­mos, pode ser capaz de travar o proces­so civ­i­liza­cional de bus­ca da felicidade.

Sobre Queirmar a Natureza e a Humanidade

Sobre Queirmar a Natureza e a Humanidade

O arti­go a seguir , de Alfre­do Attié, faz análise das car­ac­terís­ti­cas da ordem jurídi­ca inter­na­cional con­tem­porânea, especi­f­i­can­do o desen­volvi­men­to do dire­ito ambiental.

Foi pub­li­ca­do, orig­i­nal­mente, em Ter­ra Tavares.

 

Sobre queimar a natureza e a humanidade

Alfre­do Attié

Filó­so­fo, Jurista e Escritor, é Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, que pre­side, e exerce a função de desem­bar­gador, em São Paulo.

“O mun­do é feito de histórias, não de átomos”

Em primeiro de out­ubro de 2020, o céu aman­heceu cin­za, no inte­ri­or de São Paulo. Era estran­ho porque a mete­o­rolo­gia havia pre­vis­to dia de sol e calor inten­so, céu azul, sem nuvens. O calor real­mente era inten­so, com aque­la sen­sação de abafa­men­to aci­ma do nor­mal, mas o dia per­maneceu nubla­do. Alguém me disse que aqui­lo era sinal de queima­da. Achei exager­a­do. No dia seguinte, os jor­nais não noti­ci­avam nada a não ser que havia sido o dia mais quente de uma série históri­ca ini­ci­a­da há muitos anos, em São Paulo. Dois dias depois, porém, veio a notí­cia de que teria havi­do uma queima­da forte na região de out­ra cidade inte­ri­o­rana, Vin­he­do, con­heci­da dos paulis­tas por causa de par­ques temáti­cos à beira da Rodovia dos Ban­deirantes. O fogo acabou com uma peque­na mata nati­va preser­va­da e alcançou pro­priedades rurais. Foi com­bat­i­do pelos moradores da região. O jor­nal­ista desta­cou o depoi­men­to de um deles, engen­heiro agrônomo, que disse ter chora­do de deses­pero, pela per­da da mata, pela ausên­cia de meios de com­bate ao incêndio.

Um micro­fenô­meno, que afe­tou uma peque­na região brasileira, mas que é sin­toma de algo mais pro­fun­do, que afe­ta o Brasil e o Mun­do. No ano pas­sa­do e no retrasa­do, reflex­os de queimadas na Amazô­nia e no Pan­tanal, troux­er­am o cin­za para o céu da região mais próx­i­ma do litoral do Atlân­ti­co, atingin­do o Esta­do e a Cidade de São Paulo. Um fenô­meno que põe as coisas de cabeça para baixo, assim como foi o da crise da água, há poucos anos, que deixou o mes­mo Esta­do em situ­ação de ver­dadeira calami­dade. Sim, várias situ­ações inusi­tadas, para um Esta­do que esta­va acos­tu­ma­do a pro­duzir sua própria poluição atmos­féri­ca, trazen­do sofri­men­to sobre­tu­do nos momen­tos de inver­são tér­mi­ca, em que os polu­entes lança­dos ao ar pelas indús­trias e pelos automóveis insta­lavam-se sober­a­nos sobre as cidades, como a con­sti­tuir um teto sobre um abri­go dis­tópi­co da pós-mod­ernidade, somente encon­tra­do nos con­tos e  filmes de ficção e, evi­den­te­mente, nas metrópoles des­or­de­nadas dos país­es em desen­volvi­men­to. Mas o abri­go não é feito só de cober­tu­ra tóx­i­ca, a isso se veio jun­tar a evidên­cia das repre­sas e torneiras secas, a impedi­rem ain­da mais a cir­cu­lação da vida, como que a cumprir a pro­fe­cia de o mar virar sertão. O futuro chegou e isso não parece ser boa notícia.

Não é de ago­ra que os ambi­en­tal­is­tas, entre os quais ativis­tas e cien­tis­tas, além das orga­ni­za­ções não-gov­er­na­men­tais do Mun­do todo, têm denun­ci­a­do a poluição, a destru­ição dos recur­sos nat­u­rais, a pro­dução e o con­sumo insus­ten­táveis. Não é de ago­ra, tam­bém, que o dire­ito tem sido lev­a­do a refle­tir sobre a pro­teção ambi­en­tal, no âmbito inter­no dos País­es, no âmbito mais restri­to das comu­nidades locais, das cidades, nas Regiões, e por meio do dire­ito inter­na­cional. 

Esse con­jun­to de val­ores advo­ga­dos pelos que, de modo pio­neiro, pen­saram nas con­se­quên­cias para o ambi­ente e para a humanidade, do uso irrestri­to dos recur­sos da natureza e dos sis­temas de pro­dução, cir­cu­lação, con­sumo e descarte de bens,  acabou sendo con­sagra­do, não sem mui­ta con­tro­vér­sia, em doc­u­men­tos jurídi­cos impor­tantes, cujo mar­co ini­cial cos­tu­ma ser pos­to na Declar­ação de Esto­col­mo de 1972, e cujo desen­volvi­men­to tem a mar­ca brasileira, pelas con­fer­ên­cias real­izadas no Rio de Janeiro, em 1992, 2002 e 2012. Mas há out­ros mar­cos de mudança con­ceitu­al e instru­men­tal do dire­ito, nacionais, munic­i­pais, region­ais e internacionais.

Ape­sar de tudo isso, o que está acon­te­cen­do com o Brasil e o Mundo?

Tra­ta-se de um movi­men­to con­tra­ditório. 

Entre 1982 e 2002, isto é, quase acom­pan­han­do a evolução das Con­fer­ên­cias inter­na­cionais sobre Meio Ambi­ente e Desen­volvi­men­to, que referi, o cineas­ta e ativista políti­co norte-amer­i­cano Geof­frey Reg­gio con­ce­beu e dirigiu a Trilo­gia Qat­si, palavra que sig­nifi­ca vida, na lín­gua hopi. Os Hopi são um povo que vive no sudoeste dos Esta­dos Unidos, que falam a lín­gua que leva seu nome, que per­tence ao ramo uto-aste­ca., que, por sua vez, com­põe uma família de lín­guas e cul­turas cen­tro e norte-amer­i­canas bas­tante difun­di­das. O hopi é uma lín­gua cada vez menos fal­a­da, muito emb­o­ra os esforços que estão sendo feitos para pre­servá-la. Reg­gio hom­e­nageia a con­cepção espir­i­tu­al ínsi­ta nes­sa cul­tura, ao dar a seus doc­u­men­tários ino­vadores o nome de Koy­aanisqat­si, Powaqqat­si e Naqoyqat­si. Koy­aa­nis, dese­qui­líbrio, tumul­to. Powaq, par­a­sitária, egoís­ta. Nah-qoy, vio­lên­cia extrema. O sen­ti­do dos filmes apon­ta­va, então, para três car­ac­terís­ti­cas dos proces­sos da vida oci­den­tal mod­er­na: dese­qui­líbrio, explo­ração da natureza e dos out­ros, e con­fli­to, todas con­sid­er­adas não casuais, mas ver­dadeiras for­mas do exi­s­tir. Em con­tra­posição a essas for­mas destru­ti­vas e autode­stru­ti­vas, Reg­gio prop­un­ha a com­preen­são de três lições hopi, chamadas de pro­fe­cias, no filme:  quan­do as riquezas forem extraí­das da ter­ra, ocor­rerá desas­tre; aprox­i­man­do-se o tem­po de purifi­cação, haverá teias de aran­ha no céu, sacu­d­i­das pelo ven­to; e uma porção de cin­zas será lança­da do céu para queimar a ter­ra e fer­v­er os oceanos. Há, por­tan­to um diag­nós­ti­co de desajuste, extração inter­es­seira de bens da natureza, e vio­lên­cia per­ma­nente, que mac­u­lar­i­am a vida na Ter­ra, que encam­in­ha a um prognós­ti­co de desas­tres, aban­dono e destruição.

Tais con­statação e pre­visão ocor­rem exata­mente no momen­to em que o dire­ito toma uma nova direção, pau­lati­na­mente toman­do par­tido das vozes que indicam o peri­go desse diag­nós­ti­co e o risco de se des­en­cadear o proces­so prog­nos­ti­ca­do. O dire­ito, então toma lugar no tem­po da crise, que é dis­cern­i­men­to de alter­na­ti­vas, em face do grau avança­do do mal-estar da explo­ração humana e da natureza.

Essa nova ati­tude políti­co-jurídi­ca encam­in­hou o que me per­mi­to chamar de uma nova fase no desen­volvi­men­to da sociedade inter­na­cional, com impli­cações nos orde­na­men­tos jurídi­cos inter­nos aos País­es que com­põem essa ordem mundi­al. Vín­hamos da fase e do desen­volvi­men­to do dire­ito inter­na­cional dos dire­itos humanos, ini­ci­a­da ime­di­ata­mente após o fim da Segun­da Guer­ra mundi­al, em que a fun­dação da Orga­ni­za­ção das Nações Unidas explic­i­ta­va a neces­si­dade e o dev­er de bus­car o fim dos con­fli­tos inter­na­cionais, por meio de um con­cer­to de nor­mas e mecan­is­mos  volta­dos a impedir a defla­gração de guer­ras entre seus mem­bros. Essa final­i­dade, explic­i­ta­da no arti­go primeiro da Car­ta da ONU, pode-se diz­er que foi alcança­da, no decor­rer dess­es seten­ta e cin­co anos, mes­mo que à cus­ta de out­ros inter­ess­es, e, sobre­tu­do, de provo­car o que chamaria de domes­ti­cação das guer­ras, isto é, seu con­t­role no âmbito inter­na­cional, por meio de sua con­tenção nos ambi­entes inter­nos dos País­es. Hoje, com efeito, são ess­es con­fli­tos inter­nos, con­ta­dos às dezenas, e a con­strução de proces­sos de paz ade­qua­dos a cada um deles, que pre­ocu­pam os organ­is­mos inter­na­cionais e as pes­soas que têm con­sciên­cia de que a paz é, no mín­i­mo, a con­strução de um ambi­ente mais propí­cio para o equi­líbrio das relações humanas, e, no máx­i­mo, um obje­ti­vo que per­mite o desen­volvi­men­to das capaci­dades humanas em sua inte­gral­i­dade. Paz neg­a­ti­va, que evite a defla­gração da vio­lên­cia, e paz pos­i­ti­va, que efe­tive os meios ideais de vida, cul­tur­ais, edu­ca­cionais, econômi­cos, políti­cos, jurídi­cos, que previnam a neces­si­dade de usar da vio­lên­cia para obter o que se dese­ja, seja por usurpação seja por direito.

