Tito Costa completa 100 anos

Tito Costa completa 100 anos

Anto­nio Tito Cos­ta, Acadêmi­co e um dos fun­dadores da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito chega ao cen­tenário, em 2022.

Impor­tante jurista e políti­co brasileiro, nasceu em Tor­rin­ha, cidade do inte­ri­or paulista, em 31 de dezem­bro de 1922, ano mar­ca­do na história cul­tur­al brasileira pela Sem­ana de Arte Mod­er­na. Cur­sou dire­ito na Uni­ver­si­dade de São Paulo, ten­do sido Procu­rador do Municí­pio de São Bernar­do do Cam­po e Asses­sor dos Prefeitos de São Bernar­do e San­to André.

Foi Prefeito e Vice-Prefeito de São Bernar­do, Vereador de Tor­rin­ha, e Dep­uta­do Federal.

Tito Cos­ta; Prefeito Sao Bernardo;

No dire­ito, con­tribuiu com impor­tantes estu­dos de Dire­ito Eleitoral, pub­li­can­do livros até hoje con­sul­ta­dos sobre recur­sos em matéria eleitoral e sobre a respon­s­abil­i­dade de prefeitos e vereadores.

Foi Vice-Pres­i­dente da Ordem dos Advo­ga­dos do Brasil, Seção de São Paulo, ten­do advo­ga­do tan­to na cidade de São Bernar­do quan­to na Cap­i­tal do Esta­do de São Paulo, sem­pre na área de dire­ito públi­co, con­sti­tu­cional e eleitoral.

 

Em sua hom­e­nagem, Már­cio Cam­marosano, Pro­fes­sor da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca de São Paulo, coor­de­nou o livro “Temas de Dire­ito Eleitoral em Hom­e­nagem ao Cen­tenário do Pro­fes­sor Doutor Tito Cos­ta,” pub­li­ca­do pela edi­to­ra Letras Jurídi­cas, coletânea de arti­gos de vários colab­o­radores. O livro será lança­do no Cir­co­lo Ital­iano, em São Paulo, no dia 27 de jun­ho, a par­tir das seis horas da tarde.

 

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito alia-se aos hom­e­nageantes, nes­sa mere­ci­da celebração.

Academia perde dois de seus mais antigos e queridos Acadêmicos

Academia perde dois de seus mais antigos e queridos Acadêmicos

Hom­e­nagem a José Raimun­do Gomes da Cruz e Cás­sio de Mesqui­ta Bar­ros Jr.

Des­de sua fun­dação, há cinquen­ta anos, a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito tem sido recon­heci­da por reunir os mais desta­ca­dos juris­tas brasileiros, cuja ativi­dade tem ilu­mi­na­do os vários ramos da ciên­cia e da práti­ca do dire­ito, assim con­stru­in­do o lega­do cul­tur­al da jurisprudên­cia em nos­so País, cel­e­bra­do inter­na­cional­mente des­de pelo menos a obra civilista de Augus­to Teix­eira de Fre­itas, para citar ape­nas um nome den­tre tan­tos que despon­taram já no cur­so do Oito­cen­tos, após a fun­dação dos Cur­sos Jurídi­cos no Brasil, em 1827.

José Raimun­do Gomes da Cruz foi bril­hante mem­bro do Min­istério Públi­co do Esta­do de São Paulo, ten­do-se aposen­ta­do ao fim da car­reira, no car­go de Procu­rador de Justiça. Não se lim­i­tou, con­tu­do, à vida mera­mente jurídi­ca. Con­hece­dor da vel­ha máx­i­ma de que “jurista que é só jurista é pobre e triste coisa,” dedi­cou-se, des­de os tem­pos de estu­dante da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Minas Gerais, à ativi­dade de escritor. O tal­en­to literário envolvi­do pelo jurídi­co lhe valeu o primeiro prêmio no Con­cur­so de Arra­zoa­do Forense de 1980, even­to anu­al que se inau­gu­ra­va naque­le mes­mo ano. Essa vocação para a escrit­u­ra já havia sido recon­heci­da por um dos mais impor­tantes com­er­cial­is­tas brasileiros, João Eunápio Borges, que foi seu pro­fes­sor na UFMG.

Ini­ciou a car­reira no Min­istério Públi­co ain­da em Minas Gerais, quan­do foi aprova­do em con­cur­so públi­co, em 1961. Bus­can­do novos hor­i­zontes, deixou seu Esta­do natal e veio para São Paulo, onde, uma vez mais, logrou aprovação no con­cur­so públi­co, ago­ra para a Procu­rado­ria paulista, onde rece­beu o Colar do Méri­to do Min­istério Públi­co de São Paulo.

