Georgette Nacarato Nazo

Georgette Nacarato Nazo

Fale­ceu, ontem, dia 20 de janeiro de 2022,  Geor­gette Nacara­to Nazo, Acadêmi­ca Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito e Pro­fes­so­ra Asso­ci­a­da da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo.

A Pro­fes­so­ra Geor­gette, como era chama­da car­in­hosa­mente por seus alunos e alu­nas, teve toda a vida ded­i­ca­da não ape­nas à con­strução de sól­i­da tradição doutrinária, sobre­tu­do na área do dire­ito inter­na­cional do tra­bal­ho e das relações inter­na­cionais, mas tam­bém na con­tribuição da leg­is­lação brasileira, com a redação de vários antepro­je­tos de lei  e o enga­ja­men­to na defe­sa dos dire­itos humanos, nas órbitas inter­na­cional e interna.

Den­tre suas con­tribuições como leg­is­lado­ra, desta­cam-se os ante-pro­je­tos  de Leis em bene­fí­cio da mul­her, das cri­anças e ado­les­centes e estrangeiros, sendo igual­mente coau­to­ra da Emen­da Con­sti­tu­cional que intro­duz­iu o divór­cio no Brasil em 1977, ten­do, ade­mais, atu­a­do para a alter­ação con­stru­ti­va do Capit­u­lo VII da Con­sti­tu­ição Cidadã de 1988„ no sen­ti­do de acol­her a pro­teção do casa­men­to homoafetivo.

Foi a primeira Con­sel­heira da Asso­ci­ação dos Advo­ga­dos de São Paulo, ten­do dado impor­tantes pas­sos na con­strução da igual­dade de gêneros na Advo­ca­cia brasileira.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito per­manecerá em luto, por sete dias.

 

Fim de Ano, realizações e esperanças

Fim de Ano, realizações e esperanças

De 2017 — quan­do a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito retornou ao Salão Nobre da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo, local de seu nasci­men­to — para cá, várias mudanças ocor­reram em nos­sa APD„ em um proces­so que enga­jou Con­frades e Con­sórores, insti­tu­ições, sociedade civ­il, cole­tivos  e movi­men­tos políti­co-soci­ais, sociedade civ­il e os movi­men­tos soci­ais,  de ver­dadeira refun­dação da APD, no sen­ti­do de pô-la como insti­tu­ição de van­guar­da na recu­per­ação e revi­tal­iza­ção do proces­so civ­i­liza­cional do dire­ito em nos­so País.

Ness­es qua­tro aos, tra­tou-se de cumpriria os com­pro­mis­sos assum­i­dos, na ren­o­vação dos quadros acadêmi­cos; na cri­ação dos ACADEMIA PESQUISA, Núcleos e Cen­tros de excelên­cia para o estu­do, a pesquisa a exten­são e a par­tic­i­pação da sociedade, nos temas jurídi­cos de fron­teira, assim com­preen­di­dos aque­les não ape­nas em que o dire­ito vin­ha alargan­do seus lim­ites e se desen­vol­ven­do com mais vig­or, mas igual­mente aque­les em que o dire­ito empreen­dia um proces­so de con­strução de pontes com out­ros saberes e práti­cas, out­ras exper­iên­cias cien­tí­fi­cas e de saberes tradi­cionais; na ren­o­vação edi­to­r­i­al da Acad­e­mia, com a cri­ação de instru­men­tos de comu­ni­cação mais ágeis e atu­ais, com a uti­liza­ção das fer­ra­men­tas das redes soci­ais e de tec­nolo­gia da infor­mação, de modo vir­tu­oso, como o web­site defin­i­ti­vo e ino­vador, os pod­casts, as lives, na TV ACADEMIA, os posts, o enga­ja­men­to nas questões vivas da políti­ca e do dire­ito, na defe­sa dos val­ores con­sti­tu­cionais e inter­na­cionais de dire­itos humanos, dos povos e da natureza, e na resistên­cia ati­va con­tra um regime que já se fazia anti­con­sti­tu­cional; na POLIFONIA, em tran­scri­ação da revista que vin­ha acom­pan­han­do os pas­sos acadêmi­cos des­de sua fun­dação, com a aber­tu­ra a pesquisadores e pesquisado­ras e a arti­gos de excelên­cia, debates, tex­tos de res­gate de memória, revisão rig­orosa das con­tribuições, qual­i­fi­cação; no Con­gres­sos Inter­na­cionais, já real­iza­dos o primeiro e o segun­do, sobre os temas dos Trin­ta Anos da Con­sti­tu­ição Cidadã, dos Seten­ta Anos da Declar­ação Uni­ver­sal de Dire­itos Humanos, das Cidades, e aviz­in­han­do-se o ter­ceiro, em que serão, em cel­e­bração críti­ca, debati­dos os temas dos 200 Anos do Brasil, dos 100 Anos da Sem­ana de Arte Mod­er­na, dos 50 ANOS da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, e do Meio Ambi­ente, em torno da con­cepção da “ERA dos DEVERES e RESPONSABILIDADES,” con­ceito por mim grafa­do para enten­der as trans­for­mações que levaram ao tér­mi­no da chama­da Era dos Dire­itos e ini­cia­ram o cur­so de um novo pas­so naque­le proces­so civ­i­liza­cional jurídi­co que ten­ho tan­to feito rel­e­var; na par­tic­i­pação ati­va em even­tos inter­na­cionais e nacionais, em debates que importem na defe­sa da expressão jurídi­ca autên­ti­ca e sin­toniza­da com a democ­ra­cia; na real­iza­ção das Con­ver­sas da Acad­e­mia  e do Brasil 2022 Uma Cel­e­bração Críti­ca, ambas pelo YouTube, con­sti­tuin­do série de pro­gra­mas que alcançaram e vêm alcançan­do imen­so suces­so de públi­co e de par­tic­i­pação; nas ações soci­ais da Acad­e­mia, sobre­tu­do no cur­so da pan­demia e de suas con­se­quên­cias; na atu­ação judi­cial, com a proposi­tu­ra da inédi­ta e desafi­ado­ra Ação de Inca­paci­dade per­ante o Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al, ao lado de int­elec­tu­ais de alta enver­gadu­ra brasileiros; na real­iza­ção de Con­vênios e Parce­rias com insti­tu­ições e Uni­ver­si­dades nacionais e estrangeiras; na pub­li­cação de livros e de arti­gos em revis­tas e livros; no envolvi­men­to de pesquisadores e pesquisado­ras, trazi­dos à Acad­e­mia para par­tic­i­par dos ACADEMIA PESQUISA e das ini­cia­ti­vas edi­to­ri­ais, jovens ori­un­dos de cen­tros de estu­do e pesquisa do mun­do todo; nas aulas e rodas de con­ver­sa feitas em praça públi­ca, em diver­sas local­i­dades, para difundir e con­stru­ir uma cul­tura de defe­sa do meio ambi­ente, da cidade e dos dire­itos humanos; nas pro­postas a organ­is­mos inter­na­cionais, para o apri­mora­men­to dos dire­itos humanos, dos povos e do meio ambi­ente, inclu­sive por meio de parce­rias inteligentes e democráticas.

Enfim, ess­es foram os com­pro­mis­sos e essas as real­iza­ções, que expandi­ram os pro­je­tos ini­ci­ais apre­sen­ta­dos a Acadêmi­cos e Acadêmi­cas e à sociedade brasileira.

