Direito e Razão

Direito e Razão

Em meio à Bib­liote­ca da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, ao con­tex­to social da crise democráti­ca, e aos acon­tec­i­men­tos recentes da políti­ca e da justiça brasileira, está o sóbrio estu­do de Lui­gi Fer­ra­joli, que foi Pro­fes­sor e Dire­tor da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de Cameri­no, apro­pri­ada­mente chama­do de Dire­ito e Razão.

Fer­ra­joli é o maior rep­re­sen­tante da teo­ria do garan­tismo con­sti­tu­cional e penal.

O  livro de Fer­ra­joli foi traduzi­do para a lín­gua por­tugue­sa pelo Acadêmi­co Tit­u­lar da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, Fauzi Choukr, e pelos Pro­fes­sores Juarez Tavares, Ana Paula Zomer Sica e Luiz Flávio Gomes, e edi­ta­do pela Sarai­va, estando já em quar­ta edição, 2014.

Ao pref­a­ciar a obra, em 1989, Nor­ber­to Bob­bio, clas­si­f­i­can­do seu autor entre os pos­i­tivis­tas e os ilu­min­istas, enal­tece a con­strução críti­ca da argu­men­tação, e sub­lin­ha: “não é casu­al que, na pági­nas finais, Fer­ra­joli cite com hon­ra o pre­cioso pequeno livro de Jher­ing, A luta pelo Dire­ito, no qual a luta pelo dire­ito se apre­sen­ta como um dev­er para nós mes­mos e para os demais. Não é por aca­so que nas mes­mas pági­nas se recu­pere com hon­ra o princí­pio da “garan­tia social”, enun­ci­a­do no art. 23 da Con­sti­tu­ição france­sa de 1793, defini­da como a ação de todos para asse­gu­rar a cada um o gozo e a con­ser­vação de seus dire­itos. Para­doxal­mente, para con­cluir, até mes­mo o mais per­feito sis­tema do garan­tismo não pode encon­trar em si mes­mo sua própria garan­tia e exige a inter­venção ati­va por parte dos indi­ví­du­os e dos gru­pos na defe­sa dos dire­itos que, ain­da quan­do se encon­trem nor­ma­ti­va­mente declar­a­dos, nem sem­pre estão defin­i­ti­va­mente pro­te­gi­dos.

Uma advertên­cia fun­da­men­tal, diante da exal­tação de âni­mos pre­sente em todo mun­do, mas sobre­tu­do diante da ameaça aos dire­itos humanos, à democ­ra­cia e à própria humanidade, rep­re­sen­ta­da pela ascen­são dos regimes autoritários e a sedução dos órgãos judi­ciários diante das fal­sas promes­sas das mentes que se con­sid­er­am ilu­mi­nadas, ilu­di­das por se dese­jarem con­du­toras de um tem­po inal­cançáv­el. É na democ­ra­cia e na con­vivên­cia de respeito pelos dire­itos humanos que se con­strói o futuro.

Academia na Italia, em Camerino

Academia na Italia, em Camerino

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito par­tic­i­pará do even­to real­iza­do pela Cát­e­dra UNESCO, na Uni­ver­si­dade de Cameri­no, Itália, no final do mês de novembro.

O even­to tem por tema: Dire­itos Humanos e Vio­lên­cia: Gov­er­no e Gov­er­nança: Os Deveres na Era dos Dire­itos, entre Éti­ca e Mer­ca­do, ten­do como coor­de­nado­ra cien­tí­fi­ca a Pro­fes­so­ra Maria Cristi­na de Cic­co, da UNICAM.

O Pres­i­dente da Acad­e­mia e Acadêmi­co Tit­u­lar da Cadeira San Tia­go Dan­tas, Alfre­do Attié, dis­cor­rerá, na aber­tu­ra do even­to, sobre “Regime de Mer­ca­do e de Esta­do: dire­itos e deveres na Con­strução da Democ­ra­cia,” e a Acadêmi­ca Tit­u­lar da Cadeira Rua de Azeve­do Sodré, Elza Boi­teux, em seu fechamen­to, sobre “A Dig­nidade como Dever.”

O even­to ain­da terá a impor­tante par­tic­i­pação de juris­tas dos dois País­es, de Uni­ver­si­dades e Insti­tu­tos, além da Espan­ha e de Por­tu­gal.

Estão con­vi­da­dos todos os Acadêmi­cos e Acadêmi­cas da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, bem como seus pesquisadores e pesquisado­ras, bem como toda a comu­nidade jurídi­ca paulista e brasileira.

Vejam a pro­gra­mação com­ple­ta a seguir.

 