Mestre e Doutor em Dire­ito Proces­su­al Civ­il pela Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo, sob a ori­en­tação de out­ro dos bril­hantes Acadêmi­cos Tit­u­lares da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, o queri­do Pro­fes­sor Cân­di­do Rangel Dina­mar­co, escreveu arti­gos impor­tantes de dout­ri­na, nota­bi­lizan­do-se os que escreveu para a POLIFONIA Revista Inter­na­cional da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito e para as coletâneas comem­o­ra­ti­vas dos cem anos da Revista dos Tri­bunais, em vol­umes orga­ni­za­dos pelos tam­bém Acadêmi­cos Tit­u­lares da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, queri­dos Pro­fes­sores Rosa Maria de Andrade Nery e Nel­son Nery Jr; e Arnol­do Wald; e pelos juris­tas Gus­ta­vo Tepedi­noLuiz Eduar­do Fachin; Luiz Reg­is Pra­do e René Ariel Dot­tiYussef Cahali e Fran­cis­co José Cahali; Luiz Wambier  e a tam­bém Acadêmi­ca Tit­u­lar da APD Tereza Arru­da Alvim Wambier; e por Sér­gio Jacomi­no e Ricar­do Dip.

Pub­li­cou arti­gos, ain­da, na Revista Forense, da qual foi Dire­to­ra de Redação Rober­ta de Bra­gança Fre­itas Attié, na Revista Brasileira de Dire­ito Com­para­do, nas Revis­tas da Procu­rado­ria Ger­al de Justiça e de Jurisprudên­cia do Tri­bunal de Justiça de São Paulo, na Revista de Dire­ito Admin­is­tra­ti­vo, além de ver­bete na Enci­clopé­dia Sarai­va de Dire­ito, coor­de­na­da pelo saudoso Pro­fes­sor Rubens Limon­gi França, entre out­ros per­iódi­cos e coletâneas, uma delas em hom­e­nagem ao tam­bém saudoso Pro­fes­sor Athos Gus­mão Carneiro.

“José Raimun­do par­ticipou, com ati­vo inter­esse e paixão, dos tra­bal­hos de ren­o­vação e desen­volvi­men­to da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, ten­do escrito e pub­li­ca­do arti­gos na POLIFONIA e na seção Breves Arti­gos, do novo site da APD. Quan­do tomei posse da Presidên­cia da Acad­e­mia, o queri­do Con­frade lá esta­va, no Salão Nobre da Fac­ul­dade de Dire­ito da USP. Ale­gre, ao me cumpri­men­tar, disse: — Vejo, aqui, o renascer da Acad­e­mia e de seus ideais. Seu entu­si­as­mo e espíri­to de colab­o­ração servi­ram-me sem­pre de incen­ti­vo. O Brasil perde um grande jurista, poeta e escritor; a Acad­e­mia, um queri­do ami­go,” disse Alfre­do Attié, Pres­i­dente da APD.
Cás­sio de Mesqui­ta Bar­ros Jr. foi Advo­ga­do e aposen­tou-se como Pro­fes­sor Tit­u­lar da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo.

Foi tam­bém Pro­fes­sor Tit­u­lar da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca de São Paulo, e mem­bro do Comitê de Per­i­tos da  Orga­ni­za­ção Inter­na­cional do Tra­bal­ho, Pres­i­dente hon­orário da Acad­e­mia Nacional de Dire­ito do Tra­bal­ho, mem­bro hon­orário da Asso­ci­ação dos Advo­ga­dos Tra­bal­his­tas de São Paulo, e Asso­ci­a­do Eméri­to do Insti­tu­to dos Advo­ga­dos de São Paulo

Era doutor hon­oris causa da Uni­ver­si­dade Con­stan­tin Brân­cusi da Romê­nia, ten­do sido hom­e­nagea­do com medal­has de hon­ra out­or­gadas pelo Min­istério do Tra­bal­ho, pelo Tri­bunal Supe­ri­or do Tra­bal­ho, e com a  comen­da Grã-Cruz da Ordem do Méri­to Judi­ciário do Tra­bal­ho pelo Tri­bunal Region­al do Tra­bal­ho de São Paulo.

Autor de obra jurídi­ca de extrema relevân­cia para o Dire­ito do Tra­bal­ho, sobre ele disse o Pro­fes­sor Tit­u­lar e Dire­tor da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo e Acadêmi­co Tit­u­lar e mem­bro da Dire­to­ria da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, Cel­so Campi­lon­go, em depoi­men­to ao por­tal jurídi­co Migal­has: “expoente do Dire­ito do Tra­bal­ho com enorme recon­hec­i­men­to no Brasil e no Exte­ri­or, rep­re­sen­tante do país em inúmeras orga­ni­za­ções inter­na­cionais da área e docente esti­madís­si­mo pelos alunos, o pro­fes­sor Cás­sio fará mui­ta fal­ta. Deixou exem­p­los de con­hec­i­men­tos jurídi­cos e amor à fac­ul­dade. Nos­sos sen­ti­men­tos e agradec­i­men­tos ao grande mestre.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito pres­ta hom­e­nagem a seus queri­dos Acadêmi­cos.  agrade­cen­do pelos rel­e­vantes serviços que prestaram ao dire­ito brasileiro, lamen­tan­do sua per­da, e envian­do a seus famil­iares e ami­gos condolências.

Per­manecerá em luto, por dez dias.