Na Cel­e­bração Críti­ca que se aviz­in­ha, repen­sare­mos o que chamamos de Brasil, e os desen­raiza­men­tos que pro­por­cio­nou, ao negar o próprio dire­ito ao nome aos povos indí­ge­nas ou orig­inários de Pin­do­ra­ma, Aby Yala, Tawan­tinsuyu, Anauhuac, Pachama­ma etc., bem como aos povos que viri­am a con­sti­tuir a maior nação afrode­scen­dente do mun­do, assim com o amál­ga­ma de povos europeus, asiáti­cos e de todos os can­tos do mun­do, suas cul­turas e lín­guas, enfim, um País pluri­na­cional extrema­mente rico, mas em que o con­fli­to vedou a expressão e a expan­são dessa riqueza. Repen­sare­mos os pro­je­tos dos cem anos do Brasil, a par­tir da Sem­ana de 1922, mas sobre­tu­do qual o papel da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, em seus cinquen­ta anos de par­tic­i­pação e recente pro­tag­o­nis­mo na vida políti­co-jurídi­co brasileira.

É pre­ciso preparar não ape­nas a recu­per­ação do proces­so civ­i­liza­cional do dire­ito, mas igual­mente na rein­venção da políti­ca e na trans­for­mação da justiça, tudo em con­jun­to com a sociedade civ­il e seus movi­men­tos políti­co-soci­ais, com as insti­tu­ições brasileiras e inter­na­cionais, num con­jun­to de pro­postas e pro­je­tos ren­o­vadores e cri­adores de novas pos­si­bil­i­dades para o humano inseri­do na natureza.

Esse per­cur­so vir­tu­oso, de real­iza­ção de uma gestão ren­o­vado­ra, mas de indi­cação de novos pas­sos, novas per­spec­ti­vas, novas inter­venções e inclusões, num proces­so de per­ma­nente democ­ra­ti­za­ção e enriquec­i­men­to da existên­cia e da convivência.

Pre­stando o com­pro­mis­so de levar ain­da mais adi­ante essa rad­i­cal­iza­ção democ­ra­cia e do jurídi­co, con­vi­do a  todas, todos e todes, nes­sa lin­guagem que se atu­al­iza e se lib­er­ta,  a par­tic­i­parem dos cam­in­hos e encan­tos de uma civ­i­liza­ção mais plur­al e autêntica.

Felizes Fes­tas e Ano Novo!

Alfre­do Attié

Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dantas

Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Direito

Homenagem a Pedro Paulo Teixeira Manus

Homenagem a Pedro Paulo Teixeira Manus

O anti­go Acadêmi­co Tit­u­lar e Hon­orário da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito Pedro Paulo Teix­eira Manus fale­ceu, no dia 25 de dezem­bro deste ano, em Camp­inas, São Paulo.

Pedro Manus foi Dire­tor e Vice-Reitor da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca de São Paulo, ten­do estu­da­do na mes­ma PUC.SP, insti­tu­ição na qual obteve seu títu­lo de Doutor, ain­da real­iza­do seu mestra­do ma Uni­ver­si­dade de São Paulo, e espe­cial­iza­ção na Uni­ver­si­dade de Roma, La Sapien­za.

Foi Juiz do Tra­bal­ho, car­reira na qual alcançou os pos­tos de Vice-Pres­i­dente do Tri­bunal Region­al do Tra­bal­ho e de Min­istro do Tribunal Supe­ri­or do Tra­bal­ho.

Na PUC.SP, foi pro­fes­sor de Dire­ito do Tra­bal­ho, nos cur­sos de grad­u­ação e pós-grad­u­ação. Escreveu inúmeras obras jurídicas.

Em arti­go recente, Pedro Manus afir­ma­va, em sól­i­da argu­men­tação garan­tista: “É necessário que o Esta­do cumpra seu papel e garan­ta a todos os tra­bal­hadores, e não só aos empre­ga­dos, o pata­mar mín­i­mo civ­i­liza­tório, asse­gu­ran­do-lhes os dire­itos soci­ais do arti­go 6º da Con­sti­tu­ição Fed­er­al, em obe­diên­cia ao fun­da­men­to da dig­nidade do arti­go 1º, III, da nor­ma con­sti­tu­cional.” Acres­cen­ta­va: “o recon­hec­i­men­to da condição de empre­ga­do a um deter­mi­na­do presta­dor de serviços sig­nifi­ca colocá-lo num pata­mar de pro­teção, que, mes­mo não sendo ide­al, diante dos baixos salários que se prati­cam entre nós, sem dúvi­da o dis­tingue do tra­bal­hador autônomo, diante da pro­teção legal empresta­da ao primeiro. Esse a nos­so ver é um dos motivos de se bus­car o quan­to pos­sív­el, e às vezes além dis­so, o enquadra­men­to do presta­dor de serviços na condição de tra­bal­hador sub­or­di­na­do, a fim de livrá-lo da situ­ação de autônomo, o que, na grande maio­r­ia dos casos, agra­va sua situ­ação social e finan­ceira, ameaçan­do seu sus­ten­to e o de sua família. Ao lon­go do tem­po, fomos afa­s­tan­do cada vez mais a situ­ação de segu­rança social entre o empre­ga­do e o tra­bal­hador sem vín­cu­lo, rel­e­gan­do este últi­mo a uma condição de vida indigna.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito hom­e­nageia seu anti­go acadêmi­co, cujo tra­bal­ho influ­en­ciou ger­ações de juris­tas brasileiros. O “jurista Pedro Manus”, afir­mou o Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, Alfre­do Attié, que com ele esteve, em even­to recente da Comu­nidade de Juris­tas da Lín­gua Por­tugue­sa, no Tri­bunal da Relação de Lis­boa, Por­tu­gal, “além da sen­si­bil­i­dade humana e da cor­dial­i­dade e bom humor, cul­tua­va o dire­ito como poucos, fazen­do esten­der ao tema da justiça do tra­bal­ho uma ded­i­cação que engrande­ceu a con­strução dos dire­itos humanos no Brasil, sendo pro­fes­sor muito queri­do de seus alunos e alunas.”

 

Inundações e Terras Indígenas: Pedido de Ajuda

Inundações e Terras Indígenas: Pedido de Ajuda

A Bahia está sofren­do com as fortes chu­vas. Inun­dações, desaba­men­tos e destru­ição de casas têm atingi­do sobre­tu­do a pop­u­lação mais pobre e os ter­ritórios indígenas.

Relatos e ima­gens têm demon­stra­do essa des­o­lação. A força da natureza é implacáv­el e muitos locais e municí­pios ain­da não estão receben­do a aju­da necessária para pro­te­ger as pes­soas e as casas.

As chu­vas não ces­saram e já deixaram mil­hares de desabri­ga­dos e plan­tações inundadas.

Segun­do a impren­sa, são mais de duzen­tas e vinte mil pes­soas afe­tadas pelos efeitos das chuvas.

A neces­si­dade mais urgente é de ali­men­tos, tel­has e lonas.

Comi­da

As plan­tações e ter­ras inun­dadas colo­ca em risco a segu­rança ali­men­tar dessas pes­soas e de seus ani­mais. A fome é a prin­ci­pal pre­ocu­pação e a pro­teção à inte­gri­dade dessas pessoas.

Tel­has

Com os ven­davais e chu­vas fortes, muitas residên­cias tiver­am seus tel­ha­dos extrema­mente danificados.

Lonas

Muitas habitações são feitas de taipa, mate­r­i­al que não supor­ta o vol­ume de chu­va que está cain­do, as lonas são necessárias para pro­te­ger as estru­turas das casas que ain­da per­manecem de pé.

Toda aju­da pos­sív­el é bem vinda

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito apoia a cam­pan­ha dos povos indí­ge­nas locais.

A Rede pelas Mul­heres Indí­ge­nas pede:

a) às pes­soas que estiverem na região de Olivença, Ilhéus Bahia:

entre em con­ta­to para a doação de qual­quer um dos itens: ces­tas bási­cas, ali­men­tos, roupas, tel­has e lonas. Pro­cure seus ami­gos que ten­ham comér­cio na região se pud­erem ajudar!

b) se pud­erem con­tribuir finan­ceira­mente para a com­pra dess­es itens, as doações podem ser feitaspe­lo PIX.

c)  É impor­tante com­par­til­hares cam­pan­ha. “Jun­tos somos mais fortes e podemos aju­dar nos­sos irmãos que estão viven­cian­do esse momen­to difícil”

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Con­ta da Rede Pelas Mul­heres indígenas 

Olivença, Ilhéus, Bahia.