Sendo real­ista a respeito desse ide­al, é pre­ciso admi­tir que a humanidade ain­da tem mui­ta difi­cul­dade de empreen­der esse modo de vida jus­to, basea­do nos val­ores da liber­dade, claro, mas sobre­tu­do da igual­dade e da solidariedade.

Ao lado dessas nor­mas e mecan­is­mos volta­dos a engen­drar a paz, três anos após sua fun­dação, a ONU procurou declarar os val­ores por meio dos quais aque­la paz pudesse ser alcança­da com justiça não ape­nas para os País­es que a com­pun­ham, mas sobre­tu­do para os povos que con­sti­tuíam o foco de atenção de suas políti­cas. A Declar­ação Uni­ver­sal dos Dire­itos Humanos de 1948 tin­ha esse intu­ito e, igual­mente, pode-se diz­er que ela foi acom­pan­ha­da de um proces­so pau­lati­no e, em grande parte, exi­toso, de efe­tivi­dade, isto é, de recon­hec­i­men­to real­mente uni­ver­sal. Pode-se ver isso, por exem­p­lo, nas suces­si­vas Declar­ações region­ais de Dire­itos Humanos – cujo pon­to de par­ti­da, aliás, data de pouco antes da Declar­ação Uni­ver­sal, com o primeiro Pacto Amer­i­cano de Dire­ito, de 1947. De qual­quer modo, tive­mos A Con­venção Amer­i­cana de Dire­itos Humanos, a Car­ta de San José de Cos­ta Rica, em 1969, em ple­na Guer­ra Fria, e mes­mo em meio a ativi­dades vio­len­tas e regimes dita­to­ri­ais em boa parte dos País­es amer­i­canos; em segui­da, na África, após a cri­ação da Orga­ni­za­ção da Unidade Africana, em 1963, cujo arti­go primeiro consigna­va a adesão à Declar­ação Uni­ver­sal, a Declar­ação Africana dos Dire­itos Humanos e dos Povos, a Car­ta de Ban­jul, em 1981, con­sec­u­ti­va ao difí­cil proces­so de des­col­o­niza­ção políti­ca e inde­pendên­cia dos País­es africanos; ain­da, a Con­venção Europeia de Dire­itos Humanos, Car­ta de Roma, de 1950, con­sec­u­ti­va, por­tan­to, à cri­ação do Con­sel­ho da Europa, enti­dade respon­sáv­el pela guar­da dos dire­itos humanos, da democ­ra­cia e da esta­bil­i­dade políti­co-social da Europa, uma das tan­tas insti­tu­ições cri­adas no Pós-Guer­ra para per­mi­tir a pau­lati­na engen­haria das Comu­nidades e da União Europeias.

Para sal­va­guardar essa Ordem dos Dire­itos Humanos, por­tan­to, além dessas nor­mas, os mecan­is­mos cri­a­dos foram tri­bunais inter­na­cionais, volta­dos a con­hecer as vio­lações de dire­itos nos âmbitos region­ais e internacional.

Final­mente, essa Ordem foi sendo for­t­ale­ci­da por meio do recon­hec­i­men­to de out­ros dire­itos uni­ver­sais, pelo Pacto Inter­na­cional de Dire­itos Civis e Políti­cos, e pelo Pacto de Dire­itos Econômi­cos, Soci­ais e Cul­tur­ais, ambos pela Assem­bleia Ger­al da ONU, em 1966, nas Sessões de 16 e 19 de dezembro.

Até aí, por­tan­to, temos a Ordem dos Dire­itos Humanos, à qual podemos referir, tam­bém, mal­gra­do par­cial­mente, a Car­ta de Esto­col­mo, a Declar­ação das Nações Unidas sobre o Ambi­ente Humano, de 1972, que indi­ca­va o cam­in­ho para a pro­teção ambi­en­tal, muito emb­o­ra ain­da foca­da na questão do desen­volvi­men­to sus­ten­táv­el e na con­cepção de que a natureza devia con­tin­uar a se sub­me­ter aos inter­ess­es humanos, mes­mo que de explo­ração econômi­ca; assim como a Declar­ação do Rio sobre Mio Ambi­ente e Desen­volvi­men­to, de 1992, em que o foco per­manece o mes­mo, mas já começa a indicar um cam­in­ho de com­ple­men­tariedade entre o humano e o nat­ur­al. 

Con­tu­do, uma Nova Ordem começou a se desen­har, por meio dessas Declar­ações impor­tantes, e de out­ras que apro­fun­daram suas afir­mações, espe­cial­mente, a Agen­da 21, Declar­ação dos Chefes de Esta­do no cur­so da Con­fer­ên­cia da ONU de 1992; a fix­ação dos Obje­tivos de Desen­volvi­men­to do Milênio para a Errad­i­cação da Pobreza, em 2000, na Reunião de Cúpu­la, na sede das Nações Unidas de Nova Iorque; a Declar­ação de Johanes­bur­go das Nações Unidas sobre o Desen­volvi­men­to Sus­ten­táv­el e seu Plano de Imple­men­tação, de 2002; a Declar­ação dos Chefes de Esta­do “O Futuro que Quer­e­mos”, elab­o­ra­da na Con­fer­ên­cia das Nações Unidas sobre Desen­volvi­men­to Sus­ten­táv­el, Declar­ação Rio+20, de 2012; e a Declar­ação dos Chefes de Esta­do “Obje­tivos do Desen­volvi­men­to Sus­ten­táv­el”, de 2015, que fixou a Agen­da 2030; além da “Car­ta da Ter­ra”, ini­cia­ti­va não-gov­er­na­men­tal, de per­son­al­i­dades do Mun­do todo, ini­ci­a­da em 1992 e ter­mi­na­da com a redação do doc­u­men­to que fixa princí­pios éti­co-políti­cos para a ação gov­er­na­men­tal nacional e inter­na­cional, bem como para a atu­ação das pes­soas, comu­nidades e orga­ni­za­ções não-gov­er­na­men­tais, para a con­se­cução da justiça social, da igual­dade, da sol­i­dariedade e da pro­teção à natureza.

Essa Nova Ordem não é mais uma Ordem de Dire­itos, mas uma Ordem de Deveres e de Respon­s­abil­i­dades. Nela, impor­ta menos saber quais são os meus ou os nos­sos dire­itos e inter­ess­es, em relação aos out­ros e aos bens nat­u­rais, mas sobre­tu­do saber quais são os meus e os nos­sos deveres em relação à solução dos prob­le­mas locais e globais que põem em risco a sobre­vivên­cia da natureza e dos seres humanos nela inseri­dos. Ess­es prob­le­mas são a pobreza, a fome, a saúde e o bem estar, a edu­cação de qual­i­dade, a igual­dade de gêneros, o supri­men­to de água limpa e o sanea­men­to ambi­en­tal, o fornec­i­men­to de ener­gia limpa e ren­ováv­el de modo acessív­el, o tra­bal­ho decente e o cresci­men­to econômi­co, o aces­so à ino­vação, ao empreendi­men­to e a efe­ti­vação de infraestru­tu­ra, a redução de desigual­dades,  a con­cretiza­ção de cidades e comu­nidades sus­ten­táveis, a implan­tação do con­sumo e da pro­dução respon­sáveis, a ação climáti­ca, a preser­vação da vida sub­aquáti­ca e sobre a ter­ra, a con­strução da paz, da justiça e de insti­tu­ições fortes, bem como de parce­rias para super­ar tais prob­le­mas e con­cretizar suas soluções.  

Nis­so estão resum­i­dos, igual­mente, quais são os obje­tivos dessa Nova Ordem, cujos deveres e respon­s­abil­i­dades se esta­b­ele­cem para impedir a destru­ição da natureza, por meio de sua instru­men­tal­iza­ção – a natureza não mais como fonte de recur­sos econômi­cos e como obje­to de desen­volvi­men­to, ain­da que chama­do de sus­ten­táv­el, mas como fonte de vida -, e para impedir a instru­men­tal­iza­ção e destru­ição dos seres humanos.

Essa Nova Ordem percebe a conexão entre respeitar a natureza e respeitar o out­ro, isto é, as cul­turas e exper­iên­cias diver­sas, seja no âmbito inter­no seja no inter­na­cional da vida, na medi­da em que baseadas no respeito inte­gral aos seres humanos, inde­pen­den­te­mente de origem, raça, cor, gênero, e out­ros aspec­tos soci­ais, econômi­cos e cul­tur­ais. Ela indi­ca que todos têm o dev­er de respeitar e pro­mover os dire­itos da natureza e dos out­ros seres humanos, toman­do em con­sid­er­ação as desigual­dades exis­tentes, as difi­cul­dades que se con­statam no dia a dia, a dis­tribuição injus­ta, porque dese­qui­li­bra­da, de modo grave e pro­fun­do dos bens da existên­cia. Ela impli­ca, pois, na for­mu­lação de uma Novo Regime Políti­co, que apri­more a rep­re­sen­tação, pelo recon­hec­i­men­to da desigual­dade de aces­so e sua cor­reção, e abra as por­tas da par­tic­i­pação efe­ti­va de todos. Ela exige não ape­nas o recon­hec­i­men­to de val­ores da democ­ra­cia, mas sua efe­ti­vação, assim por meio de novos mecan­is­mos que per­mi­tam extin­guir priv­ilé­gios e deter­minem o aces­so igual, o que chamo de Mecan­is­mos de Exer­cí­cio de Dire­itos para os desiguais, os vul­neráveis. Impli­ca na for­mu­lação de um Novo Sis­tema Jurídi­co, que apro­funde a relação entre Rule-of-Law, Dire­itos Humanos e Democ­ra­cia, por meio da implan­tação de mecan­is­mos de dis­tribuição jus­ta de bens, dire­itos e respon­s­abil­i­dades, e for­mu­lação de proces­sos con­sis­tentes em políti­cas públi­cas par­tic­i­pa­ti­vas e de con­t­role democráti­co, de efe­ti­va parce­ria social, a pro­teção de mino­rias con­tra a vio­lên­cia do Esta­do, das polí­cias, e dos poderosos. Igual­mente a for­mu­lação e exe­cução de Novo Regime Socioe­conômi­co, que ten­ha por base a pro­dução, a cir­cu­lação, o con­sumo e o descarte de bens, ten­do como núcleo o ser humano e não o lucro, a explo­ração nem a opressão, mas as efe­ti­vas neces­si­dades e desen­volvi­men­to inte­gral, pelo tra­bal­ho e pelo empreendimento.