 

Homenagem a José Augusto Lindgren Alves

Homenagem a José Augusto Lindgren Alves

A história diplomáti­ca brasileira, mal­gra­do per­calços, tem sido coroa­da de êxi­tos, sobre­tu­do em, às vezes, pio­neiris­mo, out­ras, par­tic­i­pação, assim como adesão, pau­tas impor­tantes, na con­strução de um dire­ito inter­na­cional mais coer­ente com a ordem inter­na­cional dos dire­itos e, suces­si­va­mente, com a “ordem” ou “era dos deveres e respon­s­abil­i­dades”, na for­ma grafa­da e defini­da por Alfre­do Attié.[1]

Um dos grandes expoentes dessa diplo­ma­cia con­sti­tu­inte foi o recém fale­ci­do diplo­ma­ta José Augus­to Lind­gren Alves, ao qual a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito ora pres­ta hom­e­nagem.

Como se ressaltou, em apre­sen­tação a entre­vista por ele con­ce­di­da,[2] sua tra­jetória de embaix­ador “ficou mar­ca­da pela lon­ga atuação em organ­is­mos inter­na­cionais de con­t­role dos dire­itos humanos. Durante os 35 anos de tra­bal­hos real­iza­dos no Ministério das Relações Exte­ri­ores e na Organização das Nações Unidas (…) a imbricação dos dire­itos humanos com temas soci­ais contemporâneos desta­cou-se como núcleo de suas preocupações. Ele foi o diplo­ma­ta que criou o Depar­ta­men­to de Dire­itos Humanos e Temas Soci­ais do Ita­ma­raty, experiência que o inspirou a par­tic­i­par a título pes­soal do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial da ONU, órgãodecontrole da Convenção Inter­na­cional sobre a Eliminação de Todas as For­mas de Discriminação Racial. Depois de coor­denar a delegação brasileira em conferências da ONU deci­si­vas para a consolidação democrática de diver­sos países, foi ao lon­go de tão exten­so per­cur­so que o embaix­ador pôde con­hecer pro­fun­da­mente as políticas antir­racis­tas imple­men­tadas pelos Esta­dos nacionais par­tic­i­pantes da ICERD, dan­do a sua contribuição para o sis­tema inter­na­cional dos dire­itos humanos.

Em impor­tantes livros,[3] ensi­nou, deba­teu e aju­dou a con­ce­ber  e difundir uma teo­ria e uma práti­ca dos dire­itos humanos para além dos aspec­tos de influên­cia nas relações inter­na­cionais, edi­f­i­can­do seus aspec­tos nor­ma­tivos na con­fig­u­ração deci­si­va do dire­ito inter­na­cional contemporâneo.

Lind­gren Alves não deixou ain­da de faz­er implicar a pro­teção dos dire­itos humanos com o arse­nal pro­duzi­do pela déca­da de ouro das Con­fer­ên­cias e Declar­ações Inter­na­cionais voltadas à pro­dução de uma ordem con­cate­na­da e integra­da de deveres rel­a­tivos aos povos e à natureza, assim como o fiz­er­am, igual­mente, dois out­ros bril­hantes int­elec­tu­ais brasileiros, recon­heci­dos igual­mente na âmbito inter­na­cional, Cel­so Lafer e Anto­nio Augus­to Cança­do Trindade.

Além de seus livros, impor­tante lega­do para a expresão de um dire­ito mais con­sen­tâ­neo com as urgên­cias de nos­so tem­po, teve impor­tante par­tic­i­pação na Con­fer­ên­cia Mundi­al de Viena sobre Dire­itos Humanos, e atu­ou de for­ma deci­si­va per­ante a Del­e­gação Per­ma­nente jun­to às Nações Unidas, em Gene­bra, ten­do sido per­i­to do Comitê para a Elim­i­nação da Dis­crim­i­nação Racial da mes­ma ONU.

____________________________________________________________

Notas

[1] ATTIÉ, Alfre­do. “Liber­dade, Dis­sensão, Sub­l­e­vaçãio: movi­men­tos, sen­ti­men­tos e ver­sões da políti­ca e do dire­itoin SOLON, Ari M. et al (coord.). Múlti­p­los Olhares sobre o Dire­ito. São Paulo:: Quarti­er Latin, 2022, p. 547–575; ATTIÉ, Alfre­do. “Intro­duçãoin SILVA, Paulo C.N. da (coord.). Dire­ito do Esta­do. Lon­d­ri­na: Thoth, 2021, p. 43–50; além de aulas e palestras pro­feri­das pres­en­cial­mente e trans­mi­ti­das pela inter­net; ATTIÉ, Alfre­do. “Pról­o­goin GUILHERME, Luiz F. do V. de A. (org.). Covid-19 na Jurisprudên­cia dos Tri­bunais de Justiça e dos Tri­bunais Supe­ri­ores. São Paulo: CEDES, 2021, p. 13–23; ATTIÉ, Alfre­do. “Regime di Sta­to e Regime di Mer­ca­to: Dirit­ti e Doveri Nes­sa Costruzione del­la Democraziain CICCO, Maria Cristi­na de (coord.). I Doveri nell’Era dei Dirit­ti: Tra Eti­ca e Mer­ca­to. Napoli: Edi­to­ri­ale Sci­en­tifi­ca, 2021, p. 74–93.

[2] MESQUITA, Gus­ta­vo. “Um diplo­ma­ta em defe­sa do princípio uni­ver­sal dos dire­itos humanosin Tem­po Social, Revista de Soci­olo­gia da USP, v. 32, n. 2, p. 307–327.