Impor­tante: antes de realizar doações, entre em con­ta­to com a Rede, para con­fir­mar as informações.

O Direito homenageia a Democracia

O Direito homenageia a Democracia

No even­to anu­al de 2021 do grupo de juris­tas Pre­rrog­a­ti­vas -cri­a­do soba inspi­ração de impor­tantes advo­ga­dos e advo­gadas brasileiros, e para a defe­sa das garan­tias con­sti­tu­cionais, sobre­tu­do as de ampla defe­sa -, real­iza­do em São Paulo, em tradi­cional restau­rante paulis­tano, estiver­am pre­sentes políti­cos e políti­cas com­pro­meti­dos com o Esta­do Democráti­co de Dire­ito, sendo a par­tic­i­pação mais deter­mi­nante a do Pres­i­dente Luís Iná­cio Lula da Sil­va., sím­bo­lo da luta democráti­ca inter­na­cional e dos avanços em direção ao cuida­do e à par­tic­i­pação políti­ca popular.

A mídia desta­cou o encon­tro entre Lula e o Gov­er­nador Ger­al­do Alck­min, diante da pos­sív­el aliança que per­mi­tiria a con­sol­i­dação da resistên­cia e de uma aliança pro­gres­sista, que favore­cesse a retoma­da do pro­je­to con­sti­tu­cional brasileiro, ini­ci­a­do em 1988 e con­cretiza­do durante a admin­is­tração de Lula, na Presidên­cia da Repúbli­ca. Nesse sen­ti­do, o líder do grupo Pre­rrog­a­ti­vas, Mar­co Aurélio de Car­val­ho desta­cou o con­vite feito a todos os políti­cos e políti­cas  conec­ta­dos com a democ­ra­cia, bem como o veto aos que con­tribuíram para a vitória do pro­je­to fascista ou de extrema-dire­i­ta que ora empreende um regime anti­con­sti­tu­cional no Brasil.

 

Como se sabe, por força de uma aliança anti­democráti­ca e anti­jurídi­ca, Lula foi con­de­na­do e lev­a­do à prisão, impe­di­do de par­tic­i­par do pleito que deter­mi­nou a chega­da de herdeiros da ditadu­ra civ­il-mil­iar ao poder, em decor­rên­cia de uma eleição ilegítima.

Em 2021, há muito o que comem­o­rar, sobre­tu­do a liber­dade de Lula e o recon­hec­i­men­to pela justiça da sus­peição e incom­petên­cia do juiz e e do juí­zo em que ocor­reram tão ver­gonhosos proces­so, con­de­nação e prisão.

No con­tex­to de um dire­ito que, no cur­so da história brasileira, sem­pre esteve toma­do e voca­ciona­do para a defe­sa dos inter­ess­es da elite col­o­nizado­ra, é de se rece­ber com sat­is­fação a existên­cia de movi­men­tos e cole­tivos da sociedade, sobre­tu­do na área jurídi­ca, que se con­trapõem a essa invasão da esfera da políti­ca pelos inter­ess­es de mino­ria lig­a­da a priv­ilé­gio e ganân­cia no tra­to das relações econômi­cas e sociais.

Para o pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, Alfre­do Attié, tra­ta-se da recu­per­ação da esper­ança, em meio a uma cor­rente que pode e deve levar à recu­per­ação do cam­in­ho de con­strução da democ­ra­cia no Brasil e no Mun­do. O even­to, afir­mou, é uma “hom­e­nagem jus­ta que o dire­ito pres­ta à democ­ra­cia.”  Segun­do Attié, “a con­junção entre dire­ito e democ­ra­cia é o que pode faz­er trans­for­mar a justiça brasileira”.

O even­to foi, por­tan­to, um exem­p­lo de como o dire­ito deve hom­e­nagear e cul­tu­ar a democ­ra­cia, na tril­ha apon­ta­da pelo ordem inter­na­cional e pela Con­sti­tu­ição que exal­tou a Democ­ra­cia, os Dire­itos Humanos e o Esta­do e Dire­ito.

Fragmentos do Presente

Fragmentos do Presente

Rosane Borges lançou, em São Paulo, na sex­ta-feira, dia 17 de dezem­bro, pela edi­to­ra  Aquilom­bô, de Belo Horizonte„seu novo livro, Frag­men­tos do Tem­po Pre­sente, na Livraria Mar­tins Fontes da Aveni­da Paulista.

Rosane, que é jor­nal­ista, douto­ra em Ciên­cias da Comu­ni­cação e colab­o­rado­ra do Cola­bor, da Esco­la de Comu­ni­cações e Artes da Uni­ver­si­dade de São Paulo, além de arti­c­ulista de impor­tantes per­iódi­cos brasileiros, vem pub­li­can­do rel­e­vantes con­tribuições para a com­preen­são e a ação contemporâneas.

Frag­men­tos tem apre­sen­tação de Sil­vio Luiz de Almei­da, Muniz Sodré, Fabi­ana Coz­za e Flavia Lima, que tecem elo­gios ao tra­bal­ho da autora.

Rosane Borges faz uma com­pi­lação de arti­gos e tex­tos breves que pub­li­cou no Blog da Edi­to­ra Boitem­po, na Revista Car­ta Cap­i­tal, no site de Jor­nal­is­tas Livres, na Revista Cult, entre out­ros, tecen­do uma tra­ma grave no tom de denún­cia das emergên­cias da sociedade exclu­si­va e per­me­a­da de vio­lên­cia em que vive­mos, mas, ao mes­mo tem­po, leve, no esti­lo e no encadea­men­to de sen­síveis obser­vações do cotid­i­ano, que se divide entre a praça real e a vir­tu­al, evo­can­do autoras e autores essen­ci­ais para o olhar que supera as agruras, salta os obstácu­los e alcança enx­er­gar os cam­in­hos e descam­in­hos que trans­portam a um esper­a­do e dese­ja­do mun­do não mais mudo, mas muda­do, na rad­i­cal­i­dade das novas vozes que ocu­pam cada vez mais a ágo­ra da existência.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito pres­ta hom­e­nagem à auto­ra, e esteve pre­sente no con­cor­ri­do e agradáv­el lança­men­to, no espaço paulis­tano, entre autó­grafos e bons encon­tros de amizade.

O livro teve lança­men­to na Bien­al do Rio e ain­da será apre­sen­ta­do em São Luís.

 

Celso Campilongo é Diretor da Faculdade de Direito da USP

Celso Campilongo é Diretor da Faculdade de Direito da USP

Cel­so Fer­nan­des Campilon­go, Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, foi eleito pela Con­gre­gação  Dire­tor da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo.

 

 

Cel­so Campi­lon­go, que é Tit­u­lar de Filosofia e Teo­ria Ger­al do Dire­ito, desta­ca-se por suas aulas, livros, arti­gos e pesquisas nos temas de Teo­ria da Democ­ra­cia e da Con­sti­tu­ição, Teo­ria dos Sis­temas, Dire­ito da Con­cor­rên­cia, Teo­ria do Esta­do, Filosofia, Soci­olo­gia e Teo­ria Ger­al do Direito.