Muito bem, está assim pos­to o Novo Orde­na­men­to Jurídi­co-Políti­co, que fig­urou a Nova Ordem dos Deveres e das Respon­s­abil­i­dades. Mas havia dito que há uma oposição a tudo isso, que expli­caria esse movi­men­to con­tra­ditório. Uma con­trariedade ao está­gio altís­si­mo de civ­i­liza­ção expres­so ness­es doc­u­men­tos que referi, assim como em muitos out­ros de âmbito local, nacional, region­al e inter­na­cional., muitas out­ras iniciativas.

Essa oposição está expres­sa, claro, nos ben­efi­ciários das lacu­nas da anti­ga Ordem dos Dire­itos, mes­mo de suas ambigu­idades. A Anti­ga Ordem fala­va em dire­itos, e ess­es ora opos­i­tores a inter­pre­tam como sendo dire­itos de exclu­sivi­dade, priv­ilé­gios obti­dos por origem, fil­i­ação, cor­po­ração e din­heiro; dizia de liber­dades, o que inter­pre­tam como liber­dades econômi­cas de explo­ração e opressão, livre ini­cia­ti­va de esta­b­ele­cer, com a uti­liza­ção de meios téc­ni­cos e tec­nolo­gia, novas for­mas de explo­ração e opressão social, assim como a per­manên­cia das relações de sub­al­ternidade no âmbito do tra­bal­ho e da vida social; fala­va de igual­dade, e a inter­pre­tam como igual­dade for­mal, sem con­se­quên­cias de trans­for­mação nem mudança, mera garan­tia de que as coisas con­tin­uar­i­am a ser como sem­pre foram, ou, no diz­er de George Orwell, alguns serem mais iguais do que out­ros; dizia mes­mo de frater­nidade, e inter­pre­tam como sendo a cari­dade e a tol­erân­cia de alguns, basea­d­os em seus princí­pios par­tic­u­lares de ordem reli­giosa e cul­tur­al, de imporem val­ores a todos os demais, exigin­do sua con­ver­são e sub­mis­são a for­mas de vida diver­sas daque­las que os car­ac­ter­i­zam e jus­ti­fi­cam meios diver­sos de relação com a natureza e os out­ros, com os bens nat­u­rais e cul­tur­ais; dizia de segu­rança, e a inter­pre­tam como sendo o dire­ito de alguns con­tra todos os out­ros de usar a vio­lên­cia e mes­mo o ain­da inal­cança­do monopólio do uso legí­ti­mo da vio­lên­cia pelo Esta­do, para que pos­sam oprim­ir os demais, con­dená-los a viv­er nos espaços per­iféri­cos do Mun­do, ten­do como inimi­gos os que os dev­e­ri­am pro­te­ger. E assim por diante.

O que agra­va tal oposição é o fato de, numa ordem flu­i­da, as infor­mações e a edu­cação cir­cu­larem de modo desigual, per­mitin­do que as fal­sas notí­cias e as fal­sas con­cepções de fatos e de mun­do per­turbem a com­preen­são da maio­r­ia, que é lev­a­da a dar suporte a pro­je­tos políti­cos e a regimes anti­con­sti­tu­cionais (antagôni­cos mes­mo da Ordem dos Dire­itos e de sua con­sagração nas Con­sti­tu­ições), assim como a ações jurídi­cas de guer­ra (law­fare e ativis­mo judi­cial), em que são visa­dos defen­sores dos dire­itos e dos inter­ess­es da maio­r­ia. Por­tan­to, gov­er­nos ilegí­ti­mos ocu­pam a esfera públi­ca e a trans­for­mam em instru­men­to da preser­vação dos anti­gos dire­itos, inter­pre­ta­dos como priv­ilé­gio de poucos, com suporte de juris­tas, agentes do Esta­do, setores soci­ais e reli­giosos, cor­po­rações nacionais e inter­na­cionais, sis­temas de edu­cação nacionais e estrangeiros de suporte de desigualdade.

Sim, a vida está fora de equi­líbrio. Mas o Mun­do e, espe­cial­mente, o Brasil pas­sam por um evi­dente proces­so de dev­as­tação ambi­en­tal, em que os mecan­is­mos de con­t­role não fun­cionam (ou sequer querem fun­cionar, nem pare­cem aptos a fun­cionar), na imple­men­tação de anti-políti­cas públi­cas, que favore­cem e incen­ti­vam a destru­ição, por meio de queimadas e invasões de áreas pro­te­gi­das.  O caso das queimadas é ape­nas um dos tan­tos casos, em que se reti­ra a pro­teção para pos­si­bil­i­tar o avanço de ativi­dades insus­ten­táveis. O caso do mangue, out­ro. Sequer o novo Códi­go Flo­rest­lal (já é ruim con­statar ter pas­sa­do uma refor­ma noci­va, ape­sar de tan­tos protestos) é respeita­do. Que diz­er da Con­sti­tu­ição e dos trata­dos internacionais.

Enfim, essa nova onda de destru­ição é irre­ver­sív­el e pode sig­nificar o fim do Brasil e do Mun­do que con­hece­mos. Porque não se tratará mais de lutar para despoluir rios, por exem­p­lo, mas só de lamen­tar não exi­s­tirem mais flo­restas e matas nativas.

É o pior regime de todos os tem­pos. o “Regime Anti­con­sti­tu­cional” brasileiro, o Regime Rea­cionário de preser­vação de priv­ilé­gios inter­na­cional, como os ten­ho chama­do, implan­ta­dos com base em men­ti­ras e mera entre­ga de tudo à explo­ração mais mesquin­ha privada.

É a vio­lação de dire­itos e deveres irrestri­ta. Como se estivésse­mos assistin­do, no fun­do de uma cav­er­na, aos filmes de Reg­gio inúmeras vezes, estáti­cos, apáti­cos, sem esboçar reação, hip­no­ti­za­dos pelo anda­men­to das músi­cas de Phillip Glass, que nos embal­am como pri­sioneiros ata­dos uns aos out­ros, desam­para­dos e  impo­tentes diante dos mon­stros ger­a­dos pelas som­bras da desumanidade.

O Rio e suas Cidades

O Rio e suas Cidades

Alfre­do Attié fala dos cam­in­hos e descam­in­hos do Rio Tietê e da importân­cia de sua despoluição para a natureza, para a cul­tura, para a história  e para o futuro, no arti­go a seguir. (1)

 

O Rio e suas Cidades

Alfre­do Attié (Filó­so­fo, Jurista e Escritor, é Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, que pre­side, e exerce a função de desem­bar­gador, em São Paulo)

“A cul­pa é tua, Pai Tietê … si as tuas águas estão podres de fel e majes­tade falsa?”

Há esse Rio, que, recu­san­do a ten­tação de se lançar ime­di­ata­mente nas águas con­vida­ti­vas do Oceano, de passear pelas pra­ias que tan­to ani­mam a sen­su­al­i­dade humana, atrav­es­sa, com insistên­cia tur­rona, todo o sertão paulista, para desem­bo­car num rio maior, con­tornar e delin­ear divisas, para enfim ati­rar-se na Bacia que abri­ga o son­ho de um con­ti­nente inde­pen­dente e alti­vo diante do mun­do povoa­do de movi­men­tos de incerteza e conflitos.

Mario de Andrade pen­sou a relação entre esse Rio Tietê e as exper­iên­cias da existên­cia, em ger­al, e de sua própria vida, em par­tic­u­lar, num poe­ma lon­go, sin­u­oso, e cheio de aci­dentes e fig­uras que lem­bram o cur­so das águas e sua impli­cação no des­ti­no humano, indi­vid­ual, social, político.

As cidades, sobre­tu­do, con­for­mam esse fluxo. As peque­nas vilas quase rurais ao pé da Ser­ra do Sabaú­na, o ingres­so na Metró­pole paulis­tana; a influên­cia da poluição pesa­da dos aflu­entes met­ro­pol­i­tanos, o Taman­d­u­ateí e o Pin­heiros, que alargam o vale do Rio para além de seu cur­so, con­stru­in­do o suporte energéti­co e cul­tur­al da repre­sa e da usi­na, encon­tran­do para o Rio o (des)caminho ou a pic­a­da da ser­ra do Mar e da pas­sagem pela indús­tria petrolífera de Cubatão, até desem­bo­car no Oceano; ain­da, o  seguir difí­cil pelo seu Vale orig­i­nal, chama­do de Médio e Baixo, onde encon­tra e expli­ca a história colo­nial, da toma­da do sertão brasileiro, com o con­ta­to vio­len­to com os povos nativos, sua assim­i­lação força­da, a con­strução de um patrimônio cul­tur­al mar­ca­do pela imposição mis­sionária; depois os vários Saltos, que impli­cam um proces­so de indus­tri­al­iza­ção pre­coce, mar­ca­do por influên­cias pluri­na­cionais, das quais salien­to a de fonte africana, na fundição de metais na Bacia de out­ro aflu­ente impor­tante do Tietê, o rio Soro­ca­ba, com o qual for­ja o chama­do Vale Médio, que pos­sui um Comitê de Bacia exclu­si­vo, do qual fiz parte, na primeira gestão, como rep­re­sen­tante da sociedade civ­il, por meio de uma asso­ci­ação que teve raiz na cidade de Salto (o SAOJUS)– da qual fazia parte o atu­al Prefeito eleito da cidade — que teve papel impor­tante na redação dos estatu­tos do mes­mo CDH-SMT; a seguir, segue o cur­so em direção ao rio Paraná, pela região mais naveg­áv­el, que con­tém a Usi­na de Bar­ra Boni­ta, além de tan­tas out­ras fontes de ener­gia hídri­ca. 

É um resumo muito breve de um espaço que o Rio per­corre infini­ta­mente, sinal da ren­o­vação ou da per­manên­cia da aflo­ração do novo, como intuíram des­de sem­pre poet­as, filó­so­fos e cien­tis­tas, mas tam­bém de sed­i­men­tação pau­lati­na de uma história, que se faz con­stante movi­men­to, ao para­doxal­mente con­ser­vas suas par­a­gens naqui­lo que chamamos de patrimônio.

Esse patrimônio se asso­cia à natureza, na con­strução de vários elos cul­tur­ais, rep­re­sen­ta­dos sobre­tu­do pelas cidades, que são nós em que o fluxo flu­vial semeia as condições de fix­ação de ter­ritórios e povos.