[3] Entre os quais, ALVES, José Augus­to Lind­grin. É Pre­ciso Sal­var os Dire­itos Humanos. São Paulo: Per­spec­ti­va, 2018; Dire­itos Humanos como Tema Glob­al. São Paulo: Per­spec­ti­va, 2011.

Homenagem a Antonio Augusto Cançado Trindade

Homenagem a Antonio Augusto Cançado Trindade

Anto­nio Augus­to Cança­do Trindade, Juiz da Corte Inter­na­cional de Justiça CIJ, prin­ci­pal órgão con­tencioso e con­sul­ti­vo do sis­tema das Nações Unidas, fale­ceu no últi­mo dia 29 de maio.

A CIJ fez o anún­cio de falec­i­men­to, man­i­fe­s­tando imen­so pesar.

Cança­do Trindade foi um jurista brasileiro extrema­mente respeita­do na sociedade inter­na­cional, sendo autor de obra fun­da­men­tal para a com­preen­são do sis­tema inter­na­cional dos dire­itos humanos.

Com­pôs a CIJ de 2009 a 2018, quan­do foi reeleito para o segun­do manda­to — fato inédi­to entre os rep­re­sen­tantes brasileiros na instituição.

Além de doutri­nador impor­tante do dire­ito inter­na­cional, Cança­do Trindade atu­ou como Juiz na Corte Inter­amer­i­cana de Dire­itos Humanos, da qual foi Pres­i­dente, onde foi respon­sáv­el por decisões impor­tantes, que fir­maram o diál­o­go entre Cortes inter­na­cionais como práti­ca fun­dam­rental para a eficá­cia da pro­teção dos dire­itos humanos.

For­mou-se na Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Minas Gerais - UFMG, ten­do obti­do os títu­los de Mestre e Doutor em Dire­ito pela Uni­ver­si­dade de Cam­bridge, no Reino Unido.

Autor de exten­sa obra, foi ain­da mem­bro da Comis­são Con­sul­ti­va da UNESCO sobre Dire­ito à Paz e Dire­itos Humanos, Pesquisador Super­vi­sor do pro­je­to sobre Dire­ito Human­itário e Dire­ito Cos­tumeiro da Cruz Ver­mel­ha, além de árbi­tro do Cen­tro Inter­na­cional para a Solução de Dis­putas sobre Inves­ti­men­to, e Dire­tor Exec­u­ti­vo do Insti­tu­to Inter­amer­i­cano de Dire­itos Humanos.

Foi Pro­fes­sor e con­fer­encista em várias insti­tu­ições de ensi­no, no Brasil e no estrangeiro. Foi mem­bro do Cura­to­ri­um de Dire­ito Inter­na­cional da Acad­e­mia da Haia.

Pre­stando hom­e­nagem a um dos mais ilus­tres brasileiros cul­tores do dire­ito e defen­sores dos Dire­itos Humanos, a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito per­manecerá em luto, por 10 dias e, opor­tu­na­mente, realizará hom­e­nagem, conce­den­do-lhe o títu­lo de Acadêmi­co Eméri­to.

Celso Lafer é homenageado, em livro de celebração, na Fundação Ema Klabin

Celso Lafer é homenageado, em livro de celebração, na Fundação Ema Klabin

No dia 25 de maio, na Fun­dação Cul­tur­al Ema Gor­don Klabin, impor­tante Casa-Museu paulis­tana, Cel­so Lafer — da Acad­e­mia Brasileira de Letras, Pro­fes­sor Tit­u­lar da Cadeira de Filosofia do Dire­ito (na qual foi suces­sor de  Miguel Reale e Rena­to Cirell Czer­na), Pro­fes­sor Eméri­to da Uni­ver­si­dade de São Paulo, ex-Min­istro das Relações Exte­ri­ores, ex-Embaix­ador brasileiro, em Gene­bra, jun­to à Orga­ni­za­ção Mundi­al do Comér­cio, ex‑Pres­i­dente da Fape­sp,  Acadêmi­co Eméri­to da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, um dos mais impor­tantes int­elec­tu­ais brasileiros, cujos escritos ilu­mi­naram não ape­nas a teo­ria do dire­ito e do dire­ito inter­na­cional , ain­da as relações inter­na­cionais, igual­mente, a teo­ria literária, a filosofia, a ciên­cia políti­ca e a história, ten­do intro­duzi­do no Brasil, cul­ti­va­do e incen­ti­va­do o con­hec­i­men­to de autores como Han­nah Arendt, Ray­mond Aron e Nor­ber­to Bob­bio - foi hom­e­nagea­do, com o lança­men­to de dois livros de estu­do — Múlti­p­los Olhares sobre o Dire­ito, vol­umes I e II — coor­de­na­dos por Pro­fes­sores da Uni­ver­si­dade de São Paulo, entre os quais Elza Boi­teux, da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, Fer­nan­do Menezes de Almei­da e Ari Marce­lo Solon, em arti­gos de vários autores e autoras que explo­ram, além da obra do autor ou nela se inspi­ram, vários áreas do saber das humanidades.