Ten­do-se grad­u­a­do em dire­ito, obteve os títu­os de  Mestre e Doutor pela Fac­ul­dade de Dire­ito do Largo São Fran­cis­co, , sendo, hoje Pro­fes­sor Tit­u­lar das Arcadas, assim como Pro­fes­sor Asso­ci­a­do da PUC/SP ‚e mem­bro do Colé­gio de Docentes do Doutora­do em Dire­ito da Uni­ver­sità del Salen­to, na Itália. Foi vice-Dire­tor da mes­ma FD.USP„ sendo coor­de­nador do Núcleo de Teo­ria e Filosofia do Dire­ito do Pro­gra­ma de Pós-Grad­u­ação da PUC/SP, mem­bro do Con­sel­ho Supe­ri­or de Assun­tos Jurídi­cos e Leg­isla­tivos da Fed­er­ação das Indús­trias do Esta­do de São Paulo, ten­do sido  Con­sel­heiro do Con­sel­ho Admin­is­tra­ti­vo de Defe­sa Econômi­ca e Secretário-Exec­u­ti­vo do Min­istério da Justiça.

 

 

Ana Elisa Lib­er­a­tore Bechara, Pro­fes­so­ra Tit­u­lar de Dire­ito Penal, da mes­ma San­Fran, foi elei­ta Vice-Dire­to­ra. Ana Elisa Bechara ocu­pa a vice-chefia do Depar­ta­men­to de Dire­ito Penal, Med­i­c­i­na Forense e Crim­i­nolo­gia e a vice-presidên­cia da Comis­são de Pós-Grad­u­ação da FD.USP. grad­u­a­da, douto­ra e livre-docente pela mes­ma insti­tu­ição, foii pesquisado­ra con­vi­da­da do Max Planck Insti­tut für aus­ländis­ches und inter­na­tionales Strafrecht; da Rheinis­che Friedrich Wil­heims Uni­ver­sität, de Bonn, na Ale­man­ha, e da Uni­ver­si­dad de Sala­man­ca, na Espan­ha. Inves­ti­gado­ra e docente da Inter­na­tion­al Aca­d­e­m­ic Net­work for the Abo­li­tion of Cap­i­tal Pun­ish­ment, na Espan­ha, mem­bro da Red de Inves­ti­gación Respues­tas a la cor­rup­ción aso­ci­a­da al crimen orga­ni­za­do, da Colômbia,e do grupo de pesquisa inter­na­cional Crime e Cas­ti­go, da Uni­ver­si­dade de Lis­boa. Foi mem­bro do Con­sel­ho Estad­ual de Políti­ca Crim­i­nal e Pen­i­ten­ciária e do Comitê Interin­sti­tu­cional de Pre­venção e Enfrenta­men­to ao Trá­fi­co de Pes­soas, do Gov­er­no do Esta­do de São Paulo.

 

O manda­to terá iní­cio em fevereiro de 2022, encon­tran­do o desafio de levar avante o proces­so civ­i­liza­cional do dire­ito, em nos­so País, ini­ci­a­do em 1827, com a cri­ação dos Cur­sos de Ciên­cias Jurídi­cas e Soci­ais no mes­mo Largo São Fran­cis­co e em Olin­da, em momen­to difí­cil de con­vivên­cia do dire­ito e da justiça com a crise instau­ra­da pelas ameaças de um regime anticonstitucional.

 

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito e seus Acadêmi­cos e Acadêmi­cas, pesquisadores e pesquisado­ras cel­e­bram a eleição de seu Con­frade Cel­so Campi­lon­go e da Pro­fes­so­ra Elisa Bechara, com a certeza de que sua gestão será mar­cante, ten­do em vista as con­quis­tas, o con­hec­i­men­to, a exper­iên­cia e as metas delin­eadas pelos queri­dos e ilus­tres Professores.

 

Tércio Sampaio Ferraz Jr é Professor Emérito do Largo São Francisco

Tércio Sampaio Ferraz Jr é Professor Emérito do Largo São Francisco

O Pro­fes­sor Tit­u­lar da Uni­ver­si­dade de São Paulo e da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca de São Paulo, Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito Tér­cio Sam­paio Fer­raz Jr recebe, nes­ta quin­ta-feira, dois de dezem­bro de 2021, o títu­lo de Pro­fes­sor Eméri­to da Fac­ul­dade de Dire­ito do Largo São Fran­cis­co, da USP.

Em mere­ci­da hom­e­nagem, que con­sagra o tra­bal­ho docente e de pesquisa de Ter­cio Fer­raz Jr, a USP, mais uma vez, recon­hece a  sua impor­tante con­tribuição para o desen­volvi­men­to da ciên­cia e da filosofia do dire­ito no Brasil e na sociedade inter­na­cional. O Pro­fes­sor Ter­cio, como sem­pre referi­ram seus alunos, tam­bém havia rece­bido o títu­lo de Pro­fes­sor Eméri­to da Fac­ul­dade de Dire­ito de Ribeirão Pre­to, da USP.

Tér­cio Fer­raz estu­dou dire­ito e filosofia na USP, uni­ver­si­dade em que obteve seu títu­lo de Doutor, em tese ori­en­ta­da por Miguel Reale, e de Livre-Docente. Doutorou-se tam­bém na Uni­ver­si­dade Johannes Gut­tem­berg, de Mainz.

Autor de exten­sa e con­sagra­da obra jurídi­ca, entre mono­grafias, man­u­ais, ensaios e pare­ceres, for­mou várias ger­ações de juris­tas, ain­da ten­do se ded­i­ca­do à advo­ca­cia consultiva.

Entre tais tra­bal­hos, desta­cam-se: Intro­dução ao Estu­do do Dire­ito. . São Paulo: Atlas;  Teo­ria da Nor­ma Jurídi­ca. São Paulo: Edi­to­ra Atlas;  Dire­ito Reg­u­latório e Con­cor­ren­cial no Poder Judi­ciário. São Paulo: Edi­to­ra Sin­gu­lar; A Ciên­cia do Dire­ito. São Paulo: Edi­to­ra Atlas; Dire­ito, Retóri­ca e Comu­ni­cação.  São Paulo: Edi­to­ra Atlas; Intro­duc­ción al estu­dio del Dere­cho.Madrid: Mar­cial Pons Edi­ciones Jurídi­cas y Sociales.;  Poder Econômi­co. São Paulo: Edi­to­ra Manole; Dire­ito Con­sti­tu­cional.Barueri: Edi­to­ra Manole;  “A com­petên­cia e reg­u­latória da ANATEL, o regime do must car­ry e as inter­pre­tações do reg­u­la­men­to do SeAC” in Revista de Dire­ito das Comu­ni­cações, v. 8, p. 105–139, 2014; “Dire­ito da con­cor­rên­cia e enforce­ment pri­va­do na leg­is­lação brasileira” in Revista de Defe­sa da Con­cor­rên­cia, v. 02, p. 11–31, 2013; “Sus­peição e Imped­i­men­to em Arbi­tragem” in Revista de Arbi­tragem e Medi­ação, v. 28, p. 65–82, 2011: “On sense and sen­si­bil­i­ty in legal inter­pre­ta­tion” in Recht­s­the­o­rie, v. 42, p. 139–144, 2011.

Ness­es e em out­ros tra­bal­hos, o Pro­fes­sor Tér­cio procurou não ape­nas tratar, de modo cuida­doso e apro­fun­da­do, dos temas, mas, sobre­tu­do, traz­er con­tribuições cria­ti­vas e orig­i­nais, levan­do avante o desafio de tornar a teo­ria e a práti­ca do dire­ito com­patíveis com o desen­volvi­men­to de nos­so tem­po, respon­den­do a questões fun­da­men­tais, de ordem cien­tí­fi­ca e existencial.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, em que se encon­tram muitos de seus ex-alunos, sem­pre ciosos de acom­pan­har o tra­bal­ho e de seguir os pas­sos de seu mestre, cumpri­men­ta seu ilus­tre mem­bro, exem­p­lo da dig­nidade do dire­ito e de seu caráter civ­i­liza­cional, na defe­sa da democ­ra­cia, da justiça e dos dire­itos humanos..

 

Voltando ao Mundo dos Livros

Voltando ao Mundo dos Livros

Retoman­do o tema da leitu­ra, da escrit­u­ra e dos livros, Breves Arti­gos (veja, aqui) da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito traz o tex­to do Advo­ga­do e Téc­ni­co em Tele­co­mu­ni­cações, autor de Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded (Brasil: Clu­bin­ho E Book, 2013).