CATTEDRA UNESCO
“ Diritti umani e violenza:governo e governanza”
Giovedì 21 novembre ore 14
Saluti autorità
Presiede e modera: Paolo BIANCHI, Università di Camerino
Le ragioni di un convegno
Maria Cristina De CICCO, Università di Camerino
Solidarietà e differenza
Pasquale FEMIA, Università della Campania “Luigi Vanvitelli”
Relazione fra diritti delle generazioni future e doveri attuali
Tatiana GUARNIER, Università di Camerino
Regimi di mercato e di Stato: diritti e doveri nella costruzione della Democrazia
Alfredo ATTIÉ, Academia Paulista de Direito, Brasile
Tra la democratura e la partitocrazia: il dovere civico di votare e il diritto
ad essere eletto
Eduardo VERA-CRUZ PINTO, Universidade de Lisboa, Portogallo
Cittadinanza partecipativa e l’etica contemporanea: utopia o realtà
Marco Antonio MARQUES DA SILVA, Pontificia Universidade Católica PUC/SP,
Brasile
Venerdi 22 novembre ore 9
Presiede e modera: Felice MERCOGLIANO, Università di Camerino
Costituzione brasiliana del 1988: molti diritti e pochi doveri
Alessandro HIRATA, Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto, Brasile
I diritti e doveri dei genitori fra modelli socio-culturali e superiore interesse
del minore
Loredana MURA, Università di Brescia
Parentalidade e conjugalidade: nuove realtà
Evani ZAMBON MARQUES DA SILVA, Pontificia Universidade Católica PUC/SP,
Brasile
L’assegno di mantenimento in Spagna: quando i diritti diventano doveri
Inmaculada VIVAS-TÉSON, Universidad de Sevilla
Diritto di azione ed etica processuale
Maria Pia GASPERINI, Università di Camerino
La dignità come dovere: il caso Suzane Von Richtofen
Elza BOITEUX
Amtliche Eidesleistung der Lehrer: diritti e doveri scritti alla lavagna
Silvia MAZZO, Abogada ICAB Jerez de la Frontera
Venerdì 22 novembre ore 14:30
Presiede e modera: Rinaldo EVANGELISTA, Università di Camerino
Per una riscoperta della cultura del riformismo
Roberto SCHIATTARELLA, Università di Camerino
Mercato: diritti e doveri economici nella Costituzione brasiliana di 1988
Monica CAGGIANO, Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto, Brasile
La logica diritti/obblighi nel diritto internazionale e dell’Unione Europea
in materia di investimenti
Pia ACCONCI, Università di Teramo
La responsabilità sociale d’impresa quale strumento per la regolazione delle
catene globali del valore
Carla GULOTTA, Università di Milano-Bicocca
Il mercato delle università in Brasile e i suoi riflessi sul diritto e sulla garanzia
fondamentale dell’accesso alla giustizia
Ivan Aparecido RUIZ, Universidade Estadual de Maringá, Paraná, Brasile
I doveri del mercato verso la società
Catia GENTILUCCI, Università di Camerino
Comitato scientifico
Maria Cristina De Cicco
Agostina Latino
Segreteria organizzativa
Scuola di Giurisprudenza
Con il patrocinio di:
Scuola di Giurisprudenza
Dottorato di ricerca in Legal and Social Scienses, curriculum Il diritto civile nella legalità costituzionale
“C’è una differenza enorme fra accettare l’ideale democratico per la società nel suo complesso e essere disposto ad accettarlo come una guida per la condotta personale quotidiana di ognuno di noi”.
B.Lasker, Democracy through Discussion, 1949
Camerino 21–22 novembre 2019
Sala convegni Rettorato – Via A. D’Accorso, 16

Biblioteca da Academia Paulista de Direito enriquece seu acervo

Biblioteca da Academia Paulista de Direito enriquece seu acervo

A sele­ta Bib­liote­ca da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito — com­pos­ta, prin­ci­pal­mente, de livros ori­un­dos dos acer­vos par­tic­u­lares de seus Acadêmi­cos, bem como de livros doa­d­os por impor­tantes juris­tas brasileiros — tem sido, na atu­al gestão, obje­to de cuida­do, cat­a­lo­gação, bem como de proces­so pau­lati­no de dig­i­tal­iza­ção, para per­mi­tir a con­ser­vação de seu acer­vo e o aces­so ao públi­co cres­cente de cul­tores do direito.

Recebe, ago­ra, impor­tante acrésci­mo no cur­so de sua con­strução como fonte per­ma­nente de con­sul­ta, estu­do e difusão de con­hec­i­men­to, por meio da doação de parte impor­tante da bib­liote­ca par­tic­u­lar da Pro­fes­so­ra Dorothee Susanne Rüdi­ger.

É moti­vo de ale­gria, afir­ma o Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, Alfre­do Attié, que foi cole­ga de Dorothee Rüdi­ger, na UNESP, “porque sig­nifi­ca a aquisição de livros impor­tantes, resul­ta­do de pre­ciosa dis­posição na con­sti­tu­ição de uma car­reira de estu­dos e de pesquisa sól­i­da, que se pode obser­var da exper­iên­cia docente e de escri­ta da queri­da pro­fes­so­ra e amiga.”