Como ressaltou Tér­cio Sam­paio Fer­raz, em seu dis­cur­so, rep­re­sen­tan­do os juris­tas pre­sentes ao even­to, trata­va-se de um livro de cel­e­bração (Festschrift) — como denom­i­na a tradição cul­tur­al acadêmi­ca de lín­gua alemã, e já se incor­po­ra ao hábito uni­ver­sitário de vários país­es, o livro ded­i­ca­do ao recon­hec­i­men­to da importân­cia da pes­soa e da obra dos que se desta­cam na con­strução dos saberes.

Maria Armin­da do Nasci­men­to Arru­da, Pro­fes­so­ra Tit­u­lar de Soci­olo­gia, ex-Dire­to­ra da Fac­ul­dade de Filosofia, Letras e Ciên­cias Humanas e atu­al Vice-Reito­ra da Uni­ver­si­dade de São Paulo, falan­do em nome dos autores não juris­tas do livro, recu­per­ou vários traços da per­son­al­i­dade do hom­e­nagea­do, além de ressaltar o bril­ho de sua car­reira acadêmi­ca e políti­ca, a par de sua con­tribuição deci­si­va, bem como de sua família, para a cul­tura brasileira e o desen­volvi­men­to éti­co das ativi­dades econômi­cas e da relação entre empre­sari­a­do e esta­do, na con­strução do desen­volvi­men­to. Sub­lin­hou, ain­da, a pre­sença e a importân­cia de Mary Mace­do de Car­val­ho Neves Lafer, esposa do hom­e­nagea­do, Pro­fes­so­ra Douto­ra de Letras Clás­si­cas da Uni­ver­si­dade de São Paulo.

Tam­bém dis­cur­saram o edi­tor dos livros, Viní­cius Vieira, e Gus­ta­vo Fer­raz de Cam­pos Mona­co, este rep­re­sen­tan­do os coor­de­nadores das obras, enal­te­cen­do o hom­e­nagea­do e sua obra teóri­ca e suas real­iza­ções práticas.

Em emo­ciona­do dis­cur­so de agradec­i­men­to, Cel­so Lafer lem­brou o papel de seus pais em sua for­mação, além da con­tribuição que tiver­am para a cul­tura brasileira, a par de lem­brar algu­mas das inúmeras funções que desem­pen­hou na Uni­ver­si­dade e na vida públi­ca brasileira e inter­na­cional, ressaltan­do sua impor­tante con­tribuição na cri­ação do Insti­tu­to de Relações Inter­na­cionais da Uni­ver­si­dade de São Paulo, e seu papel na Con­fer­ên­cia Inter­na­cional Rio-92, quan­do foi respon­sáv­el pela orga­ni­za­ção do even­to que fir­mou a mar­ca da defe­sa do meio ambi­ente e do desen­volvi­men­to sus­ten­táv­el na história do dire­ito internacional.

Da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito par­tic­i­param Fabio Com­para­to, Acadêmi­co Eméri­to, os Acadêmi­cos Tit­u­lares Tér­cio Sam­paio Fer­raz Jr, Manoel Gonçalves Fer­reira Fil­ho, Pedro Boho­mo­letz de Abreu Dal­lari, New­ton De Luc­ca, além de Elza Anto­nia Pereira Cun­ha Boi­teux, os Acadêmi­cos Hon­orários André de Car­val­ho Ramos e Flavia Piovesan, e seu Pres­i­dente, Alfre­do Attié, Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas.

Em seu arti­go “Liber­dade, Dis­sensão, Sub­l­e­vação: Movi­men­tos, Sen­ti­men­tos e Ver­sões da Políti­ca e do Dire­ito” (pági­na 547, nota 1), Attié ressaltou que a pre­sença de Cel­so Lafer na “cul­tura brasileira é mar­cante pelo esti­lo ele­gante de abor­dagem inteligente dos temas mais vari­a­dos, em que a habil­i­dade de exposição e escri­ta sem­pre soube entreter à pre­ocu­pação e à vocação democráti­cas, enrique­cen­do os cam­pos do dire­ito, das relações inter­na­cionais, da filosofia políti­ca e do dire­ito, além da críti­ca literária e ensaís­ti­ca.

Tam­bém con­tribuíram com arti­gos e depoi­men­tos Jacques Mar­cov­itch, José Gold­en­berg, José Car­los de Mag­a­l­hães, Odete Medauar, Mar­co Luchesi, Tereza Ancona Lopes, Rubens Bar­bosa, Wal­nice Nogueira Galvão, Gel­son Fon­se­ca Jr, Ger­al­do Mini­u­ci, Guil­herme de Assis Almei­da, Judith Mar­tins-Cos­ta, Lau­ra de Mel­lo e Sousa, Marce­lo de Azeve­do Grana­to, Mario Losano, Mas­sato Nino­myia, Michelan­ge­lo Bovero, Rubens Ricu­pero, Syné­sio Sam­paio Góes Fil­ho, Rui Manuel Moura Ramos, entre out­ros impor­tantes autores.

Opor­tu­na­mente, a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito realizará a cer­imô­nia de entre­ga do títu­lo de Acadêmi­co Eméri­to ao queri­do Pro­fes­sor Cel­so Lafer.