Arnobio fala da leitu­ra dos clás­si­cos e do tem­po cer­to de os reen­con­trar, por meio dos que tam­bém se aprox­i­maram deles, fazen­do-se guias de sua leitu­ra, e das coisas boas da literatura.

Leia o tex­to, a seguir, como pub­li­ca­do, orig­i­nal­mente, em seu site.

 

Voltan­do ao Mun­do dos Livros
Arnobio Rocha

En la noche, sigo encen­di­en­do sueños
Para limpiar con el humo sagra­do cada recuerdo
(Has­ta la Raiz – Natalia Lafourcade)

“É cer­to que tive aces­so muito cedo, jovem, aos clás­si­cos da lit­er­atu­ra mundi­al, de políti­ca, econo­mia e filosofia.

Repen­san­do hoje, não sei se tin­ha maturi­dade para ter encar­a­do algu­mas leituras, foi muito mais pelo desafio int­elec­tu­al (vaidade? Talvez), impul­so juve­nil e praz­er em ler, do que real­mente uma preparação mais sis­temáti­ca, se é que existe, ape­nas fui lendo e lendo.

A com­preen­são de muitos dess­es clás­si­cos, só vem depois, quan­do o cére­bro fez as várias conexões necessárias para o que fora lido. Por sorte, a min­ha memória (afe­ti­va ou cog­ni­ti­va) me aju­da a ter em mente boa parte dess­es livros espetac­u­lares, pois na época, não havia “google”, então, o fichamen­to de livros sem­pre foi meu guia e fonte de con­sul­ta, uma parte dess­es apon­ta­men­tos viraram posts desse blog.

A intim­i­dade com Shake­speare, por exem­p­lo,  tornou-se mais inten­sa com as leituras de Harold Bloom, e e com suas anális­es, obra a obra, foram fun­da­men­tais para que lesse toda a obra do bar­do inglês, e depois relesse, por muitos anos, algu­mas delas, pois tin­ha que con­frontar as min­has per­spec­ti­vas com do grande pro­fes­sor de Yale.

A mitolo­gia, a teogo­nia, a cos­mogo­nia e a escat­olo­gia do mun­do grego e romano, com mais rele­vo no primeiro, tive como guia Juni­to de Sousa Brandão, antes de o con­hecer numa palestra em São Paulo, tin­ha lido Home­ro, Vir­gilio, Sófo­cles, Eurí­pedes, Ésqui­lo, Oví­dio, entre­tan­to, ao ouvir aque­le pro­fes­sor falar por duas e meia, fiquei abso­lu­ta­mente enfeitiça­do. Li sua extra­ordinária obra, seus estu­dos e traduções, uma grande lumi­nosi­dade para mim sobre o mun­do greco-romano.

Marx e o Cap­i­tal, foram decod­i­fi­ca­dos para mim pelo meu mestre, José Antônio Mar­tins, com suas anális­es de con­jun­tu­ra que ele dava em suas palestras no anti­go Núcleo de Edu­cação Pop­u­lar – 13 de maio, depois no bole­tim “Críti­ca da Econo­mia“. Li e fichei, durante os meses ini­ci­ais de 1993, para min­ha ale­gria, Mar­tins e eu, mon­ta­mos um grupo de estu­dos do Cap­i­tal, em que, ao fim e ao cabo, sobramos nós dois, quan­tas lições, naque­las sex­ta-feiras do ano de 1995.

Meu tra­bal­ho de con­clusão do cur­so de Dire­ito e meu livro sobre a Crise de 2008, têm muito do que Mar­tins me ensi­nou, de como enten­der a estru­tu­ra do Cap­i­tal, a lóg­i­ca inter­na, as for­mas de leitu­ra e, prin­ci­pal­mente, como traz­er as lições para o momen­to pre­sente, seus reflex­os na Econo­mia, Políti­ca, Filosofia e no Dire­ito, a luta de class­es como fio con­du­tor de todos os ramos do saber e da história.

A intim­i­dade com os clás­si­cos não é para exer­cí­cio de vaidade pes­soal, mas é for­ma de enten­der o mun­do que nos cer­ca, não nos lim­i­tan­do ao que faze­mos profis­sion­al­mente. A lóg­i­ca, filosofia e méto­do, foram essen­ci­ais para min­ha lon­ga car­reira no mun­do das tele­co­mu­ni­cações, para soluções de prob­le­mas com­plex­os de soft­ware, da visão ampla de um sis­tema, não impor­tan­do a lin­guagem dos códi­gos ali escritos.

Óbvio que para o Dire­ito, a leitu­ra, o con­hec­i­men­to, são as fer­ra­men­tas para ter sen­ti­do ao se descr­ev­er uma real­i­dade fáti­ca con­ta­da por um cliente, e, claro, para ten­tar enten­der o cipoal gigante de nor­mas e códi­gos dos sis­tema jurídico.

Entre­tan­to, a lit­er­atu­ra, é pri­mor­dial­mente praz­er, tesão, muito além do aspec­to instru­men­tal, ou que se use como fer­ra­men­ta nos mais vari­a­dos cam­pos do con­hec­i­men­to, ler é son­har, é via­jar e con­hecer os aspec­tos mais ínti­mos da humanidade. Escr­ev­er é o seu par, nem sem­pre se une os dois, pois é muito mais fácil ler do que escr­ev­er.

A Mentira e a Ética

A Mentira e a Ética

Em impor­tante arti­go, opor­tuno, críti­co e inspi­rador, o Pro­fes­sor Tit­u­lar da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca de São Paulo, e Con­sel­heiro do Núcleo Fé e Cul­tura da Arquid­io­cese de São Paulo, Wag­n­er Balera, Acadêmi­co Tit­u­lar e ex-Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, dis­cu­tiu o tema da men­ti­ra e seus con­tornos ético-cristãos.

Leia a seguir a ínte­gra do tex­to “O Pai da Men­ti­ra”, pub­li­ca­do, orig­i­nal­mente, em O São Paulo, semanário da Arquidiocese.

“Eis um títu­lo que ninguém parece quer­er assumir e que, no entan­to, se ajus­ta per­feita­mente a muitos e muitos que, nos últi­mos tem­pos, irra­di­am men­ti­ras. Mais pro­pri­a­mente ess­es não são pais, e, sim, fil­hos do pai da mentira.

O dono do títu­lo está clara­mente iden­ti­fi­ca­do des­de sem­pre. Não está sub­meti­do ao tem­po, tam­pouco ao espaço. Sim­ples­mente atua.

O que quer, afi­nal, ao espal­har tan­ta men­ti­ra? Con­fundir, cri­ar oposições, desagre­gar. Ina­ceitáv­el para ele é a paz social; a con­cór­dia; a har­mo­nia. Emb­o­ra esse sujeito, como dito aci­ma, não está no tem­po nem no espaço, lá onde este­jam pre­sentes ess­es val­ores ele não quer ficar. Pref­ere ser lança­do ao abis­mo con­fig­u­ra­do em man­a­da de por­cos, que bem aqui rep­re­sen­tam o sím­bo­lo da impureza, da suji­dade e de tudo o que repugna aos que apre­ci­am e alme­jam viv­er em paz.

Esta­mos, é cer­to, diante de grave prob­le­ma. Recebe­mos, cotid­i­ana­mente, cen­te­nas de mil­hares de men­ti­ras. Chegam, por vezes, com anôn­i­mo “encam­in­hado”. E, des­graçada­mente, cada vez que retrans­miti­mos essas men­ti­ras, assum­i­mos a fil­i­ação daque­le sujeito.