Dorothee Susanne Rüdi­ger nasceu em Tien­gen am Hochrhein, na Ale­man­ha. Tem for­mação acadêmi­ca com Grad­u­ação em Dire­ito (1980) pela Uni­ver­si­dade de Freiburg im Breis­gau,  Mestra­do (1990) e  Doutora­do (1995)  em Dire­ito pela Uni­ver­si­dade de São Paulo.  Ini­ciou sua car­reira como pro­fes­so­ra uni­ver­sitária no cam­po do Dire­ito, quan­do ingres­sou na  Fac­ul­dade de História, Dire­ito e Serviço Social da Uni­ver­si­dade Estad­ual Paulista no Cam­pus de Fran­ca SP (1988). Foi pro­fes­so­ra  de várias uni­ver­si­dades par­tic­u­lares e comu­nitárias, das quais se desta­cam a Uni­ver­si­dade Metodista de Piraci­ca­ba SP, na qual foi docente  nos cur­sos de grad­u­ação e pós-grad­u­ação stric­to sen­su em Dire­ito e coor­de­nado­ra de coor­de­nado­ra de cur­so de grad­u­ação e de mestra­do (2008). No final da car­reira acadêmi­ca em dire­ito, foi docente nos cur­sos de grad­u­ação em Dire­ito e  em Relações Inter­na­cionais  e de mestra­do e doutora­do em Dire­ito da Uni­ver­si­dade Católi­ca de San­tos até  aposen­tar-se  em  jun­ho de 2018. Des­de 1988 tem se ded­i­ca­do a estu­dar  o dire­ito e as relações de tra­bal­ho, desen­vol­ven­do, a par­tir de 1996,  lin­ha de pesquisa sobre o tema do dire­ito e da glob­al­iza­ção.  Resul­ta­do das pesquisas são pub­li­cações trans­dis­ci­pli­nares ded­i­cadas ao tra­bal­ho, ao ambi­ente de tra­bal­ho e às for­mas de sua reg­u­lação na sociedade glob­al.  Estu­diosa da pós-mod­ernidade e das mudanças dos laços soci­ais con­tem­porâneas, tornou-se psi­canal­ista laca­ni­ana   e pesquisado­ra que estu­da os novos laços soci­ais e o o dire­ito pelo enfoque da psi­canálise .  Des­de 2005 é mem­bro do Insti­tu­to da Psi­canálise Laca­ni­ana em São Paulo, onde atua como psi­canal­ista clíni­ca, pesquisado­ra e docente.

Car­in­hosa­mente, Dorothee Rüdi­ger chama seus livros e autores predile­tos de “meus querid­in­hos”, e asse­gu­ra: “Attié, sei  que a Acad­e­mia fica per­t­in­ho de casa. Terei aces­so aos livros na bib­liote­ca da Acad­e­mia, o que me per­mite des­faz­er-me de meus “querid­in­hos” ( Har­vey, Castells, Antunes, Boaven­tu­ra de Sousa San­tos… ). Se eu pre­cis­ar , viro a esquina da min­ha casa e os vejo na Acad­e­mia. Ótimo.”

Por­tan­to, estu­dantes, ami­gos e ami­gas de “Doro”, como car­in­hosa­mente é chama­da, terão mais uma espaço, em que podem vir a des­fru­tar de sua agradáv­el companhia.

É de amor ao con­hec­i­men­to, mas sobre­tu­do de amizade que se faz ciên­cia e arte, e se con­strói o pro­je­to e a mis­são da Acad­e­mia Paulista de Direito.

A QUE TÍTULO PRENDER ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA PENAL: A RECONVERSÃO À INCONSTITUCIONALIDADE, PELO STF, NO HC 126.292 — Pág. 306–323

« Sumário

RESUMO: O pre­sente tex­to se vale do jul­ga­men­to do HC 126.292, pelo STF, para dis­cu­tir as per­manên­cias con­ceitu­ais e leg­isla­ti­vas sobre a “exe­cução pro­visória” de uma sanção penal não defin­i­ti­va, em clara dis­sonân­cia com as bases con­sti­tu­cionais e con­ven­cionais da matéria. Assu­min­do-se essa pos­si­bil­i­dade, man­tém-se toda uma históri­ca deses­tru­tu­ra opera­cional-leg­isla­ti­va que invi­a­bi­liza o fim cor­re­to da prestação juris­di­cional no Esta­do de Dire­ito, o da pro­dução de uma sen­tença de méri­to no pra­zo razoáv­el. Ven­di­do como um dis­cur­so efi­ci­en­tista, seu resul­ta­do práti­co é exata­mente o inverso.

PALAVRAS-CHAVE: Con­sti­tu­ição. Exe­cução da pena. Trân­si­to em jul­ga­do. Pre­sunção de inocência.

DATA DE SUBMISSÃO: 11/07/2019 | DATA DE APROVAÇÃO: 21/07/2019

 

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DIREITO INTERNACIONAL E DEMOCRACIA NA PRIMAVERA ÁRABE: O CASO DA LÍBIA NO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL — Pág. 292–310

< Sumário

RESUMO: O pre­sente estu­do ded­i­ca-se à com­preen­são do caso da Líbia sub­meti­do pelo Con­sel­ho de Segu­rança das Nações Unidas ao Tri­bunal Inter­na­cional como con­se­quên­cia de vio­lações empreen­di­das pelo referi­do Esta­do durante a Pri­mav­era Árabe no con­tex­to da Pro­moção da Democ­ra­cia no Dire­ito Internacional.

PALAVRAS-CHAVE: Democ­ra­cia, Autode­ter­mi­nação, Dire­itos Humanos, Pri­mav­era Árabe, Tri­bunal Penal Internacional.

DATA DE SUBMISSÃO: 15/11/2018 | DATA DE APROVAÇÃO: 25/11/2018

 

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A REFORMA TRIBUTÁRIA DE QUE O BRASIL PRECISA — Pág. 284–305