Homenagem a Dalmo de Abreu Dallari

Homenagem a Dalmo de Abreu Dallari

Um dos mais impor­tantes juris­tas brasileiros, defen­sor da justiça, da paz e dos dire­itos humanos, Dal­mo de Abreu Dal­lari deixa o exem­p­lo insub­sti­tuív­el de sua vida e o lega­do de suas ações, aulas e escritos para a con­strução do proces­so civ­i­liza­cional do dire­ito em nos­so País.

O queri­do Pro­fes­sor Dal­mo, como ger­ações de alunos e alu­nas gostavam de chamá-lo, foi Pro­fes­sor Tit­u­lar da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo, da qual foi Dire­tor,  e se tornou, por decisão de sua Con­gre­gação, Pro­fes­sor Eméri­to.

Foi, tam­bém, tit­u­lar da Cát­e­dra da Unesco para a Edu­cação para a Paz, Dire­itos Humanos e Democ­ra­cia e Tol­erân­cia, na mes­ma USP.

Mem­bro e um dos fun­dadores da Comis­são Pon­tif­í­cia de Justiça e Paz da Arquid­io­cese de São Paulo, cri­a­da por ini­cia­ti­va de Paulo Evaris­to, Cardeal Arns, e teve atu­ação deci­si­va e cora­josa na defe­sa dos dire­itos humanos e dos persegui­dos pela ditadu­ra militar.

Foi ain­da Secretário dos Negó­cios Jurídi­cos de São Paulo, na impor­tante admin­is­tração da Prefei­ta Luiza Erun­d­i­na.

Em sua vas­ta obra, desta­cam-se os livros Ele­men­tos de Teo­ria Ger­al do Esta­do, O Futuro do Esta­do, Con­sti­tu­ição e Con­sti­tu­inte, e O Que é Par­tic­i­pação Políti­ca. Rece­beu o Prêmio Jabu­ti, na cat­e­go­ria de livros jurídi­cos, pela pub­li­cação de A Con­sti­tu­ição na Vida dos Povos.

Desta­cou-se, ao lado de Raimun­do Faoro e Fabio Com­para­to, na luta pela Con­sti­tu­inte, no proces­so de rede­moc­ra­ti­za­ção brasileira.

Sua influên­cia na Con­sti­tu­ição de 1988 foi mar­cante, notada­mente na defe­sa dos indí­ge­nas, assim como na jurisprudên­cia brasileira, espe­cial­mente do Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al — como desta­cou seu dis­cípu­lo, o Pro­fes­sor e Min­istro Enrique Ricar­do Lewandows­ki.

Nos anos 80, por ini­cia­ti­va democráti­ca da comu­nidade uspi­ana, foi eleito reitor da USP, em votação de alunos e fun­cionários e parte do cor­po docente, numa ten­ta­ti­va de alter­ar o modo de escol­ha ado­ta­do na Universidade.

Acadêmi­co Eméri­to da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, será sem­pre lem­bra­do como aque­le que fez o dire­ito se conec­tar defin­i­ti­va­mente com a democracia.

A APD ficará dez dias de luto, em sua hom­e­nagem, man­i­fe­s­tando seu pesar e sol­i­dariedade a famil­iares e aos juris­tas brasileiros.

 

Men­sagens rece­bidas pela Acad­e­mia Paulista de Dire­ito de insti­tu­ições, ami­gos e ami­gas, admi­radores e admi­rado­ras de Dal­mo Dallari:

Perdemos mais uma grande refer­ên­cia pra todos os luta­dores do nos­so povo , aque­les que resi­s­ti­ram cora­josa­mente aos arbítrios cometi­dos pela ditadu­ra mil­i­tar, a luta pela rede­moc­ra­ti­za­ção e sobre­tu­do a pro­moção dos dire­itos humanos e a defe­sa intran­si­gente da democ­ra­cia. Com certeza quem teve o priv­ilé­gio de con­hecer e estar na mes­ma trincheira, no mes­mo lado da história, só pode agrade­cer pela vida gen­erosa desse que sem som­bra de dúvi­da está entre os maiores juris­tas brasileiros. Obri­ga­do Dr Dal­mo por tudo o que fez , por tudo o que nos ensi­nou , suas causas per­manecem. Dr Dal­mo, pre­sente, ago­ra e sem­pre !!!!

Paulo Pedri­ni

“Este grande jurista, homem públi­co e ser humano que nos deixa deste plano hoje”

Dani­lo César

Refer­ên­cia dos Dire­itos Humanos no Brasil. Triste!

Car­los Eduar­do de Abreu Boucault

Estou muito triste com o falec­i­men­to do meu queri­do e eter­no prof Dal­mo. Mar­cou muito a min­ha vida acadêmi­ca e pes­soal.

Riva Sobra­do de Freitas

Pes­soa Extra­ordinária!”

Jorge Luís Mialhe

Que ele des­canse em paz . Seus alunos jamais o esque­cerão. Que Deus con­sole sua família neste momen­to triste.

Maria Cristi­na Zucchi

Tam­bém lem­bro per­feita­mente das aulas dele no primeiro ano… que des­canse no céu nos­so queri­do pro­fes­sor.

Ana de Lour­des Fonseca

Queri­do pro­fes­sor! Suas aulas no primeiro ano do cur­so de dire­ito foram um dos motivos da min­ha per­manên­cia no cur­so. Que Deus o rece­ba!