 

 

Se o Rio é o aspec­to nat­ur­al fun­da­men­tal, condição pre­dom­i­nante para a con­sti­tu­ição de uma comu­nidade de dis­tribuição de ativi­dades soci­ais e econômi­cas, o ter­ritório cor­re­sponde ao lado cul­tur­al, ao per­mi­tir a invenção de demar­cações de iden­ti­dade, em meio à diver­si­dade das mar­cas e mar­cos da natureza. É a atu­ação dos povos sobre esse meio nat­ur­al con­ce­di­do pelas águas que encam­in­ha à con­strução do ter­ritório, pon­to de lig­ação e de imo­bi­liza­ção do cur­so da existên­cia do povo, que se tor­na habi­tante, local­iza­do, citadi­no. O mes­mo Rio, que per­mite a con­cepção de uma existên­cia em fluxo con­stante, como que autor­iza que a existên­cia se torne local ou espa­cial, por­tan­to fix­a­da em um deter­mi­na­do lugar, imóv­el por definição.

O que ocorre, porém, quan­do essas mes­mas cidades — que, em sua origem e em sua história, lig­aram-se ao Rio e que tiver­am nele sua raiz ou razão de vida – desconec­tam-se desse man­an­cial, viram-lhe as costas e pas­sam a (des)cuidar e a (des)tratar de sua sobre­vivên­cia, enxergando‑o ape­nas como espaço de lança­men­to de deje­tos indus­tri­ais e residenciais?

 

 

Não são ape­nas a poluição e as doenças, a elim­inarem fau­na, flo­ra e pop­u­lações, que apare­cem e pas­sam a ser fontes de out­ros tan­tos prob­le­mas de escassez, fome, per­tur­bações de ordem san­itária, ambi­en­tal e mes­mo estéti­ca. Essa que­bra de liame com o Rio traz tam­bém o peso e o dra­ma de um desen­raiza­men­to cul­tur­al e exis­ten­cial. O Rio, ago­ra, poluí­do, é uma pre­sença, que chama a atenção per­ma­nen­te­mente para o que sig­nifi­ca, como refer­ên­cia ambi­en­tal e cul­tur­al, e que apon­ta para a deses­per­ança na capaci­dade humana de regen­er­ação e ren­o­vação. O cur­so das águas deixa de ser fonte de vida para se tornar fonte de con­fli­tos. Para onde levar a poluição, per­gun­tavam-se, com ardorosa paixão – sem qual­quer reflexão racional – os artí­fices de nos­sa primeira reg­u­lação dos recur­sos hídri­cos, no final da últi­ma déca­da do sécu­lo XX. Os habi­tantes da região Met­ro­pol­i­tana que­ri­am se livrar da poluição trazi­da pelo Pin­heiros para a Billings, em razão da opção esta­b­ele­ci­da havia um sécu­lo de alter­ação de seu cur­so, para ger­ar ener­gia. Os habi­tantes do Vale Médio não que­ri­am aceitar rece­ber a poluição da região Met­ro­pol­i­tana, nem as doenças trazi­das pela decisão dra­co­ni­ana de retoma­da do cur­so nat­ur­al do Pin­heiros. O debate ger­ou mui­ta ten­são e, lamen­tavel­mente, ocu­pa as ener­gias, até hoje, daque­les que não dese­jam senão a saúde das águas e dos povos e ter­ritórios que con­for­mam todo o Vale do Rio paulista.

Recen­te­mente, for­mulei uma solução para o prob­le­ma, defin­i­ti­va e no cam­in­ho de regen­er­ação e ren­o­vação dos ambi­entes nat­u­rais e cul­tur­ais do Rio Tietê, em for­ro internacional.

Com sat­is­fação, vejo que os queri­dos ami­gos e ami­gas do INEVAT – cuja nova e jovem Dire­to­ria cumpri­men­to praze­rosa­mente -, con­forme noti­ciou o Ter­ra Tavares, voltam mais uma vez suas pre­ocu­pações para a questão fun­da­men­tal de res­gatar o Rio e suas águas.

Talvez ten­ha chega­do o momen­to do Tietê. Vamos unir nos­sos esforços por esse Rio que nos entre­gou tan­to de si e con­sti­tui muito do que somos e podemos vir a ser. Creio que seria impor­tante que se reini­ci­asse o debate e a ger­ação e dis­cussão de ideias. As cidades do Tietê dev­e­ri­am levar isso avante. Apon­to firme­mente para o Insti­tu­to de Estu­dos Vale do Tietê como a insti­tu­ição que deve levar dar o pas­so inicial.

À inda­gação do Poeta sobre o dese­jo do Rio, respon­do que o Tietê, com certeza, dese­ja-nos levar para um mun­do novo, de rein­venção de sua história e de pre­sença de sua natureza.

 

(1) O arti­go foi pub­li­ca­do, orig­i­nal­mente, em dezem­bro de 2020, no Jor­nal Ter­ra Tavares, da região do Vale do Rio Tietê.

A Importância da Vacina

A Importância da Vacina

No pre­sente arti­go, a médi­ca Meli­na Pec­o­ra fala sobre a importân­cia da Vaci­na e dos cuida­dos para que se pos­sa super­ar com segu­rança a pandemia.

 

AS VACINAS CONTRA O NOVO CORONAVÍRUS: PRIORIDADES, E MECANISMOS DE IMUNIZAÇÃO

Meli­na Pec­o­ra (médi­ca for­ma­da pela Uni­ver­si­dade de São Paulo, títu­los de espe­cial­ista em Pedi­a­tria e UTI Neona­tal, advo­ga­da, pesquisadora)

 

Des­de janeiro de 2020, quan­do retornei de uma breve esta­da na Itália, mais pre­cisa­mente da região do Piemonte,  onde hou­ve o iní­cio da explosão da Covid 19, ven­ho me apro­fun­dan­do no tema, estu­dan­do e apren­den­do, sem­pre em conexão com cole­gas de fac­ul­dade, que estão ago­ra tra­bal­han­do em Oxford, em pesquisas voltadas para uma imu­niza­ção ráp­i­da e segura.

Pri­or­itário se faz, para nós pesquisadores o exer­cí­cio de obser­var, sem­pre com a dev­i­da humil­dade do quão pouco ou nada sabe­mos, pois, sem isso, inca­pazes seríamos de evoluir em nos­sos conhecimentos.

De pri­ma farei uma reflexão breve sobre a história da vaci­nação. Procu­ran­do ser téc­ni­ca aci­ma de tudo e sem paixões ou emoções, porém não pode­ria deixar de con­sid­er­ar as min­has exper­iên­cias pes­soais, quan­do estas estão eivadas de exper­iên­cia profis­sion­al, sem­pre pau­ta­da na ciên­cia ou seja, na med­i­c­i­na basea­da em evidências.

Como pedi­atra e Inten­sivista Neona­tal, com exper­iên­cia de 20 anos, em Unidade de Ter­apia Inten­si­va (UTI) Neona­tal, pude con­statar tan­to através da práti­ca médi­ca, quan­to da pesquisa cien­tí­fi­ca a importân­cia da imu­niza­ção para um desen­volvi­men­to saudáv­el do ser humano.

A história das vaci­nas começou em mea­d­os do Sécu­lo XVIII, com a descober­ta da vaci­na anti-varío­la. Edward Jen­ner con­sta­tou que ao inoc­u­lar secreção de alguém com a doença, a pes­soa evoluiria com for­mas bran­das e, este ser se tornar­ia imune.

Cow­pox – a varío­la das vacas, obser­vou-se tam­bém, que as pes­soas que orden­havam as vacas apre­sen­tavam imu­nidade con­tra a patologia.

A descober­ta das vaci­nas vem a ser um mar­co, sendo a maior con­quista da Saúde Públi­ca, o que vem a evi­tar mil­hões de mortes todos os anos.

Con­sideran­do difer­entes proces­sos, a chave para o suces­so é a pro­dução de antígenos no hospedeiro.

O antígeno (parte inte­grante do vírus/bactéria em questão)  irá induzir uma respos­ta do hos­pedeiro, recon­hecen­do aque­la porção como non self (não próprio)  e reagindo.

A inoc­u­lação poderá ser de vírus vivo ou aten­u­a­do (enfraque­ci­do), o que irá estim­u­lar a pro­dução de anticorpos.

As vaci­nas tam­bém podem advir de antígenos ina­ti­va­dos ou mor­tos. Neste caso os vírus são mor­tos por trata­men­to tér­mi­co ou pro­du­tos quími­cos, o que faz mod­i­ficar as pro­teí­nas e áci­dos nucle­icos do vírus ou bac­térias levan­do a sua inativação.

As vaci­nas ain­da posem ser pro­duzi­das por pedaços de vírus ou bac­térias, como é o caso da vaci­na con­tra coqueluche ou tétano.

Há, inclu­sive, as vaci­nas pro­duzi­das através de DNA recom­bi­nante. O DNA é o mate­r­i­al genéti­co do antígeno. São as vaci­nas geneti­ca­mente desen­volvi­das, estas causam pouco ou nen­hum efeito no hos­pedeiro, com a máx­i­ma eficá­cia, ou seja, nív­el de imu­niza­ção e pro­dução de anti­cor­pos. A vaci­na con­tra hepatite B é um exem­p­lo deste tipo de imu­niza­ção, pro­duzi­da por engen­haria genética.

Por óbvio há out­ros ingre­di­entes a inte­grar as vaci­nas, são os estabilizadores.

Em 1902 hou­ve o movi­men­to chama­do “A Revol­ta das Vaci­nas”  no Rio de Janeiro, e, enquan­to a varío­la se espal­ha­va, parcela da pop­u­lação sim­ples­mente se recusa­va a vaci­nar seus fil­hos. Nes­ta época o médi­co Oswal­do Cruz, então dire­tor de Saúde Públi­ca pre­ceitu­a­va que se evi­tassem aglom­er­ações e pre­coni­zou a vaci­nação obrigatória.

Em 26 de fevereiro de 1998, o medico Andrew Wake­field, real­i­zou pesquisa pre­lim­i­nar com 12 cri­anças que foi pub­li­ca­da na Revista Lancet. Seu espaço amostral era restri­to e o coe­fi­ciente da val­i­dade p, com sig­nificân­cia < 0,05.

A sua pesquisa deu origem a uma con­tro­vér­sia entre o autismo e a vaci­nação. E, hou­ve na Europa, uma diminuição maciça da imu­niza­ção, decor­rente da pub­li­cação deste Tra­bal­ho, o que cul­mi­nou com uma epi­demia de Sarampo.

Em 2004 o Insti­tu­to de Med­i­c­i­na dos Esta­dos Unidos da Améri­ca con­sta­tou não exi­s­tir provas que o Autismo tivesse qual­quer relação com o timerosol, sub­stân­cia inte­grante da vaci­na e que ger­ou a polêmi­ca, dan­do iní­cio ao anti-vacinismo.