« Sumário

RESUMO: O arti­go tem por obje­ti­vo definir e anal­is­ar a neces­si­dade e os ter­mos de real­iza­ção de uma refor­ma fis­cal brasileira, ou de seu sis­tema trib­utário. Nesse âmbito, pro­cede à críti­ca dos tra­bal­hos elab­o­ra­dos pelo Con­gres­so Nacional, tan­to pelo Sena­do quan­to pela Câmara, que se têm foca­do exclu­si­va­mente, em seus pro­je­tos, no tema da trib­u­tan­do do con­sumo. Levan­do em con­sid­er­ação o fato de que o momen­to políti­co brasileiro é sin­gu­lar, a par­tir de análise econômi­ca e de con­sis­tente encam­in­hamen­to jurídi­co, os autores sug­erem refor­ma de maior ampli­tude. Este é o primeiro de uma série de três arti­gos, a serem pub­li­ca­dos tam­bém pela Poli­fo­nia Revista Inter­na­cional da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, desen­volvi­dos no Núcleo de Estu­dos Para Uma Nova Ordem Trib­utária da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, que os autores coor­de­nam e com­põem. Nes­ta primeira con­tribuição, são crit­i­cadas as pre­mis­sas equiv­o­cadas da PEC 45/2019 e da PEC 110/2019, prin­ci­pais pro­je­tos em dis­cussão. Na segun­da parte, o que se exam­i­nará é se e como seria pos­sív­el intro­duzir-se em nos­so País um IVA dual como o aven­ta­do no Sub­sti­tu­ti­vo à PEC 110/2019 apre­sen­ta­do pela CCJ do Sena­do. E, na ter­ceira parte, serão apon­tadas questões a serem enfrentadas em sede de refor­ma con­sti­tu­cional ampla do sis­tema tributário.

PALAVRAS-CHAVE: Dire­ito Trib­utário. Refor­ma Trib­utária. Trib­u­tação sobre con­sumo. Pro­je­tos de lei. Críti­ca legislativa.

DATA DE SUBMISSÃO: 01/07/2019 | DATA DE APROVAÇÃO: 25/07/2019

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Em Reedição, Clássico da Literatura Jurídica Brasileira

Em Reedição, Clássico da Literatura Jurídica Brasileira

Os Acadêmi­cos Tit­u­lares da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito,  Rosa Maria de Andrade Nery, Pro­fes­so­ra Tit­u­lar da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca de São Paulo — PUCSP e Desem­bar­gado­ra aposen­ta­da do Tri­bunal de Justiça de São Paulo, e Nel­son Nery Jr, Pro­fes­sor Tit­u­lar da Uni­ver­si­dade Estad­ual Paulista Júlio de Mesqui­ta Fil­ho — UNESP, e Procu­rador de Justiça aposen­ta­do do Min­istério Públi­co de São Paulo, lançam, em segun­da edição, seu livro Intro­dução à Ciên­cia do Dire­ito Pri­va­do, pela Edi­to­ra Revista dos Tri­bunais.

O livro foi edi­ta­do orig­i­nal­mente como parte da Coleção Insti­tu­ições do Dire­ito Civ­il,  ago­ra aparece em pub­li­cação revista, ampli­a­da, atu­al­iza­da e destacada.

Seu caráter didáti­co não des­cu­ra do apro­fun­da­men­to da pesquisa e da análise, ino­vado­ra tan­to nos temas e no modo de os abor­dar, como tam­bém na descober­ta e difusão de autores e doutrinas.

Acadêmico Titular da Academia Paulista ingressa na New York Academy of Sciences

Acadêmico Titular da Academia Paulista ingressa na New York Academy of Sciences

Wag­n­er Menezes, Pro­fes­sor Asso­ci­a­do da Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo, Acadêmi­co Tit­u­lar da Cadeira Fran­cis­co Mora­to da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, pas­sa a inte­grar a bicen­tenária Acad­e­mia de Ciên­cias de Nova Iorque.

A NYAS foi fun­da­da em 1817, está volta­da ao desen­volvi­men­to cien­tí­fi­co, sobre­tu­do com pro­gra­mas ofer­e­ci­dos a jovens estu­dantes, con­ta com mais de 20.000 mem­bros de mais de 100 país­es, com um Con­sel­ho Pres­i­dente que inclui 36 gan­hadores do Prêmio Nobel e uma dis­tin­ta Assem­bleia de Gov­er­nadores com­pos­ta por líderes de negó­cios, acad­e­mia e filantropia.

A enti­dade tem como mis­são con­vo­car e mobi­lizar as comu­nidades de espe­cial­is­tas; catal­is­ar ações cole­ti­vas para enfrentar os desafios globais; e apoiar cien­tis­tas e engen­heiros em todas as eta­pas de suas pesquisas.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito jun­ta-se à Acad­e­mia Brasileira de Dire­ito Inter­na­cional, nes­sa comemoração.

Congresso Sobre Sociedade de Informação e Direito

Congresso Sobre Sociedade de Informação e Direito

O Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, Alfre­do Attié, par­tic­i­pa, como con­vi­da­do, hoje, dia 6 de novem­bro de 2019, do II Con­gres­so Inter­na­cional Infor­ma­tion Soci­ety and the Law, orga­ni­za­do pelo Pro­gra­ma de Mestra­do da Uni FMU.

O even­to dis­cute as impli­cações para o dire­ito das novas tec­nolo­gias da infor­mação, apre­sen­tan­do os tra­bal­hos de alunos, pesquisadores e pro­fes­sores lig­a­dos ao Pro­gra­ma de Mestra­do em Dire­ito do Cen­tro Uni­ver­sitário, e convidados.

Estarão pre­sentes, tam­bém, o Reitor daF­MU, Manuel Nabais de Fur­riela, o Vice-Pres­i­dente da OAB/SP, Ricar­do Luiz de Tole­do San­tos Fil­ho, o Dire­tor da Esco­la de Dire­ito da FMU, Fábio Fran­co Pereira, o Coor­de­nador do Pro­gra­ma de Mestra­do, Ricar­do Senise Lis­boa„ os rep­re­sen­tantes da Capes, Ricar­do Has­son Sayeg e Fil­ipe Chiarel­lo de Souza Pin­to, e o Rep­re­sen­tante do Con­sula­do Ger­al do Japão em São Paulo, Motonori Ueda.