Temos, pois, dois deveres graves. O primeiro é o de nos recusar­mos cabal­mente a atu­ar como cor­reias de trans­mis­são de men­ti­ras. Vai dar tra­bal­ho, pois só poder­e­mos reen­viar matérias que ten­ham sido sub­meti­das ao cri­vo ele­men­tar da ver­dade. E se não for pos­sív­el a ver­i­fi­cação? Há um clique rápi­do a ser uti­liza­do. O ícone o define com pro­priedade: é a lata de lixo. O segun­do dev­er grave e esse, segu­ra­mente, é de maior gravi­dade do que o primeiro, con­siste no dev­er de aler­tar­mos a quem nos envi­ou a men­ti­ra, vale diz­er, se fez por­ta­dor do lixo. Prati­care­mos, nada mais nada menos, do que a obra de mis­er­icór­dia da cor­reção fraterna.

Não será tare­fa fácil essa. Dev­er­e­mos exer­cê-la, porém, com o deste­mor assi­nal­a­do por San­ta Tere­sa de Jesus: “Custe o que cus­tar, mur­mure quem mur­mu­rar, quer chegue ao fim quer mor­ra no caminho…”

Por que esse encar­go será tão cus­toso? É que o pai do men­tiroso o fará se con­vencer que nós não somos ami­gos dele. Quem somos nós para cor­ri­gi-lo? E acabará cain­do na arti­man­ha de con­sid­er­ar que não somos pes­soas de bem.

Mas, fique bem claro: não podemos servir a dois sen­hores. O Sen­hor a quem quer­e­mos servir se define com pre­cisão: Eu sou a verdade!

Neste momen­to, força recon­hecer, o pai da men­ti­ra e seus sequazes atu­am em diver­sos lugares e em diver­sos momen­tos. Seu nome? Legião.

Para vencer­mos a hoste men­tirosa, só con­ta­mos com a Ver­dade, que opera como instân­cia lib­er­ta­do­ra e que tem um Nome. Entre­tan­to, a inscrição nas suas fileiras exige que deix­e­mos de lado os respeitos humanos.

Não fique­mos de fora desse com­bate; o bom com­bate! Não nos quedemos à beira do cam­in­ho, enquan­to assis­ti­mos o der­ruir de pes­soas e de instituições!

Não ten­hamos medo, disse São João Paulo II aos 22 de out­ubro de 1978, bem no iní­cio de seu pon­tif­i­ca­do. A Ver­dade e seu Sen­hor estão do nos­so lado. ”

OAB de São Paulo elege Primeira Mulher para a Presidência

OAB de São Paulo elege Primeira Mulher para a Presidência

Em eleição mar­ca­da não ape­nas por inten­sa dis­pu­ta, mas, sobre­tu­do, pelo forte com­po­nente da diver­si­dade, em que a pre­sença fem­i­ni­na teve rep­re­sen­ta­tivi­dade e realce, as Seções de São Paulo ‚com Patrí­cia Van­zoli­niParaná, com Mar­ile­na Indi­ra Win­ter, Bahia, com Daniela Borges, e San­ta Cata­ri­na, com Cláu­dia da Sil­va Prudên­cio elegeram mul­heres para a Presidência.

Em São Paulo, cin­co cha­pas par­tic­i­param do pleito, em todas elas despon­tan­do a pre­ocu­pação de rep­re­sen­tação e pro­postas de pre­sença efe­ti­va da diver­si­dade que com­põe a real­i­dade do exer­cí­cio da profis­são jurídi­ca em nos­so País.

A cha­pa vence­do­ra foi encabeça­da por Patrí­cia Van­zoli­ni, mestre e douto­ra em Dire­ito pela Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca de São Paulo , ex-vice-pres­i­dente da Asso­ci­ação dos Advo­ga­dos Crim­i­nal­is­tas de São Paulo , Pro­fes­so­ra da Uni­ver­si­dade Pres­bi­te­ri­ana Macken­zie e do Damá­sio Edu­ca­cional, além de auto­ra de “Man­u­al de Dire­ito Penal”, edi­ta­do pela Sarai­va, e de “Teo­ria da Pena: Sac­ri­fí­cio, Vin­gança e Dire­ito Penal”, edi­ta­do pela Tirant Brasil.

Elegeram-se, tam­bém, como Vice-Pres­i­dente, Leonar­do Sica, Secretária-Ger­al, Daniela Marchi Mag­a­l­hães, Secretário-Ger­al Adjun­to, Dione Almei­da San­tos, Tesoureiro, Alexan­dre de Sá Domingues, Pres­i­dente da Caixa de Assistên­cia a Advo­ga­dos e Advo­gadas, Adri­ana Galvão Moura Abilio, Vice-Pres­i­dente da Caixa de Assistên­cia a Advo­ga­dos e Advo­gadas, Domin­gos Assad Stoc­co, bem como como Con­sel­heiros e Con­sel­heiras Fed­erais Tit­u­lares: Alber­to Zacharias Toron, Car­los José San­tos da Sil­va, Sil­via Vir­ginia Sil­va de Souza, e Suplentes: Alessan­dra Bened­i­to, Daniela Cam­pos Libo­rio, Helio Rubens Batista Ribeiro Cos­ta.

Cin­co cha­pas dis­putaram a eleição, que teve como sal­do a val­oriza­ção e ampli­ação da rep­re­sen­tação afro­brasileira e de gênero fem­i­ni­no, assim com a escol­ha de Dione Almei­da San­tos, Sílvia Virgí­nia Sil­va de Souza e Alessan­dra Bened­i­to, assim como de Daniela Marchi Mag­a­l­hães, Adri­ana Galvão Moura Abilio, e Daniela Cam­pos Libório., e como resul­ta­do a pre­sença de uma mul­her na Presidên­cia, pela primeira vez,  da impor­tante e históri­ca insti­tu­ição da sociedade brasileira.

Ao cumpri­men­tar as novas e os novos rep­re­sen­tantes da Advo­ca­cia, a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito dese­ja profícua gestão, volta­da ao engrandec­i­men­to da cidada­nia brasileira, no cur­so da afir­mação do Esta­do Democráti­co de Dire­ito, e de atu­ação firme em sua defe­sa, no momen­to difí­cil pelo qual pas­sa o Brasil, na véspera de comem­o­rar seus 200 anos.

 

 

Kiyoshi Harada critica a PEC dos Precatórios

Kiyoshi Harada critica a PEC dos Precatórios

Em impor­tante arti­go, o Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito Kiyoshi Hara­da, Pro­fes­sor, Advo­ga­do e atu­al Pres­i­dente do Insti­tu­to Brasileiro de Estu­dos de Dire­ito Admin­is­tra­ti­vo, Finan­ceiro e Trib­utário, anal­isou o teor e a con­sti­tu­cional­i­dade da Pro­pos­ta de Emen­da Con­sti­tu­cional rel­a­ti­va aos Precatórios.

Pub­li­ca­do orig­i­nal­mente pelo infor­ma­ti­vo jurídi­co Migal­has — veja, aqui — o tex­to, que tem po títu­lo “A Des­façatez e Imoral­i­dade da PEC dos Pre­catórios,” pode ser lido a seguir.

 

“Poucos têm a exa­ta noção da gri­tante imoral­i­dade da chama­da PEC dos Pre­catórios, a PEC 23/21, e da inusi­ta­da des­façatez do gov­er­no e do Con­gres­so Nacional.

Aparente­mente, essa PEC visa pos­si­bil­i­tar o paga­men­to R$ 400,00 a títu­lo de Auxílio Brasil (Bol­sa Família) para cer­ca de 20 mil­hões de pes­soas pobres, o que daria uma grande vis­i­bil­i­dade à ação do gov­er­no no ano preeleitoral.

O gov­er­nante e os con­gres­sis­tas, dessa for­ma, cresce­ri­am aos olhos do eleitora­do, pois, o dis­cur­so da inclusão social tem sido uma ban­deira pop­ulista dos últi­mos tem­pos, den­tro e fora do País. Esclareça-se que nada temos con­tra a políti­ca de inclusão social, des­de que não implique sac­ri­fí­cios de legí­ti­mos credores.