Ante tudo isso o Estu­do de Wake­field pas­sou a ser con­sid­er­a­do sem evidên­cias científicas.

Em 2010 O Con­sel­ho Ger­al de Med­i­c­i­na do Reino Unido qual­i­fi­cou o médi­co como inap­to para exercer a profis­são e a Lancet se retratou.

Em nos­so país, na últi­ma déca­da hou­ve um movi­men­to no sen­ti­do de pais que evi­tam vaci­nar seus filhos.

Dizem haver asso­ci­ação entre as vaci­nas e algu­mas condições, ape­sar de muitos estu­dos com­pro­varem o contrário.

A Comu­nidade Cien­tí­fi­ca como um todo, bem como a Orga­ni­za­ção Mundi­al de Saúde (OMS) é unân­ime em diz­er que não há estu­dos que com­pro­vem estes enganos em relação às vaci­nas, entre­tan­to exis­tem diver­sos tra­bal­hos (esta­tis­ti­ca­mente sig­ni­fica­tivos) que com­pro­vam os bene­fí­cios das vacinas.

A diminuição da mor­tal­i­dade infan­til no Brasil se deve à vaci­nação e, não pro­ce­dem falas do tipo: “Meu fil­ho é saudáv­el e não pre­cisa vacinas.”

Ain­da temos no mun­do casos de pólio e saram­po, como mostra o sur­to na Europa.

A teo­ria defen­di­da pelo movi­men­to anti-vaci­na, que argu­men­ta que as vaci­nas lev­am a lucros exor­bi­tantes para as indús­trias far­ma­cêu­ti­cas tam­bém não se sus­ten­ta, uma vez que grande parcela das vaci­nas são feitas em lab­o­ratórios públi­cos, a exem­p­lo do Insti­tu­to Butantã.

O lucro da Indús­tria Far­ma­cêu­ti­ca com vaci­nas é infini­ta­mente menor do que com qual­quer out­ro medicamento.

Hoje, segun­do a OMS as vaci­nas sal­vam de dois à três mil­hões de vidas ao ano.

No que tange às per­spec­ti­vas da Imu­niza­ção con­tra o Novo Coro­n­avírus, ao redor do mun­do há várias vaci­nas em está­gios avançados.

Segun­do a OMS há em torno de 133 can­didatos à imu­niza­ção em todo o mun­do con­tra o Covid ‑19.

O Novo Coro­n­avírus é um vírus que sofre pro­gres­si­vas mutações em seu mate­r­i­al genéti­co, sendo assim, as pesquisas de imu­niza­ção neces­si­tarão estar em con­stante revalidação.

É necessário, para se cri­ar uma vaci­na con­tra deter­mi­na­do antígeno que se respeit­em algu­mas fas­es da pesquisa.

A primeira fase requer a iden­ti­fi­cação das molécu­las antí­ge­nas, isto é, aque­las que serão iden­ti­fi­cadas como os estí­mu­lo exter­no a serem inje­ta­dos no hos­pedeiro e que irão causar a pro­dução de anti­cor­pos. É uma fase des­ti­na­da a se iso­lar os com­po­nentes respon­sáveis em um vírus ou bactéria.

Num segun­do momen­to, ain­da pré-clíni­co, há a val­i­dação em organ­is­mos vivos, a exem­p­lo de camundongos.

Na ter­ceira fase há um ensaio em larga escala, respon­sáv­el por tes­tar eficá­cia e segurança.

Em nos­so país, as agên­cias reg­u­lado­ras serão as respon­sáveis por aprovar o pro­du­to e lib­er­ar a pro­dução e distribuição.

A imu­niza­ção de reban­ho ou vaci­nação em mas­sa é uma eta­pa mais pos­te­ri­or, em que a eficá­cia e segu­rança pos­si­bil­i­tarão o con­t­role da doença.

E, emb­o­ra os estu­dos avancem, não vejo per­spec­ti­vas de vaci­nação em mas­sa antes de jul­ho de 2021.

Pesquisa Cien­tí­fi­ca, pub­li­ca­da no New Eng­land Jour­nal of Med­i­cine, em 12 de novem­bro de 2020, inti­t­u­la­da “Uma vaci­na de mRNA con­tra SARS-CoV­‑2 — Relatório Pre­lim­i­nar”[1], evi­den­ciou que: Após a primeira vaci­nação, as respostas de anti­cor­pos foram maiores com a dose mais alta (dia 29 de ensaio imu­noen­z­imáti­co anti-S-2P títu­lo médio geométri­co [GMT], 40.227 no grupo de 25 μg, 109.209 no grupo de 100 μg, e 213.526 no grupo de 250 μg). 

Após a segun­da vaci­nação, os títu­los aumen­taram (dia 57 GMT, 299.751, 782.719 e 1.192.154, respectivamente). 

Após a segun­da vaci­nação, a ativi­dade séri­ca neu­tral­izante foi detec­ta­da por dois méto­dos em todos os par­tic­i­pantes avali­a­dos, com val­ores geral­mente semel­hantes aos da metade supe­ri­or da dis­tribuição de um painel de amostras de soro de con­va­lescença de con­t­role

Os even­tos adver­sos solic­i­ta­dos que ocor­reram em mais da metade dos par­tic­i­pantes incluíram fadi­ga, calafrios, dor de cabeça, mial­gia e dor no local da injeção. Os even­tos adver­sos sistêmi­cos foram mais comuns após a segun­da vaci­nação, con­cluin­do que A vaci­na mRNA-1273 induz­iu respostas imunes anti-SARS-CoV­‑2 em todos os par­tic­i­pantes, e nen­hu­ma pre­ocu­pação de segu­rança lim­i­tante do ensaio foi iden­ti­fi­ca­da. Ess­es acha­dos apói­am o desen­volvi­men­to des­ta vaci­na.”

Em suma, não podemos sus­pender out­ras medi­das de pre­venção con­tra o Novo Coro­n­avírus, a exem­p­lo do uso de más­cara e dis­tan­ci­a­men­to social.

Mes­mo diante dos estu­dos mais promis­sores de imu­niza­ção, uma vez que se tra­ta de um vírus alta­mente mutáv­el as demais medi­das de con­tin­gen­ci­a­men­to da trans­mis­si­bil­i­dade devem ser ado­tadas de maneira con­sciente e em prol de se poupar inúmeras vidas.

 

[1] N Engl J Med 2020; 383: 1920–1931 DOI: 10.1056 / NEJMoa2022483

Estresse do Virtual

Estresse do Virtual

No pre­sente arti­go, pub­li­ca­do orig­i­nal­mente em dezem­bro de 2020, no Jor­nal Ter­ra Tavares, Alfre­do Attié anal­isa os cam­in­hos e os sig­nifi­ca­dos do vir­tu­al e sua relação para­dox­al com o que chamamos de realidade.

 

Estresse do Virtual

Alfre­do Attié (Filó­so­fo, Jurista e Escritor, é Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, que pre­side, e exerce a função de desem­bar­gador, em São Paulo)

“Há uma gota de Kitsch em cada obra de arte”

A pan­demia nos lançou efe­ti­va — e defin­i­ti­va­mente (será?) — no mun­do vir­tu­al, assim operan­do uma rev­olução no modo como exper­i­men­ta­mos a vida e o que chamamos de realidade.

Para con­statar isso bas­ta uma leitu­ra ligeira da impren­sa escri­ta, que se tornou, quase que com­ple­ta­mente, uma série de comen­tários frag­men­tários do que ocorre nesse mun­do que nos rela­ciona – nós, cada vez mais, indi­ví­du­os iso­la­dos  e auto referi­dos – com as telas dos com­puta­dores e dos smart­phones, ger­ado­ras de ima­gens, filmes, games, tex­tos, sons, ruí­dos, exibições, dados, em posts, lives e stream­ings, por meio das quais pas­samos a realizar das mais sim­ples às mais com­plexas ativi­dades cotid­i­anas, da infor­mação à comunicação.

Quem é você aí atrás dessa tela, per­gun­ta­mos. Talvez devêsse­mos inda­gar mel­hor quem é esse diante dessa tela que se ofer­ece ao meu olhar. Sim, quem é esse “eu” que aparece refleti­do ou inver­tido na tela, cap­tura­do pela peque­na câmera que o apar­el­ho ofer­ece e con­tém. Pen­samos ser sujeitos da infor­mação e da comu­ni­cação, no sen­ti­do ati­vo da palavra, mas, tudo indi­ca, somos mes­mo sujeitos, sub­meti­dos a essa relação – súdi­tos e não cidadãos. O que real­izamos diante da tela não é ativi­dade, mas acom­pan­hamen­to de um fluxo que não con­tro­lam­os, seguimos (mes­mo que sejamos segui­dos, o que vale é a influ­en­ci­ado­ra dig­i­tal, a pes­soa que têm muitos súdi­tos, em números que assom­bram). Se você aparece nesse mun­do – de modo expres­si­vo e não ape­nas oca­sion­al – você nec­es­sari­a­mente será cita­do e chama­do para diz­er algo em todas as out­ras mídias. O que você diz ou ape­nas mostra pas­sa a ter um val­or espe­cial, como o das mer­cado­rias de alto luxo. Daí que há um assan­hamen­to de destaque, uma com­petição de investi­dores para encon­trar a fig­ur­in­ha que é recon­heci­da ime­di­ata­mente, isto é, sem neces­si­dade de medi­ação, de apre­sen­tação, de intro­dução. Ave, César! Salve o imper­ador e a imper­a­triz do império dig­i­tal. Você terá dire­ito ao leit­mo­tiv e à imagem e voz emblemáti­cas de um Darth Vad­er. Ninguém se impor­ta muito, con­scien­te­mente, com a men­sagem que você pas­sa, mas todo mun­do sente a sua pre­sença e sabe o que você está trans­mitin­do. Você se tornou meio e isso é sua men­sagem. 