Academia firma Convênio com a Università di Camerino

Academia  firma Convênio com a Università di Camerino

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, rep­re­sen­ta­da por seu Pres­i­dente, e por meio da Cadeira San Tia­go Dan­tas e de seus ACADEMIA PESQUISA — , assi­nou Con­vênio com a Uni­ver­sità degli Stu­di di Cameri­no, rep­re­sen­ta­da por seu Reitor, e pela Pro­fes­so­ra Asso­ci­a­da Maria Cristi­na De Cic­co.

Brasão Uni­ver­si­dade

O Acor­do de Coop­er­ação visa ao inter­câm­bio cul­tur­al, de pesquisa e edu­ca­cional entre as insti­tu­ições brasileira e ital­iana. Especi­fi­ca­mente, A Acad­e­mia e a Uni­ver­si­dade bus­cam a tro­ca recíp­ro­ca de con­hec­i­men­to, for­mação, pesquisa, infor­mações, exper­iên­cias e cur­sos, bem como a for­mação, desen­volvi­men­to e com­petên­cias teóri­c­as e práti­cas, com o obje­ti­vo de aper­feiçoar os próprios sis­temas jurídi­cos, bus­cam fornecer opor­tu­nidades edu­ca­cionais e de pesquisa e for­mação por meio de cur­sos, sem­i­nários, inter­câm­bio e out­ras atividades.

O con­vênio faz parte dos esforços da atu­al gestão da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito para imple­men­tar meios que facilitem e incen­tivem o exer­cí­cio da pesquisa e a tro­ca de exper­iên­cias, espe­cial­mente pelos Núcleos e Gru­pos de Pesquisa, Estu­do e Ativi­dades de Par­tic­i­pação e Exten­são à Sociedade — ACADEMIA PESQUISA, tam­bém cri­a­dos na atu­al gestão, expandin­do o cam­po de atenção e atu­ação acadêmico.

A inter­na­cional­iza­ção da edu­cação jurídi­ca, afir­ma Alfre­do Attié, Pres­i­dente da Acad­e­mia, “é uma real­i­dade que pre­cisa de acom­pan­hamen­to e dis­ci­plina, para pos­si­bil­i­tar o enriquec­i­men­to da ciên­cia e da práti­ca do dire­ito, das ciên­cias soci­ais e das humanidades. Deve extrap­o­lar a procu­ra dos cur­sos de espe­cial­iza­ção, chama­dos de LLM, no uni­ver­so de lín­gua ingle­sa, em que os estu­dantes são meros espec­ta­dores de doutri­nas pre­vi­a­mente con­struí­das, para que o inter­câm­bio se esta­beleça como ver­dadeira inter­ação, ou par­tic­i­pação e  esforço recípro­co de con­strução cien­tí­fi­ca e cul­tur­al, visan­do ao enriquec­i­men­to do dire­ito e dos ter­mos de con­vivên­cia entre as comu­nidades acadêmi­cas e os povos.

No final do mês de novem­bro, a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito par­tic­i­pará de even­to orga­ni­za­do pela Scuo­la di Giurispru­den­za da Uni­ver­si­dade ital­iana, sob a égide da Cát­e­dra Unesco.

A Uni­ver­si­dade de Cameri­no foi fun­da­da em 1336, como Studi­um Gen­erale, pas­san­do a, em 1727, Uni­ver­si­tas Studii Gen­er­alis, por ato do Papa Bened­i­to XIII. Em 1753, seus diplo­mas tiver­am sua val­i­dade recon­heci­da em todo o chama­do Sacro Império Romano, por delib­er­ação do Imper­ador Fran­cis­co I de Hab­s­bur­go-Lore­na, e, em 1958, tornou-se uni­ver­si­dade pública.

Uni­ver­si­dade

Além dos cur­sos de Grad­u­ação, Pós-Grad­u­ação, Mestra­do e Doutora­do em Dire­ito e em várias áreas do con­hec­i­men­to, incluin­do ciên­cias da natureza, humanas e for­mais, a Uni­ver­si­dade con­ta com Esco­la de Estu­dos Avança­dos, que inclui os temas da for­mação jurídi­ca e do dire­ito civil.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito sente-se hon­ra­da com a dis­tinção desse con­vênio, e envi­da esforços para a real­iza­ção de acor­dos que per­mi­tam a con­cretiza­ção de sua mis­são, sem­pre com insti­tu­ições assim de alta qual­i­dade e com­pro­me­ti­men­to sério com o futuro da edu­cação, da pesquisa e da exten­são de ativi­dades à sociedade internacional.

Reforma Tributária: Núcleo de Estudos conclui etapa de trabalho

Reforma Tributária: Núcleo de Estudos conclui etapa de trabalho

Núcleo de Estu­dos para uma Nova Ordem Trib­utária – NENOT/APD da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, dirigi­do  Acadêmi­co Tit­u­lar Pro­fes­sor Hamil­ton Dias de Souza, coor­de­na­do por ele, pelo Acadêmi­co Tit­u­lar Pro­fes­sor Roque Anto­nio Car­raz­za e pelo Pro­fes­sor Hum­ber­to Ávi­la, ten­do a par­tic­i­pação dos Acadêmi­cos Tit­u­lares Pro­fes­sores Kiyoshi Hara­da e Ives Gan­dra da Sil­va Mar­tins e do Pro­fes­sor Ever­ar­do Maciel, con­clui eta­pa impor­tante de seu tra­bal­ho de pesquisa e con­tribuição para o debate sobre a refor­ma tributária.