Hertha Hele­na

Jus­ta hom­e­nagem. O pro­fes­sor Dal­mo Dalari foi um pen­sador do nos­so fed­er­al­is­mo. Na elab­o­ração da lei dos con­sór­cios públi­cos seu pare­cer foi deci­si­vo para fun­da­men­tar a con­sti­tu­cional­i­dade do pro­je­to envi­a­do pelo gov­er­no Lula . O pro­fes­sor Dalari teve um papel rel­e­vante nos esforços de dar con­sistên­cia à fun­dação esco­la de soci­olo­gia e políti­ca de São Paulo. Nos­sas hom­e­na­gens ao ilus­tre brasileiro e defen­sor da democ­ra­cia e dos dire­itos do povo brasileiro.

Vicente Trevas

Grande Defen­sor do Indi­gena­to! Deve­mos a ele o Art. 231, e 232, da CF, 1988.

Yakuy Tupinam­bá

“Em nome da Comissão de Defe­sa dos Dire­itos Humanos Dom Paulo Evaris­to Arns – Comissão Arns, man­i­festo pro­fun­do pesar pelo falec­i­men­to, nes­ta data, de um dos nos­sos mem­bros fun­dadores, o emi­nente jurista e pro­fes­sor Dal­mo de Abreu Dal­lari. Tra­ta-se de um golpe para os cidadãos e cidadãs com­pro­meti­dos com a defe­sa da vida e da dig­nidade humana, pilares dos dire­itos humanos, além de uma per­da para o País. Dal­mo deixa vas­to lega­do no cam­po jurídico, não só como teórico, mas como mestre cujo bril­ho int­elec­tu­al mar­cou gerações no estu­do do Dire­ito. Sua trajetória acadêmica estará sem­pre lig­a­da à história da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo, da qual foi dire­tor e pro­fes­sor emérito. Para a Comissão Arns, ele con­tin­uará sendo um farol. Sem­pre lem­braremos da sua cor­agem ao enfrentar a ditadu­ra, cujo apara­to repres­si­vo também o atingiu. Como não ces­sare­mos de lem­brar que são de sua inspiração os arti­gos 231 e 232 da Constituição Fed­er­al, recon­hecen­do os dire­itos originários dos indígenas, a sua capaci­dade jurídica e as obrigações que o Esta­do tem per­ante estes povos. São ape­nas exem­p­los do bom com­bate que Dal­mo travou ao lon­go da sua vida. Tive a hon­ra de sucedê-lo em 1978 na presidência da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, cri­a­da por Dom Paulo, patrono da Comissão Arns. E aqui peço licença para uma nota pes­soal: a inte­gri­dade e a inabalável defe­sa dos mais fra­cos, naque­les anos tão duros, me fazi­am pen­sar que Dal­mo era um sábio e um san­to entre nós. À queri­da família Dal­lari, esposa, fil­hos, netos e bis­ne­tos, também me cabe trans­mi­tir o sen­ti­men­to, o respeito e a amizade de toda a Comissão Arns.

José Car­los Dias

Comissão Arns

Quan­do o Papa João Paulo II veio ao Brasil, em 1980, o jurista Dal­mo Dal­lari, pro­fes­sor tit­u­lar da USP, foi des­ig­na­do para faz­er uma leitu­ra na primeira agen­da do sumo-pon­tí­fice em São Paulo: uma mis­sa no Cam­po de Marte. Dal­lari rep­re­sen­taria a Comis­são Justiça e Paz (CJP), braço da cúria met­ro­pol­i­tana volta­do para a defe­sa dos dire­itos humanos, dos pre­sos políti­cos e de seus famil­iares, que o arce­bis­po Dom Paulo Evaris­to Arns havia cri­a­do em 1972. Dal­lari havia sido seu primeiro pres­i­dente, por mais de um manda­to, e, naque­le momen­to, ain­da era seu mem­bro mais con­heci­do. Na véspera, Dal­lari foi ao Cam­po de Marte para se inteirar dos prepar­a­tivos e da litur­gia do ato. Quis se cer­ti­ficar quan­tos min­u­tos teria dire­ito a usar para que pudesse faz­er os últi­mos ajustes no tex­to, já escrito. Infor­mações reunidas, foi emb­o­ra para casa, no comecin­ho da noite. Ao chegar, bem em frente ao portão, lev­ou uma coron­ha­da e foi enfi­a­do den­tro de um car­ro. O grupo de agres­sores o lev­ou para um ter­reno bal­dio na Aveni­da Jusceli­no Kubitschek e o espan­cou até deixá-lo caí­do, soz­in­ho e ensanguen­ta­do. A muito cus­to, Dal­lari se levan­tou e andou até a aveni­da. Demor­ou para que um motorista parasse e aceitasse levá-lo, machu­ca­do, de vol­ta para casa. Foi a esposa quem o lev­ou ao pron­to-socor­ro. Durante todo o tra­je­to e tam­bém no atendi­men­to médi­co, a maior pre­ocu­pação de Dal­lari era com a mis­sa. Ele pre­cisa­va estar a pos­tos para ler seu tex­to, uma agen­da impor­tan­tís­si­ma, de alcance inter­na­cional, que ago­ra talvez reper­cutisse ain­da mais. No dia seguinte, de cadeira de rodas, foi impe­di­do de subir ao pal­co pelo aces­so nor­mal, nos fun­dos, por um mil­i­tar. Ami­gos erguer­am a cadeira de rodas nos braços e ele con­seguiu chegar à tri­buna. Levan­tou-se, ampara­do pelos cole­gas José Car­los Dias e Flávio Bier­ren­bach, ambos da CJP. O Papa se assus­tou com os machu­ca­dos, cura­tivos e fer­i­men­tos e per­gun­tou o que havia acon­te­ci­do. Foi Dom Paulo quem respon­deu, atribuin­do o aten­ta­do a gru­pos de exter­mínio lig­a­dos à ditadu­ra. “Fiz­er­am isso com ele porque não tiver­am cor­agem de faz­er comi­go, mas é um reca­do para mim”, acres­cen­tou o arce­bis­po.Dal­lari, pre­sente. Hoje e sem­pre!