O ter­mo “influ­en­ci­ador” diz tudo isso. Ele con­tém o pre­fixo “in”, que sig­nifi­ca inte­ri­or, de den­tro, mas tam­bém des­igna um movi­men­to que é do exte­ri­or ao inte­ri­or, de pen­e­tração. E ref­ere a “fluên­cia” em que se recon­hece o saber que, hoje, impor­ta, quer diz­er, o fluxo inin­ter­rup­to, com a enton­ação cer­ta. Vul­gar­mente, dize­mos que quem é flu­ente, sabe. Pois a fluên­cia deter­mi­na que não haja inter­va­l­os, momen­tos de reflexão, titubeios, inde­cisão, dúvi­das. A influên­cia é a ação de alguém ou algo sobre out­ra pes­soa ou coisa, (pre)domínio. Influên­cia é poder, numa relação desigual. Crédi­to, ou seja, aque­la situ­ação em que se pode diz­er “põe na min­ha con­ta”. Se você não é influ­en­ci­ador, você empres­ta a autori­dade de um deles, e cita, ou ape­nas chama alguém para assi­s­tir a uma breve per­for­mance de sua influ­en­ci­ado­ra favorita. Não impor­ta o tema, a influên­cia é, por (ausên­cia de) definição, genéri­ca. Qual­quer assun­to vale, porque tudo é trata­do na super­fí­cie de tal modo que não é pos­sív­el con­fir­mar. O saber influ­en­ci­ador não tem auto­ria nem assi­natu­ra, ele é apan­hado de qual­quer lado, tem­po, lugar e, repro­duzi­do assim, na for­ma de um plá­gio espetac­u­lar, impõe-se, impera.

Mas a pan­demia trouxe uma novi­dade diante desse fluxo de mer­cado­rias influ­en­ci­ado­ras. Ela mostrou que qual­quer pes­soa pode pro­duzir seu acon­tec­i­men­to. Sim, o número de lives cresceu, o número de pes­soas que pas­saram a se dedicar a faz­er suas lives, tam­bém, muito emb­o­ra as estatís­ti­cas pre­fi­ram con­tar o número de views e do públi­co que segue as pro­duções mais caras e profissionais.

Esse cresci­men­to do número de ger­adores de con­teú­do cor­re­sponde à agudiza­ção de uma tendên­cia, que chamo de frag­men­tação e difusão do espaço públi­co. Seria algo assim como o aban­dono das arquiban­cadas por uma boa parte (não a maio­r­ia) de torce­dores, e sua invasão do espaço insti­tu­cional, exclu­si­vo do cam­po de fute­bol. Ali, ess­es inva­sores ou hack­ers, que pas­sam a jog­ar seu próprio jogo. Eles não cri­am seu próprio espaço, muito menos dese­jam se lim­i­tar a um mun­do pri­va­do. Ocu­pam o espaço que é mostra­do como plane­ja­do e con­struí­do para a fruição comum, mas que é, na ver­dade, exclu­si­vo dos poucos que têm aces­so autor­iza­do a ele. Ali, fazem cortes brus­cos e pas­sam a expor o que querem, seu con­teú­do, que bor­ra aque­le con­teú­do que era apre­sen­ta­do como con­teú­do nor­mal, norma­ti­za­do, pre­ten­sa­mente uni­ver­sal. Os inva­sores são pro­du­tores de um espaço públi­co novo. Vejam que o ter­mo “invasão” guar­da o mes­mo pre­fixo “in”, que sig­nifi­ca intro­jeção, ingres­so, movi­men­to de fora para den­tro. Sua raiz não é a do fluxo, con­tu­do, mas a do esta­b­elec­i­men­to, con­quis­tar à força para ocu­par, per­manecer. A invasão é como que a inter­rupção do fluxo, con­strução de ilhas que sep­a­ram as sequên­cias pre­ten­sa­mente lin­ear­es, de clareiras em meio à flo­res­ta arti­fi­cial que se dese­ja­va límp­i­da da fluência.

Claro que o mun­do dos influ­en­ci­adores bus­ca se defend­er, resta­b­ele­cen­do mar­cas, retoman­do áreas. Dinâmi­co em si, o mun­do da influên­cia procu­ra con­stan­te­mente novos nomes, indo mes­mo atrás de hack­ers que queiram se con­vert­er a sua ordem. Os influ­en­ci­adores, de qual­quer for­ma, pas­sam a cobrar por seu con­teú­do e a pro­duzi-lo de modo espe­cial, fazen­do parce­rias com out­ras mídias mais tradi­cionais, crian­do a aura da exclu­sivi­dade e do luxo. Dis­farçam sua aparição por meio de blo­queios de aces­so, afa­s­tan­do-se da aparên­cia para o mun­do mais cobiça­do do dese­jo. O inva­sor está aí, à mão, aber­to e acessív­el. O influ­en­ci­ador está, ago­ra, dis­tante, não pode ser alcança­do sem pas­sar por asses­so­ria, con­tratos, pon­tos de par­ti­da, condições. Ele se tornou per­son­al­i­dade, pro­te­gi­da por sua importân­cia, inatingível.

O inva­sor con­tin­ua autor. O influ­en­ci­ador se tor­na con­tratante de autores, sua lóg­i­ca pas­sa a ser a da infal­i­bil­i­dade, ao explo­rar o saber ver­dadeiro que se põe a seu serviço, anônimo.

A invasão e o anon­i­ma­to trans­for­mam o fluxo da infor­mação e da comu­ni­cação, mul­ti­pli­can­do, no primeiro caso, a aparên­cia ou aparec­i­men­to; e a sub­mis­são, no segun­do caso, em que a plu­ral­i­dade é escon­di­da, ofer­tan­do-se sob o nome de uma pes­soa só.

Esse proces­so, por assim diz­er, dialéti­co, em que há uma impli­cação con­stante das per­son­agens, car­ac­ter­i­za o uni­ver­so vir­tu­al, que é, por definição, depen­dente do aparec­i­men­to e da aparên­cia, da con­strução de per­son­agens, aves­so a seu antípo­da, o uni­ver­so real.

Real­i­dade e vir­tu­al­i­dade têm par­entescos, mas se dis­tinguem sobre­tu­do pela capaci­dade de serem feitas checa­gens, na primeira, e pela impre­cisão dos con­troles, na segun­da. Daí porque a fluên­cia do fake, das men­ti­ras se tor­na mais fácil no vir­tu­al. A real­i­dade se adap­ta ao tem­po, mas é sobre­tu­do espaço de encon­tro, de com­par­til­hamen­to. A vir­tu­al­i­dade é sobre­tu­do tem­po, iso­la­men­to que se dis­farça em proces­so con­tín­uo de des­en­con­tros. O real é sin­to­nia, simultâ­neo e atu­al — sin­cro­nia, enquan­to o vir­tu­al é diss­in­to­nia, anacro­nia e inat­u­al. O rádio, por exem­p­lo, per­tence ao real, porque exige que se esta­beleça uma lig­ação sin­crôni­ca. O pod­cast, vir­tu­al, porque trans­fere o encon­tro para uma comu­ni­cação ausente. O real pede, ao menos em potên­cia, um diál­o­go. O vir­tu­al espera por fãs, seguidoras.

O fenô­meno da invasão dos espaços vir­tu­ais tem, a meu ver, um sig­nifi­ca­do impor­tante. Acred­i­to que ele aponte para o estresse ou esgo­ta­men­to do vir­tu­al. A pan­demia apro­fun­dou esse sen­ti­men­to. Dese­jamos nova­mente os encon­tros, mas não sabe­mos mais como pro­por­cionar o ambi­ente para que ocor­ram, desapren­demos uma tec­nolo­gia, a téc­ni­ca do real, de realizar, ao ter­mos ado­ta­do a fácil téc­ni­ca das teclas, dos toques e das telas.

Quer­e­mos ser reais, mas não sabe­mos ain­da desven­dar os links que nos lev­em ao mun­do a que gostaríamos de per­tencer. 

Vacinação, Já, Para Todos e Gratuita!

Vacinação, Já, Para Todos e Gratuita!

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, ao lado de cen­te­nas de enti­dades rep­re­sen­ta­ti­vas da sociedade civ­il e dos movi­men­tos soci­ais, encabeça a cam­pan­ha pela Vaci­nação da Covid-19, ime­di­a­ta, uni­ver­sal e gra­tui­ta.

Tra­ta-se de toma­da de posição impor­tante de brasileiros e brasileiras, que se faz em nome da vida e dos val­ores, nor­mas e garan­tias con­sti­tu­cionais e legais.

A saúde, lem­bra o Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas, Alfre­do Attié, é dire­ito fun­da­men­tal, esta­b­ele­ci­do no arti­go 196 da Con­sti­tu­ição Fed­er­al brasileira, que deter­mi­na o dev­er de real­iza­ção de políti­cas públi­cas, econômi­cas e soci­ais para a “redução de doenças e out­ros agravos”, medi­ante o “aces­so uni­ver­sal e igual­itário a ações e serviços de pro­moção, pro­teção e recu­per­ação.” Esse dire­ito, diz Attié, deri­va do val­or fun­da­men­tal da vida, con­sagra­do no arti­go 5o.: “todos são iguais per­ante a lei, sem dis­tinção de qual­quer natureza, garan­ti­n­do-se aos brasileiros e aos estrangeiros res­i­dentes no País a invi­o­la­bil­i­dade do dire­ito à vida.”

O atra­so injus­ti­fi­ca­do na toma­da de medi­das para pro­te­ger brasileiros e estrangeiros que vivem no Brasil con­figu­ra crime de respon­s­abil­i­dade, acres­cen­ta, nos ter­nos do arti­go 85 da mes­ma Con­sti­tu­ição, que ref­ere e tip­i­fi­ca os atos do Pres­i­dente da Repúbli­ca con­tra o ” exer­cí­cio dos dire­itos… indi­vid­u­ais e soci­ais; e o  o cumpri­men­to das leis,” insiste o Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, ao faz­er alusão à Lei 8080/1990, que reg­u­la­men­ta a Con­sti­tu­ição, e estip­u­la, em seu arti­go 2º, que “a saúde é um dire­ito fun­da­men­tal do ser humano, deven­do o Esta­do prover as condições indis­pen­sáveis ao seu pleno exer­cí­cio; e que é dev­er do Esta­do “garan­tir a saúde con­siste na for­mu­lação e exe­cução de políti­cas econômi­cas e soci­ais que visem à redução de riscos de doenças e de out­ros agravos e no esta­b­elec­i­men­to de condições que asse­gurem aces­so uni­ver­sal e igual­itário às ações e aos serviços para a sua pro­moção, pro­teção e recu­per­ação.