No arti­go “A Refor­ma Trib­utária de que o Brasil Pre­cisa”, de auto­ria de Ever­ar­do Maciel, Hamil­ton Dias de Souza, Hum­ber­to Ávi­la, Kiyoshi Hara­da e Roque Anto­nio Car­raz­za, pub­li­ca­do na Poli­fo­nia Revista Inter­na­cional da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito n. 3 Outono/Inverno 2019,  e a ser pub­li­ca­do tam­bém no Con­sul­tor Jurídi­co, ref­er­em as bases econômi­cas e os req­ui­si­tos jurídi­cos a serem con­sid­er­a­dos para uma refor­ma trib­utária con­sis­tente e efi­ciente, bem como sug­erem questões impor­tantes para o debate a respeito de sua per­t­inên­cia, seu con­teú­do e sua extensão.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito agradece e enal­tece o tra­bal­ho desen­volvi­do pelos ilus­tres Pro­fes­sores, em conexão com os ideais e o pro­je­to que ani­mam sua mis­são de se tornar pro­tag­o­nista do evolver da ciên­cia e da prat­i­ca do dire­ito. Pro­moverá even­to, em que os autores do estu­do apre­sen­tarão e debaterão com a comu­nidade jurídi­ca os fun­da­men­tos e as con­se­quên­cias de seu trabalho.

A Academia Paulista em encontro com Patricia Collins

A Academia Paulista em encontro com Patricia Collins

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, por meio de seu Cen­tro Inter­na­cional de Dire­itos Humanos, vin­cu­la­do à Cadeira San Tia­go Dan­tasCIDHSP/APD, par­ticipou do encon­tro com a cien­tista social e ativista norte-amer­i­cana Patri­cia Hill Collins, Pro­fes­so­ra da Uni­ver­si­dade de Mary­land.

A Acad­e­mia esteve rep­re­sen­ta­da pela Dire­to­ra Exec­u­ti­va do CIDHSP/APD e Dire­to­ra Edi­to­r­i­al, Rober­ta de Bra­gança Fre­itas Attié, e pela Pesquisado­ra e Coor­de­nado­ra do Núcleo Abor­da­gens Con­tem­porâneas em Dire­itos Humanos do CIDHSP/APD. Bar­bara Gomes dos San­tos Bar­boza.

O encon­tro, com número sele­to de enti­dades da sociedade civ­il e de movi­men­tos soci­ais, ocor­reu no Cen­tro de For­mação Edu­cação Pop­u­lar, Cul­tura e Dire­itos Humanos da Ação Educa­ti­va, ten­do sido real­iza­do graças aos esforços da pro­fes­so­ra Car­la Car­rochano, da Uni­ver­si­dade Fed­er­al de São Car­los — UFS­Car, no últi­mo domin­go, dia 3 de novem­bro de 2019, e teve como tema Democ­ra­cia, Resistên­cia e Esper­ança.

Patrí­cia Collins esteve no Brasil para lançar a tradução brasileira de seu livro Pen­sa­men­to Fem­i­nista Negro: Con­hec­i­men­to, Con­sciên­cia e a Políti­ca de Empodera­men­to, pub­li­ca­do em 1990, nos Esta­dos Unidos, assim como para par­tic­i­par de alguns sem­i­nários, no SESC-Pin­heiros, na Asso­ci­ação Nacional de Pós-grad­u­ação e Pesquisa em Edu­cação, na Fun­dação Rosa Lux­em­bur­go e na Fes­ta Literária das Per­ife­rias.

Collins é uma das prin­ci­pais refer­ên­cias inter­na­cionais do debate sobre inter­sec­cional­i­dade — per­spec­ti­va que artic­u­la as dis­cussões e teo­rias sobre desigual­dades de raça, classe social, gênero e out­ras -, foi a primeira mul­her negra a pre­sidir a Asso­ci­ação Amer­i­cana de Soci­olo­gia, e, assim como Angela Davis, tem sus­ten­ta­do que o mel­hor cam­in­ho para for­t­ale­cer a resistên­cia políti­ca pas­sa por apro­fun­dar o diál­o­go entre difer­entes ger­ações de ativistas.

Após ter ouvi­do aten­ta­mente as con­tribuições das rep­re­sen­tantes de movi­men­tos soci­ais e de enti­dades da sociedade civ­il, Collins afir­mou admi­rar não ape­nas a resistên­cia, mas sobre­tu­do o ele­va­do grau de preparo e de ativi­dade dos movi­men­tos soci­ais brasileiros.

Angela Davis, recen­te­mente, já havia afir­ma­do sua admi­ração tam­bém pelas lid­er­anças brasileiras, não ape­nas no plano acadêmi­co, mas igual­mente no ambi­ente dos movimentos.

Celso Furtado, Sempre Essencial

Celso Furtado, Sempre Essencial

Real­iza-se, hoje, 4 de novem­bro, na Livraria da Vila da rua Fradique Coutin­ho, em São Paulo, o lança­men­to de mais uma obra de impre­scindív­el leitu­ra de Cel­so Fur­ta­do, seus Diários Inter­mi­tentes 1937–2002, livro orga­ni­za­do por Rosa Freire D’Aguiar e edi­ta­do pela Com­pan­hia das Letras.