Então, a bem da ver­dade, é pre­ciso que se explique o que sig­nifi­ca essa PEC 23/21, que pre­vê a moratória dos precatórios.

O que é pre­catório judicial?

R: É ordem judi­cial de paga­men­to, em cumpri­men­to de decisão judi­cial con­de­natória tran­si­ta­da em julgado.

Como é feito esse pagamento?

R: Ao final da lon­ga trami­tação do proces­so judi­cial a decisão con­de­natória da Fazen­da, no caso, da União, tran­si­ta em jul­ga­do, isto é, não mais cabe qual­quer recurso.

Então, o val­or da con­de­nação é apu­ra­do por meio de liq­uidação de sen­tença que cal­cu­la o val­or do prin­ci­pal, acresci­do de juros e cor­reção mon­etária; de despe­sas proces­suais desem­bol­sadas pelo autor da ação; de despe­sas peri­ci­ais quan­do hou­ver; e da ver­ba hon­orária sucumbencial.

O val­or total assim apu­ra­do é req­ui­si­ta­do por ofí­cio do Pres­i­dente do Tri­bunal que pro­feriu a decisão exequenda.

Esse ofí­cio req­ui­sitório é denom­i­na­do de pre­catório judi­cial. Des­de que ele seja entregue à Fazen­da deve­do­ra (no caso, União) até o dia 1º de jul­ho tem o seu val­or incluí­do no orça­men­to anu­al do exer­cí­cio seguinte, para paga­men­to no perío­do de 1º de janeiro até 31 de dezembro.

Se o pre­catório for entregue fora do perío­do req­ui­si­to­r­i­al, isto é, depois do dia 1º de jul­ho, por exem­p­lo, no dia 2 de jul­ho de 2021, o seu val­or somente será incluí­do no orça­men­to sub­se­quente ao seguinte, isto é, no exer­cí­cio de 2023, para paga­men­to no perío­do de janeiro a dezem­bro de 2023. Nota-se, por­tan­to, que por uma difer­ença de ape­nas um dia, o pra­zo de paga­men­to de pre­catório é poster­ga­do no mín­i­mo em 18 meses. No exem­p­lo dado, se o pre­catório for pago no últi­mo dia do pra­zo (31–12-2023), o paga­men­to estará sendo feito depois de decor­ri­dos 30 meses, a con­tar da data em que o pre­catório foi rece­bido pela enti­dade políti­ca devedora.

Dev­i­do a morosi­dade do pro­ced­i­men­to admin­is­tra­ti­vo para quitação de pre­catórios muitos cre­dores acabam mor­ren­do, sem perce­ber o crédi­to obti­do à dura pena. Isso quan­do o deman­dante idoso não falece no cur­so do lon­go proces­so de con­hec­i­men­to de 5 a 6 anos em média (juí­zo de primeira instân­cia, Tri­bunal de Justiça/Tribunal Region­al Fed­er­al e STJ/STF), ou no cur­so da apu­ração do mon­tante do crédi­to segui­da de expe­dição de pre­catório, um pro­ced­i­men­to que deman­da cer­ca de um ano.

Nos âmbitos estad­ual e munic­i­pal mil­hares de pre­ca­toris­tas já mor­reram na inter­mináv­el fila de pre­catórios que começou em 5 de out­ubro de 1988, com a pro­mul­gação da Con­sti­tu­ição vigente, que con­cedeu  moratória de 8 anos (art. 33 do ADCT). Des­de então suces­si­vas PECs vêm sendo pro­mul­gadas e a últi­ma delas pror­ro­gou a liq­uidação dos pre­catórios pen­dentes até o dezem­bro de 2029 (EC 109/21).

Os pre­ca­toris­tas são víti­mas silen­ciosas que vão mor­ren­do ao lon­go do tem­po, sem que a mídia noti­cie, como ocorre com as víti­mas de assas­si­na­to ou de covid-19. Ficar aguardan­do mais de 20 anos na fila e mor­rer sem usufruir do resul­ta­do mate­r­i­al da decisão judi­cial que lhe asse­gurou o crédi­to não ape­nas tor­na inócua e inútil o princí­pio da inafasta­bil­i­dade da juris­dição inser­to no art. 5º, XXXV da CF, como tam­bém, do pon­to de vista social rep­re­sen­ta uma das mais graves vio­lações dos dire­itos humanos. Por isso, a Comis­são Inter­amer­i­cana de Dire­itos Humanos da Orga­ni­za­ção dos Esta­dos Amer­i­canos (OEA) pre­tende jul­gar o méri­to das denún­cias for­mu­ladas por pre­ca­toris­tas de San­to André (São Paulo) e dos Esta­dos do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul  con­tra o Esta­do Brasileiro por des­cumpri­men­to sis­temáti­co dos precatórios.

Já é pos­sív­el com­preen­der que essa PEC 23/21 out­ra coisa não faz senão apro­pri­ar-se do din­heiro per­ten­cente a cre­dores, por decisão judi­cial tran­si­ta­da em jul­ga­do, para finan­ciar um pro­gra­ma social com vis­tas às eleições de 2022. Ess­es val­ores, na ver­dade, R$ 89 bil­hões, per­tencem a pre­ca­toris­tas, tan­to é que fig­u­ram na pro­pos­ta orça­men­tária de 2022 em dis­cussão no Con­gres­so Nacional. Tratam-se de din­heiros carim­ba­dos com des­ti­nação certa.

Logo, ess­es pre­catórios são pagáveis, sal­vo na improváv­el hipótese de a recei­ta ficar aquém do mon­tante esti­ma­do. Não se tratam, por­tan­to, de pre­catórios que não podem pagar, mas, de pre­catórios que não querem pagar.

Do expos­to con­clui-se que o que o gov­er­no e o Con­gres­so Nacional estão fazen­do é sim­ples­mente apro­pri­ar-se de recur­sos per­ten­centes a legí­ti­mos cre­dores, para dá-los aos menos favore­ci­dos de nos­sa sociedade. O Chefe do Exec­u­ti­vo e os con­gres­sis­tas estão nego­cian­do o mon­tante de pre­catórios a não serem pagos, isto é, estão nego­cian­do sobre crédi­tos de ter­ceiros. Por que não nego­ci­am as ver­bas prove­nientes de emen­das indi­vid­u­ais  e de ban­cadas a que fazem jus os con­gres­sis­tas? Ou os recur­sos dos fan­tás­ti­cos fun­dos par­tidário e eleitoral?

A ação dos par­la­mentares de elab­o­rar e aprovar a PEC 23/21 em nada difere do com­por­ta­men­to de alguém, solidário e altruís­ta, que pro­move uma doação sub­stan­cial a inte­grantes de uma enti­dade benef­i­cente, porém, com os recur­sos finan­ceiros fur­ta­dos ou rou­ba­dos de seus vizinhos.

Se os des­ti­natários dessa doação, sabedores da origem dos recur­sos doa­d­os, ficarem gratos e agrade­ci­dos ao doador sig­nifi­ca que eles perder­am a noção de éti­ca, enveredan­do-se pelo cam­in­ho da imoralidade.

Gov­er­nante e con­gres­sis­tas se iden­ti­fi­cam com o quadro retroc­i­ta­do. Duas das impor­tantes insti­tu­ições públi­cas (Poder Exec­u­ti­vo e Poder Leg­isla­ti­vo) agem com a maior des­façatez apro­prian­do-se de din­heiro per­ten­cente a cre­dores por decisão judi­cial, para dis­tribuí-lo a um con­tin­gente de hipos­su­fi­cientes. O que é pior, cogi­ta-se de uti­lizar parte dos recur­sos sur­ru­pi­a­dos para engor­dar o fun­do eleitoral e majo­rar os val­ores das emen­das do Relator.