Cami­lo Vannuchi

Nos anos 80, após con­gres­so democráti­co da USP, foi eleito reitor por estu­dantes, docentes e servi­dores da uni­ver­si­dade. Isso foi essen­cial

Jean-Michel Bouchara

Uma grande per­da,  o já saudoso Dal­mo de Abreu Dalari, sol­i­dariedade ao Pedro Dalari e Irmã Mar­cia Dalari.

Nel­son Faria de Oliveira

Comu­nidade de Juris­tas de Lin­gua Portuguesa

“Que per­da para a humanidade!”

Ser­gio Spenassatto

Uma enorme per­da para o Brasil, para o Dire­ito, para a Acad­e­mia.

Maria Cristi­na De Cicco

Mor­reu Dal­mo Dal­lari. Bril­hante jurista, queri­do e respeita­do mundial­mente, mil­i­tante da paz, da democ­ra­cia e do repub­li­can­is­mo, deixa uma grande her­ança int­elec­tu­al e moral con­struí­da ao lon­go da sua lon­ga e gen­erosa existên­cia.

Tar­so Genro

Real­mente é uma las­timáv­el per­da. Grande human­ista. Ele foi meu ori­en­ta­dor e tam­bém do Min­istro Levandows­ki. Agradáveis lembranças.”

Alaôr Caf­fé Alves

Muito mere­ci­do. Nos­so queri­do mestre.

Elza Boi­teux

“Entris­te­ci­dos pro­fun­da­mente pelo falec­i­men­to do queri­do Pro­fes­sor Dal­mo. O Brasil perde seu jurista, democ­ra­ta e defen­sor dos dire­itos humanos, que pautou sua vida pelo amor ao out­ro e pela excelên­cia, o que está para sem­pre grava­do na Con­sti­tu­ição Cidadã e no tra­bal­ho de defe­sa dos indí­ge­nas e do povo brasileiro. Suas lições e seu lega­do estão em ger­ações de dis­cípu­los e na vir­tude de for­mação de seus filhos.”

Alfre­do Attié. Acad­e­mia Paulista de Direito

Homenagem a Floriano Corrêa Vaz da Silva

Homenagem a Floriano Corrêa Vaz da Silva

O Desem­bar­gador do Tra­bal­ho Flo­ri­ano Cor­rêa Vaz da Sil­va fale­ceu em dezoito de dezem­bro de 2021.

Flo­ri­ano Vaz da Sil­va foi Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito (vis­ite a pági­na dos anti­gos acadêmi­cos e hon­orários). Defen­sor dos dire­itos humanos e da democ­ra­cia, foi ain­da mem­bro da Acad­e­mia Brasileira de Dire­ito do Tra­bal­ho e do Insti­tu­to de Dire­ito Social, fun­da­dos pelo saudoso Pro­fes­sor Cesari­no Jr, no bojo de suas ini­cia­ti­vas para a con­strução do dire­ito do tra­bal­ho, no Brasil.

Foi pres­i­dente do Tri­bunal Region­al do Tra­bal­ho da 2ª Região e um dos fun­dadores da Asso­ci­ação Nacional dos Mag­istra­dos e Mag­istradas do Tra­bal­ho, assim como da Asso­ci­ação Juízes para a Democ­ra­cia, ao lado, entre out­ros, dos Desem­bar­gadores Urbano Ruiz, Anto­nio Car­los Villen e Dirceu Cintra.

Lecio­nou nos Depar­ta­men­tos de Dire­ito Públi­co e de Dire­ito Social da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo, ten­do pub­li­ca­do impor­tantes artigos.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito hom­e­nageia seu anti­go mem­bro, pela importân­cia de seu tra­bal­ho no esforço de con­sti­tu­ição do dire­ito brasileiro e de seu proces­so civilizacional.

No vídeo prepara­do pelo pro­je­to de história oral do TRT-2a Região, pode-se assi­s­tir a seu depoi­men­to, que retra­ta não ape­nas seu pro­tag­o­nis­mo e importân­cia na história recente do dire­ito brasileiro, mas tam­bém o con­tex­to em que se desen­volveu sua vocação jurídi­ca e humanística.