Leia, a seguir, o man­i­festo das enti­dades, que ini­cia­rão sua cam­pan­ha no dia 14 de janeiro de 2021, próx­i­ma quin­ta-feira, em even­to ao vivo, que será trans­mi­ti­do no canal YouTube da Seção de São Paulo da Ordem dos Advo­ga­dos do Brasil. A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito é rep­re­sen­ta­da nesse movi­men­to, ini­ci­a­do em 3 de janeiro, pelo Acadêmi­co Tit­u­lar Mau­rides de Melo, Advo­ga­do e Pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade Mackenzie.
ENTIDADES EXIGEM VACINAÇÃO JÁ!Há um ano na Chi­na sur­gi­ram os primeiros sinais de uma nova doença, a Covid-19, provo­ca­da por um novo tipo de coro­n­avírus. Em poucos meses, trans­for­mou-se numa pan­demia mundi­al, provo­can­do a maior e mais grave crise human­itária em tem­pos de paz, acen­tuan­do as condições de mis­er­abil­i­dade, espe­cial­mente entre aque­les mais expos­tos à vul­ner­a­bil­i­dade, como os moradores em situ­ação de rua, de comu­nidades per­iféri­c­as e das comu­nidades tradi­cionais, todos com deman­das urgentes de atendi­men­to de saúde, atenção bási­ca e ren­da para sobreviver.
A pan­demia provo­ca­da pelo novo coro­n­avírus (Sars-CoV­‑2) impôs uma série de restrições no modo de vida da pop­u­lação, quer seja pelo iso­la­men­to social, quer seja pela ade­quação aos pro­to­co­los e cuida­dos para aque­les e aque­las que con­tin­uaram nas funções lab­o­rais fun­da­men­tais, para que as condições mín­i­mas de vida fos­sem man­ti­das, mes­mo com risco de con­t­a­m­i­nação, como os profis­sion­ais de saúde, de assistên­cia social, de segu­rança públi­ca e de serviços essenciais.
Os números de con­t­a­m­i­na­dos e mortes são cat­a­stró­fi­cos, no mun­do e no Brasil. Somadas as duas ondas da doença, o mun­do chega, neste ter­ceiro dia de 2021, aos 84 mil­hões de infec­ta­dos, com 1,83 mil­hão de mor­tos, e o Brasil soma 7,7 mil­hões de doentes, com 195 mil mortos.
A urgên­cia por vaci­nas que inter­rompam essa escal­a­da mortífera fez com que hou­vesse um enorme esforço cien­tí­fi­co mundi­al, de lab­o­ratórios, fun­dações, uni­ver­si­dades, insti­tu­ições públi­cas e pri­vadas, com pesquisas, testes e pro­dução das esper­adas vaci­nas, que ali­men­tam as esper­anças da humanidade pela cura. Des­de out­ubro de 2020, as primeiras vaci­nas começaram a ter sua lib­er­ação final para uso em escala mundial.
Na con­tramão desse esforço, o Gov­er­no Fed­er­al, des­de o iní­cio, tem a pos­tu­ra de negação da doença, e ten­ta impedir que os gov­er­nos estad­u­ais e munic­i­pais pro­te­jam as suas pop­u­lações com iso­la­men­to social e, em alguns lugares, com o uso da par­al­isação com­ple­ta da econo­mia. Ess­es gov­er­nos estad­u­ais e munic­i­pais tiver­am difi­cul­dades em com­prar equipa­men­tos essen­ci­ais, como os usa­dos em UTIs, res­pi­radores, para sal­var vidas e evi­tar que a pan­demia ficas­se com­ple­ta­mente fora de controle.
As vaci­nas, que trazem um alen­to ao com­bate mais efe­ti­vo da Covid-19, mais uma vez não são pri­or­i­dade do Gov­er­no Fed­er­al. O Con­gres­so Nacional aprovou, na LDO (Lei de Dire­trizes Orça­men­tária), uma autor­iza­ção prévia de gas­tos não vin­cu­la­dos às receitas para per­mi­tir que o Gov­er­no pos­sa gas­tar no esforço da vaci­nação ampla. O Gov­er­no Fed­er­al, entre­tan­to, vetou essa pre­visão legal.
O Brasil é um dos últi­mos país­es do mun­do em que não há plano de vaci­nação, nem mes­mo de com­pro­mis­so de com­pras dos insumos bási­cos necessários para essa imu­niza­ção. O Insti­tu­to Butan­tan e a Fun­dação Fiocruz se somaram aos esforços de Chi­na e Inglater­ra, respec­ti­va­mente, nas pesquisas e ago­ra pro­dução de vaci­nas que podem sal­var mil­hões de vidas. A Anvisa, no entan­to, impôs condições ina­ceitáveis para a lib­er­ação da pro­dução e/ou a impor­tação dos insumos para a sua produção.
Con­sta­ta-se, assim, obje­ti­va­mente, que todos ess­es esforços em bus­ca da vaci­na, e até antes, no com­bate à pan­demia, causaram uma clara divisão no país. O Gov­er­no Fed­er­al não só nega a doença como age con­tra o seu com­bate, numa clara demon­stração de irre­spon­s­abil­i­dade com a saúde e a vida da população.
O veto aos gas­tos espe­ci­ais para a aquisição das vaci­nas, deci­di­do pelo viés ide­ológi­co do ajuste fis­cal, não se sus­ten­ta, pois são de maior mon­ta os gas­tos com hos­pi­tais, com UTIs, com remé­dios, com a par­al­isia da econo­mia, além de, prin­ci­pal­mente, o val­or ines­timáv­el da per­da de vidas humanas.
Neste momen­to em que há vaci­nas disponíveis no mer­ca­do, o gov­er­no brasileiro não apre­sen­ta nen­hum plano fac­tív­el de imu­niza­ção, não fez os acor­dos de com­pras que pos­sam cobrir a pop­u­lação e tem pos­to em dúvi­da a eficá­cia das vaci­nas, pro­pon­do inclu­sive uma série de medi­das pro­te­latórias que, se cumpri­das, impedirão a imu­niza­ção no Brasil em 2021.
São impor­tantes as decisões do Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF) de lib­er­ar a aquisição de vaci­nas disponíveis pelos gov­er­nos estad­u­ais, e, ao mes­mo tem­po, de que a Anvisa não pode difi­cul­tar a homolo­gação das vaci­nas, seguin­do a recomen­dação da Orga­ni­za­ção Mundi­al de Saúde (OMS).
É pre­ciso der­rubar o veto, usar todas as instân­cias e poderes para que se rever­ta essa decisão absur­da do Gov­er­no Fed­er­al, que aten­ta con­tra a saúde públi­ca e con­tra a vida.
Nesse sen­ti­do, as enti­dades que sub­screvem esta nota enten­dem que é fun­da­men­tal a mobi­liza­ção da sociedade jun­to aos gov­er­nos estad­u­ais, como o de São Paulo, e aos prefeitos, para que a vaci­nação seja efe­ti­va­da com urgên­cia, sem qual­quer empecil­ho que pos­sa retar­dar o com­bate à doença, pois há novos picos diários de mais de 1.000 (mil) mor­tos e quase 50.000 (cinquen­ta mil) infec­ta­dos, com hos­pi­tais e UTIs em risco de colapso.
Assim, as enti­dades defen­d­em Vaci­nação, Já! Con­tra o veto pres­i­den­cial sobre os gas­tos com a vacinação!
A Vaci­nação Já sig­nifi­ca defend­er a vida, defend­er a Justiça social, o Dire­ito San­itário, a Democ­ra­cia e o Esta­do de Dire­ito, que são os com­pro­mis­sos basi­lares da advo­ca­cia e dos Dire­itos Humanos.
É urgente e é o que se pre­cisa nesse momen­to tão grave.3 de janeiro de 2021.
Entre as enti­dades que tam­bém par­tic­i­pam desse movi­men­to estão a Ordem dos Advo­ga­dos do Brasil, a Con­fer­ên­cia Nacional dos Bis­pos do Brasil, a Asso­ci­ação Brasileira de Impren­sa e a Comis­são de Justiça e Paz da Arquid­io­cese de São Paulo.

Que 2021 seja de superação e realização!

Que 2021 seja de superação e realização!

2020 foi ano difí­cil, pleno de desafios, de renún­cia pes­soal e profis­sion­al, de adap­tação, de sofri­men­to pelas vidas per­di­das em razão da pandemia.

Mas não deix­am­os de lograr con­quis­tas, inven­tar mod­os de nos ver­mos e rela­cion­ar­mos vir­tual­mente, para que o afas­ta­men­to físi­co não se tor­nasse iso­la­men­to social.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito dese­ja Boas Fes­tas a seus Acadêmi­cos e Acadêmi­cas, aos pesquisadores e pesquisado­ras, a seus famil­iares e a todas as pes­soas que acom­pan­ham e par­tic­i­pam de seu tra­bal­ho e com­par­til­ham os mes­mos val­ores e ideais.

2021 vai nos encon­trar mel­hores, mais fortes em decor­rên­cia do novo apren­diza­do, dis­pos­tos a faz­er mais e mel­hor, para  uma sociedade mais digna, solidária, democráti­ca e justa.

Academia Paulista de Direito participa de Evento da OAB/SP sobre Direito de Migrantes e Refugiados

Academia Paulista de Direito participa de Evento da OAB/SP sobre Direito de Migrantes e Refugiados

A Comis­são de Dire­ito de Imi­grantes e Refu­gia­dos da Ordem dos Advo­ga­dos do Brasil, Seção de São Paulo — OAB/SP, pre­si­di­da pela Dra. Car­la Mustafa, real­iz­za nos dias 14 e 15 de dezem­bro, entre 10 e 22 horas, o Con­gres­so de Dire­ito Imi­gratório e Mobil­i­dade Humana, com inten­sa ativi­dade e par­tic­i­pação de impor­tantes espe­cial­is­tas, rep­re­sen­tantes de enti­dades públi­cas e da sociedade civ­il que exercem impor­tante função na defe­sa, garan­tia, acol­hi­men­to e imple­men­tação dos dire­itos rel­a­tivos a migraç­nao e refúgio.

No iní­cio da noite do dia 14, segun­da-feira, das 19 às 21 horas, no Painel 3, “Lei de Migração: Avanços e Desafios na Imple­men­tação de Políti­cas Migratórias no Brasil”, falarão, sob a medi­aç­nao de Cel­so de Oliveira San­tos, doutoran­do da USP e Coor­de­nador-Adjun­to do Núcleo V do Cen­tro Inter­na­cional de Dire­itos Humanos de São Paulo, vin­cu­la­do à Cadeira San Tia­go Dan­tas, da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito,  Rena­ta Álvares Gas­par, Pro­fes­so­ra da PUC Camp­inas, André de Car­val­ho Ramos, Pro­fes­sor da USP e Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, e Alfre­do Attié, Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas e Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito. Os qua­tro já estiver­am jun­tos, lecio­nan­do no Cur­so de Exten­são de Dire­itos Humanos, pro­movi­do pela Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, no iní­cio de 2020, sob a coor­de­nação de Cel­so San­tos e Alfre­do Attié.