Uma pop­u­lação esclare­ci­da jamais pode­ria aceitar, muito menos aplaudir essa ação ignó­bil que den­i­gre a imagem do Esta­do, den­tro e fora do País, pela práti­ca de con­du­ta ile­gal, incon­sti­tu­cional, imoral e car­ac­ter­i­zado­ra de infração penal.

Essa PEC 23/21 é mate­rial­mente incon­sti­tu­cional, por vio­lar em blo­co, o princí­pio da uni­ver­sal­i­dade de juris­dição; o princí­pio da razoáv­el duração do proces­so; o princí­pio do dire­ito adquiri­do, do ato jurídi­co per­feito e da coisa jul­ga­da;  os princí­pios da irretroa­t­ivi­dade,  da legal­i­dade, da impes­soal­i­dade e da efi­ciên­cia; além de aten­tar con­tra o dire­ito de pro­priedade, todos pro­te­gi­dos em nív­el da cláusu­la pétrea.

Padece, tam­bém, do vício do proces­so leg­isla­ti­vo, porque o Pres­i­dente da Câmara con­vo­cou, por via remo­ta, 17 dep­uta­dos que se encon­travam no exte­ri­or par­tic­i­pan­do dos tra­bal­hos da COP 26, em Glas­gow, Escó­cia, para votarem, sem terem a menor noção do que esta­va sendo debati­do, saben­do uni­ca­mente que cada dep­uta­do que votasse favo­rav­el­mente à aprovação da PEC 23/21 faria jus a R$ 15 mil­hões, a títu­lo de Emen­da do Rela­tor. Resul­ta­do, a PEC 23/21 foi aprova­da em 1º  e 2º turnos superan­do com tran­qüil­i­dade os 308 votos necessários.

Dessa for­ma, à imoral­i­dade mate­r­i­al soma-se a imoral­i­dade processual.

Nem a decisão monocráti­ca da min­is­tra Rosa Weber, que proibiu o paga­men­to dessa Emen­da do Rela­tor por ausên­cia de transparên­cia, pub­li­ci­dade e de mecan­is­mos de con­t­role e fis­cal­iza­ção da despe­sa abalou a firme deter­mi­nação do Pres­i­dente da Câmara de man­ter o cal­endário da votação em segun­do turno, que acabou acon­te­cen­do, como se viu.

Esse episó­dio rep­re­sen­ta uma ver­dadeira radi­ografia moral dos com­po­nentes dos Poderes Exec­u­ti­vo e Leg­isla­ti­vo que trans­for­mam o Esta­do Fed­er­al Brasileiro em um ser aéti­co despi­do de moral e de pudor. Os 323 par­la­mentares que votaram pela aprovação dessa PEC 23/21, bem como o gov­er­nante que a patroci­na  são pes­soas não habil­i­tadas para o nobre exer­cí­cio de car­gos públi­cos e, por isso, devem ter seus nomes guarda­dos na memória da pop­u­lação ordeira, para que sejam expur­ga­dos da vida públi­ca nas eleições de 2022, por calotearem os cre­dores por pre­catórios e que estão, aos poucos, mor­ren­do à espera do pro­lon­ga­do tem­po para per­cepção de seus créditos.”

Presidente da Academia Paulista de Direito visita Caio Augusto Silva dos Santos, Presidente da OAB.SP

Presidente da Academia Paulista de Direito visita Caio Augusto Silva dos Santos, Presidente da OAB.SP

No sába­do, dia 13 de novem­bro, Alfre­do Attié, Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito  e Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas, vis­i­tou Caio Augus­to Sil­va dos San­tos, Pres­i­dente da Ordem dos Advo­ga­dos do Brasil, Seção São Paulo.

Na ocasião, Attié foi rece­bido pelas Advo­gadas Luzia Paula Moraes Can­tal, Mar­garete de Cás­sia Lopes e Aline Fávero, da OAB/SP e da Caixa de Assistên­cia dos Advo­ga­dos de São Paulo, e pelo Advo­ga­do Arnobio Rocha, Vice-Pres­i­dente da Comis­são de Dire­itos Humanos da OAB/SP, estando tam­bém pre­sente a Advo­ga­da Rober­ta de Bra­gança Fre­itas Attié, dire­to­ra edi­to­r­i­al da POLIFONIA Revista Inter­na­cional da Acad­e­mia Paulista de Direito.

Na con­ver­sa, na man­hã de um dia enso­lara­do pri­maver­il paulis­tano, os relatos dos pon­tos mais impor­tantes das ideias e das gestões de Attié e Caio Augus­to, além da pos­si­bil­i­dade de impor­tantes parce­rias das duas insti­tu­ições jurídi­cas, tradi­cionais e tão impor­tantes na história da democ­ra­cia brasileira.

Caio Augus­to falou sobre a descen­tral­iza­ção da Esco­la Supe­ri­or da Advo­ca­cia e da  atenção à advo­ca­cia mais sim­ples e dos gan­hos com a descen­tral­iza­ção e val­oriza­ção das Sub­sec­cionais da OAB, nas várias cidades paulis­tas e bair­ros paulis­tanos, além do cuida­do com a rep­re­sen­tação e afir­mação da diver­si­dade, pre­ocu­pação comum da APD.

Attié rela­tou os tra­bal­hos da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, com ênfase nos ACADEMIA PESQUISA, núcleos que abrigam pesquisadores e pesquisado­ras e fazem a ponte com a sociedade e incen­ti­vam sua par­tic­i­pação na con­sti­tu­ição de um dire­ito mais inclu­si­vo, diver­so, rep­re­sen­ta­ti­vo e trans­for­mador. Falou, ain­da da POLIFONIA e do pro­je­to edi­to­r­i­al da APD, inclu­sive sobre a Série “Brasil 200 Anos: Uma Cel­e­bração Críti­ca:”,  que Attié vem realizando.

Na pau­ta, ain­da, o rela­ciona­men­to entre Advo­ca­cia e profis­sões públi­cas, sobre­tu­do a Justiça, além de impor­tantes questões sobre edu­cação e ensi­no jurídicos.

Em breve, um encon­tro espe­cial, com a par­tic­i­pação de Caio Augus­to na Série da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, Cadeira San­ti­a­go Dan­tas que repen­sa o pas­sa­do do Brasil, as razões do pre­sente e reflete sobre o desen­ho do futuro, a par­tir de 2022.

 

Wanderley Federighi é eleito Presidente da Seção de Direito Público do TJSP

Wanderley Federighi é eleito Presidente da Seção de Direito Público do TJSP

O Desem­bar­gador Wan­der­ley Fed­erigui, Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, foi eleito Pres­i­dente da Seção de Dire­ito Públi­co do Tri­bunal de Justiça de São Paulo.

Com expres­si­va votação, o jurista, autor de livros e impor­tantes tra­bal­hos e decisões na área do dire­ito con­sti­tu­cional, admin­is­tra­ti­vo e proces­su­al, assume  o rel­e­vante car­go, à frente da mais impor­tante Corte de Dire­ito Públi­co brasileira, ao lado do Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al e do Supe­ri­or Tri­bunal de Justiça.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito pres­ta hom­e­nagem a seu Mem­bro, sem­pre orgul­hosa dos feitos e da excelên­cia de sua composição.

Para os demais car­gos da Corte Paulista foram eleitos:

Presidên­cia
Des. Ricar­do Mair Anafe

Vice-Presidên­cia
Des. Guil­herme Gonçalves Strenger

Cor­rege­do­ria-Ger­al da Justiça
Des. Fer­nan­do Anto­nio Tor­res Garcia

Pres­i­dente da Seção de Dire­ito Criminal
Des. Fran­cis­co José Galvão Bruno

Pres­i­dente da Seção de Dire­ito Privado
Des. Artur César Beretta da Silveira

Esco­la Paulista da Magistratura
Cha­pa: Des. José Maria Câmara Júnior