Cel­so Fur­ta­do está entre os maiores clás­si­cos do pen­sa­men­to brasileiro, ao lado, por exem­p­lo, de Ser­gio Buar­que de Holan­da, Caio Pra­do Jr, Gilber­to Freyre e Raimun­do Faoro.

Antes dos autó­grafos, haverá uma bate-papo com a escrito­ra, jor­nal­ista e tradu­to­ra Rosa Freire D’Aguiar, o his­to­ri­ador Luiz Felipe de Alen­cas­tro e o embaix­ador Rubens Ricu­pero.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito estará presente.

 

Uma Agenda Fundamental para São Paulo

Uma Agenda Fundamental para São Paulo

Dan­do segui­men­to ao proces­so da Con­fer­ên­cia São Paulo Sua, pro­pos­ta de uma agen­da mín­i­ma ou essen­cial para a Cidade e a Metró­pole de São Paulo, atu­al­iza­da, supra­partidária e par­tic­i­pa­ti­va, real­iza-se, hoje, 4 de novem­bro de 2019, na Fun­dação Esco­la de Soci­olo­gia e Políti­ca de São Paulo, o encon­tro do Núcleo Democ­ra­cia, Gov­er­nança e Par­tic­i­pação, de que faz parte a Acad­e­mia Paulista de Dire­ito.

Exporão as pri­or­i­dades e pau­tas do Núcleo o sociól­o­go Vicente Trevas, dire­tor da AMSUR — Agên­cia Sul-Amer­i­cana para a Coop­er­ação e Gestão Estratég­i­ca de Políti­cas Públi­cas, impor­tante enti­dade de pen­sa­men­to, pesquisa e imple­mem­tação de políti­cas públi­cas no âmbito das cidades e metrópoles, e par­ceira da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, bem como a engen­heira Nádia Campeão, ex-Vice-Prefei­ta e Secretária Munic­i­pal de São Paulo, a arquite­ta e urban­ista Lil­ian Ama­r­al, e o cien­tista políti­co Alber­to Car­los Almei­da.

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito apóia o even­to e par­tic­i­pa da Con­fer­ên­cia São Paulo Sua.

Desastre Ambiental: omissões e versões

Desastre Ambiental: omissões e versões

As causas do desas­tre ambi­en­tal decor­rente do vaza­men­to de óleo na cos­ta brasileira con­tin­u­am inex­pli­cadas. Entre­tan­to, as ver­sões con­tin­u­am a pro­lif­er­ar, ten­do como fontes os difer­entes órgãos de pesquisa e inves­ti­gação ofi­ci­ais brasileiros.

Após ter con­fir­ma­do a inter­pre­tação lev­a­da a cabo pelo Lab­o­ratório de Pesquisas da Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Alagoas de imagem de satélite europeu, o Lab­o­ratório de Pesquisas da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro voltou a sus­ten­tar sua ver­são orig­i­nal (veja aqui), decor­rente de análise pre­lim­i­nar, fei­ta a pedi­do da Mar­in­ha brasileira.

A UFRJ voltou a afir­mar que o vaza­men­to teria por causa o der­ra­ma­men­to de óleo em região local­iza­da entre 600 e 700 km do litoral, na lat­i­tude da divisa entre os Esta­dos de Alagoas e Sergipe, como uma das hipóte­ses. No dia ante­ri­or, porém, havia con­fir­ma­do a afir­mação da UFAL (leia aqui), de que o vaza­men­to ocor­rera a 55 km da cos­ta do Esta­do da Bahia, na lat­i­tude dos Municí­pios de Ita­ma­ra­ju e Prado.

A primeira ver­são da UFRJ, decor­rente de análise pre­lim­i­nar de pos­sív­el local­iza­ção da origem do óleo, com base em com­posição ret­ro­spec­ti­va de cor­rentes marí­ti­mas e ven­tos, foi ado­ta­da pela Mar­in­ha brasileira , e, par­cial­mente pelo Gov­er­no. O Min­istério do Meio Ambi­ente, por sua vez, ado­ta­va uma per­spec­ti­va ide­ológ­i­ca, acu­san­do a Venezuela pelo der­ra­ma­men­to de óleo, e mes­mo afir­man­do, em twit­ter redigi­do pelo Min­istro, que a ONG Green­peace e seu navio (leia, aqui, a respos­ta da ONG) teri­am sido os cau­sadores do que con­sid­er­a­va ataque se não ao Brasil, pelo menos à atu­al gestão governamental.

O Min­istro, por out­ro lado,  teria sido crit­i­ca­do pela sociedade civ­il , por espe­cial­is­tas e téc­ni­cos da ativi­dade de sanea­men­to ambi­en­tal, de omis­são ou de demo­ra na toma­da de providên­cias. Leia, no doc­u­men­to a seguir, a man­i­fes­tação da Asso­ci­ação dos Servi­dores Fed­erais da Área Ambi­en­tal do Esta­do do Rio de Janeiro – ASIBAMA/RJ:

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Hoje, a UFRJ acres­cen­tou a sua ver­são orig­i­nal, mais duas out­ras hipóte­ses quan­to aos pos­síveis pon­tos de origem do vaza­men­to. Um deles,  pode­ria estar “a 350 km da cos­ta da Paraí­ba (primeiro esta­do atingi­do); o out­ro, a cer­ca de 400 km da divisa de Per­nam­bu­co e Alagoas”(leia, aqui) .