Veja, aqui, a pro­gra­mação com­ple­ta do even­to, que con­tará com palestras de Paulo Bor­ba Casel­la e de Car­la Mustafa, assim como com a pre­sença do Pres­i­dente Caio Augus­to Sil­va San­tos, e do Vice-Pres­i­dente Ricar­do Tole­do San­tos Fil­ho da OAB/SP.

Pro­gra­mação:

O even­to terá como tema “O Papel da Advo­ca­cia, das Insti­tu­ições e da Sociedade Civ­il na defe­sa dos dire­itos dos migrantes e refu­gia­dos” com obje­ti­vo de debater as questões de dire­ito imi­gratório e mobil­i­dade humana na atu­al­i­dade, a par­tir de uma per­spec­ti­va de pro­teção e pro­moção de dire­itos fundamentais.

Dia 14 de dezem­bro de 2020 (segun­da-feira)

10h00 às 12h00

Aber­tu­ra:

Dr. Caio Augus­to Sil­va dos Santos

Pres­i­dente da OAB São Paulo

Tema: Con­fer­ên­cia de Aber­tu­ra: “O Brasil fora do Pacto Glob­al das Migrações”

Palestrante:

Prof. Dr. Paulo Bor­ba Casella

Pro­fes­sor tit­u­lar do Depar­ta­men­to de Dire­ito Inter­na­cional e Com­para­do da Fac­ul­dade de Dire­ito da USP.

Medi­ação:

Car­la Mustafa

Pres­i­dente da Comis­são dos Dire­itos dos Imi­grantes e Refu­gia­dos da OAB SP.

14h00 às 16h00

Painel 1: Estraté­gias de Advo­ca­cy e Artic­u­lação Institucional

Palestrantes:

Paulo Illes

Rede sem Fronteiras

Camil­la Asano
Dire­to­ra de Pro­gra­mas da Conec­tas Dire­itos Humanos

Vic­tor del Vecchio

Refú­gio 343

Kari­na Quintanilha

Cen­tro de Dire­itos Humanos e Cidada­nia do Imi­grante (CDHIC)

Ieda Giri­boni de Mel­lo e Silva

ProMi­gra – Pro­je­to de Pro­moção dos Dire­itos dos Migrantes USP.

Medi­ação:

Dr. Vitor Bastos

17h00 às 19h00

Painel 2: Mobil­i­dade Humana e Interseccionalidades

Natali Mamani

Equipe de Base Warmis Con­vergên­cia de Culturas

Sr.ª. Lara Lopes

Refu­gia­da LGBT+

Sr. Abdul­baset Jarour

Vice Pres­i­dente da Ong África do Coração

Medi­ação:

Dr. Fer­nan­do Zanella

19h00 às 21h00

Painel 3: Lei de Migração: Avanços e desafios na imple­men­tação de políti­cas migratórias no Brasil

Prof.ª. Dr.ª Rena­ta Álvares Gaspar

(PUC-Camp­inas)

Prof. Dr. André de Car­val­ho Ramos (USP)

Prof. Dr. Alfre­do Attié Júnior

Desem­bar­gador no TJ/SP e Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Direito

Medi­ação:

Dr. Cel­so de Oliveira Santos

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Dia 15 de dezem­bro (terça-feira)

10h00 às 12h00

Painel 4: A atu­ação das Insti­tu­ições nas questões de mobil­i­dade humana e dire­ito migratório

Palestrantes:

Dr. João Chaves

Defen­sor Públi­co da União, Coor­de­nador de Migrações e Refú­gio da DPU/SP e do Grupo de Tra­bal­ho Nacional “Migrações, Apa­tridia e Refú­gio” da DPU.

Sr.ª Laís Yumi Nitta
Chefe do Núcleo Region­al da Coor­de­nação-Ger­al do Comitê Nacional para os Refu­gia­dos na cidade de São Paulo do Depar­ta­men­to de Migrações da Sec­re­taria Nacional de Justiça (CG—CONARE).

Sr. Guil­herme Otero
Coor­de­nador de Pro­je­to da Orga­ni­za­ção para as Migrações (OIM)

Drª. Tatiana Rached Campos
Coor­de­nado­ra de Inte­gração da Cidada­nia, rep­re­sen­tan­do a Sec­re­taria da Justiça e Cidada­nia do Esta­do de São Paulo

Sr. Viní­cius Duque

Coor­de­nação de Políti­cas para Migrantes e Pro­moção do Tra­bal­ho Decente da Prefeitu­ra de São Paulo.

Medi­ação:

Dr. Sidar­ta Borges Martins

14h00 às 16h00

Painel 5: Acol­hi­da e Inte­gração de migrantes e refugiados

Palestrantes:

Sr. Padre Pao­lo Parisi

Mis­são Paz

Dr. William Laureano

Assis­tente Sênior de Eleg­i­bil­i­dade do Escritório do ACNUR em São Paulo.  Doutor em Relações Inter­na­cionais pela Uni­ver­si­ty of Sus­sex no Reino Unido, é Pro­fes­sor do Pro­gra­ma de Pós-Grad­u­ação em Relações Inter­na­cionais San Tia­go Dan­tas (UNESP, UNICAMP, PUC-SP) e coor­de­nou ante­ri­or­mente o pro­gra­ma de pro­teção legal da Car­i­tas Arquid­ioce­sana de São Paulo.

Sr. João Marques

Pro­gra­ma de Apoio para a Recolo­cação dos Refu­gia­dos (PARR)

Medi­ação:

Dr. Rogério Cordeiro

Mem­bro da Comis­são dos Dire­itos dos Imi­grantes e Refu­gia­dos OAB SP.

17h00 às 19h00

Painel 6: O Papel da advo­ca­cia e das Comis­sões da OAB na defe­sa dos dire­itos de migrantes e refugiados

Palestrantes:

Drª. Raque­l­ly Portela

Pres­i­dente da Comis­são dos Dire­itos dos Refu­gia­dos e Imi­grantes da OAB AM

Drª. Emília Queiroz

Pres­i­dente da Comis­são de Dire­ito dos Refu­gia­dos da OAB PE

Drª. Car­la Mustafa

Pres­i­dente da Comis­são dos Dire­itos dos Imi­grantes e Refu­gia­dos da OAB SP

Dr.ª Natália Figueiredo

Advo­ga­da, Mestre e Douto­ra pela Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP).

Medi­ação:

Dr. Fab­rizio Jacobuc­ci Advogado

19h00 às 21h00

Encer­ra­men­to: Reflexões e Obje­tivos para a defe­sa e pro­moção dos Dire­itos dos Imi­grantes e Refugiados

Palestrantes: 

Dr. Ricar­do Tole­do San­tos Filho

Vice Pres­i­dente da OAB São Paulo

Sr.ª. Hort­ense Mbuyi

Con­sel­heira no Con­sel­ho Munic­i­pal para Imi­grantes da Prefeitu­ra de São Paulo

Sr. Roque Rena­to Patussi

Coor­de­nador do Cen­tro de Apoio e Pas­toral do Imi­grante e Refu­gia­do (CAMI)

Sr. Vereador Eduar­do Suplicy

Drª Bela Feldman
Pro­fes­so­ra (UNICAMP) 

Medi­ação:

Drª. Car­la Mustafa

Pres­i­dente da Comis­são dos Dire­itos dos Imi­grantes e Refu­gia­dos da OAB SP

Pro­moção:

Comis­são dos Dire­itos dos Imi­grantes e Refu­gia­dos da OAB SP

Apoio:

Comis­são de Cul­tura e Even­tos OAB SP

As inscrições podem ser feitas por meio do aces­so a este link.

Renato Janine Ribeiro recebe título de Acadêmico Emérito da Academia Paulista de Direito

Renato Janine Ribeiro recebe título de Acadêmico Emérito da Academia Paulista de Direito

Rena­to Janine Ribeiro rece­beu, na Aber­tu­ra Solene do II Con­gres­so Inter­na­cional da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, o Títu­lo de Acadêmi­co Eméri­to.

Em cer­imô­nia sim­ples, real­iza­da por meio dig­i­tal, ten­do em vista as restrições impostas pela pan­demia, um dos mais impor­tantes filó­so­fos con­tem­porâ­neos, Rena­to Janine dis­cor­reu sobre Dire­itos Humanos, Justiça e Democ­ra­cia, após a hom­e­nagem que lhe foi presta­da pela Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, por meio de seu Pres­i­dente e Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas, Alfre­do Attié.

Além de Acadêmi­cas eAcadêmi­cos, estiverem pre­sentes ao even­to pesquisado­ras e pesquisadores da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, bem como o Côn­sul-Ger­al da Gré­cia em São Paulo, Stylianos Hour­mouziadis, que pro­feriu a Aula Magna sobre Poe­sia, Cidade e Democracia.

A cer­imô­nia foi ante­cedi­da pela Exposiç­nao Vir­tu­al do artista plás­ti­co Cil­do de Oliveira, sob curado­ria de Alfre­do Attié.

O Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito real­i­zou a palestra de encer­ra­men­to da cer­imô­nia, dis­cor­ren­do sobre as relações entre Justiça e Democracia.

A cer­imô­nia pode ser assis­ti­da por meio do link pre­sente na pági­na do II Con­gres­so Internacional.

Veja, aqui, a pági­na de hom­e­nagem aos Acadêmi­cos Eméri­tos.

Livro celebra e comenta a Nova Lei Brasileira de Migração, que completa três anos

Livro celebra e comenta a Nova Lei Brasileira de Migração, que completa três anos
Com a coor­de­nação de André De Car­val­ho Ramos, Pro­fes­sor da USP, e Luís Rena­to Vedova­to, Pro­fes­sor da Uni­camp, Acadêmi­cos Tit­u­lares da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, e de Rosana Baeninger, Pesquisado­ra da Uni­camp, sai impor­tante obra sobre Dire­ito das Migrações, no ter­ceiro aniver­sário da atu­al lei brasileira, impor­tante mar­co na con­strução dos dire­itos humanos.
A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito — ao lado do Fun­do de Pop­u­lação das Nações Unidas, da Fadisp, do Nepo, do Obser­vatório de Migrações de São Paulo, do MPT e do CNPQ — apoia a pub­li­cação lev­a­da a cabo pela Uni­camp.
A obra pode ser baix­a­da gra­tuita­mente, por meio deste link, sendo a leitu­ra de suma importân­cia para enten­der a movi­men­tação dos povos e sua moldu­ra jurídi­ca inter­na­cional e brasileira.