De qual­quer modo, a inter­pre­tação da UFAL foi rechaça­da, tan­to pela uni­ver­si­dade car­i­o­ca quan­to pelo IBAMA: “fatores mete­o­rológi­cos ou a pre­sença de microal­gas pode­ri­am ter influ­en­ci­a­do a super­fí­cie do mar de maneira que as ima­gens fun­cionassem como fal­so pos­i­ti­vo, indi­can­do algo que não é real,” comen­tou cien­tista dessa insti­tu­ição de ensi­no e pesquisa brasileira.

Final­mente, já no iní­cio da tarde, a Polí­cia Fed­er­al ofer­e­ceu mais uma ver­são, a de que o navio petroleiro Boubouli­na, de ban­deira gre­ga, de oper­ação da empre­sa Delta Tankers, em situ­ação irreg­u­lar especi­fi­ca­mente rel­a­ti­va ao descarte de óleo, teria sido apreen­di­do nos Esta­dos Unidos, lib­er­a­do, vin­do a obter petróleo em águas venezue­lanas, pas­sa­do pelo litoral brasileiro, ten­do então  der­ra­ma­do o óleo, e segui­do viagem em direção à África, (veja aqui).

Essa últi­ma ver­são, des­en­cadea­da por ordens de bus­ca e apreen­são no escritório da empre­sa oper­ado­ra do navio, no Rio de Janeiro, e divul­ga­da pela própria Polí­cia Fed­er­al, esbar­ra, con­tu­do, no fato de sig­nificar expressåo de inter­esse norte-amer­i­cano, rel­a­ti­va­mente ao boicote que impõe à Venezuela e ao povo venezue­lano (leia, aqui). Ao leitor aten­to não escapará o fato de o Finan­cial Times sub­lin­har mais de uma vez o fato de a Venezuela estar sob sanções dos Esta­dos Unidos.

Inde­pen­den­te­mente da afer­ição, ou mes­mo da pos­si­bil­i­dade de que ven­ha a ocor­rer a deter­mi­nação da causa do even­to que des­en­cadeou o desas­tre ambi­en­tal, o que este demon­strou foi a inca­paci­dade de con­t­role das ativi­dades econômi­cas de alto risco para o meio ambi­ente, e a ausên­cia de preparo para o enfrenta­men­to das con­se­quên­cias de aci­dentes de tal mag­ni­tude, sendo cer­to que a fal­ta de cuida­do na escol­ha das autori­dades respon­sáveis pela admin­is­tração de políti­cas públi­cas pos­i­ti­vas e de con­t­role do meio ambi­ente agra­va a con­fig­u­ração dos danos.

Os desas­tres ambi­en­tais tem se tor­na­do cada vez mais fre­quentes. No Brasil, recen­te­mente, tive­mos as queimadas na Amazô­nia, o rompi­men­to da bar­ragem de Bru­mad­in­ho, o vaza­men­to de óleo no litoral, e a ver­i­fi­cação da man­cha de poluição do rio Tietê, para referir ape­nas os casos mais graves.

Sem uma políti­ca ambi­en­tal segu­ra e pri­or­itária, o risco de even­tos voltarem a ocor­rer, cada vez com con­se­quên­cias mais sérias, aumen­ta. Políti­ca gov­er­na­men­tal “min­i­mal­ista”, afir­ma o Pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Dire­ito, Alfre­do Attié, como a que ofer­ece o atu­al gov­er­no fed­er­al, em que a função do Esta­do se enx­er­ga como dimin­u­ta, e em que as medi­das gov­er­na­men­tais se resumem a cortes de recur­sos em ativi­dades vitais, como meio ambi­ente e edu­cação, faz desen­har no hor­i­zonte um futuro som­brio. Mais grave, prossegue Attié, “é o fato de isso sig­nificar des­cumpri­men­to da Con­sti­tu­ição, da leg­is­lação pro­te­ti­va ambi­en­tal, e de com­pro­mis­sos inter­na­cionais do Brasil.” O Pres­i­dente da APD acred­i­ta que é esse o fato inédi­to trazi­do pela atu­al admin­is­tração do País: “pela primeira vez, após a insti­tu­ição da nova ordem jurídi­ca democráti­ca de 1988, um gov­er­no afronta explici­ta­mente seus deveres con­sti­tu­cionais, negan­do val­or a con­quis­tas civ­i­liza­tórias não ape­nas do País, mas da humanidade, uti­lizan­do-se de mecan­is­mos fal­si­fi­cadores para trans­for­mar neces­si­dades humanas em meros jogos ide­ológi­cos,” diz. Para ele, “o meio ambi­ente, sendo o prin­ci­pal desafio de nos­so tem­po, exi­giria um pro­gra­ma de gov­er­no difer­ente, atu­al­iza­do, sério, imple­men­ta­do em con­jun­to com a comu­nidade inter­na­cional, ten­do o Brasil a vocação e o dev­er de lid­er­ança nesse proces­so, que foi ini­ci­a­do em Esto­col­mo, em 1972, e seguiu pas­sos impor­tantes com par­tic­i­pação e o enga­ja­men­to brasileiros, des­de 1992.”

A Acad­e­mia Paulista de Dire­ito con­tin­ua acom­pan­han­do o desen­ro­lar da bus­ca de elu­ci­dação e de solução do prob­le­ma do vaza­men­to do óleo.